sábado, 19 de março de 2011

Cingapura ou Singapura?

Como falei no primeiro post que escrevi, com o novo Acordo Ortográfico, o nome do país passou a ser Singapura com S, e não mais com C.

Antes do Acordo, o Brasil era o único país de língua portuguesa que utilizava a grafia com “C”. E já que o Acordo teve como objetivo unificar o idioma em todos os países que falam português, o Brasil agora teve que fazer mais essa mudança e começar a escrever com “S”, como todos os outros.

Infelizmente eu pareço ser uma das únicas pessoas a ter adotado a mudança, e tenho certeza de que quando escrevo Singapura o leitor pensa que sou eu quem está escrevendo errado. Além do mais, até no site do Itamaraty Singapura está com “C”… E eu estou prestes a mandar um e-mail para o Ministro...

Mas como sei que não adianta eu falar que é com “S” e não com “C”, consultei uma amiga que não só é professora de português (aka Miss Monte, praticamente o Pasquale da nova geração), como também mestra e doutoranda, para provar para o mundo de uma vez por todas que é Singapura e não Cingapura:

Base III
Da homofonia de certos grafemas consonânticos*
Dada a homofonia existente entre certos grafemas consonânticos, torna-se necessário diferenciar os seus empregos, que fundamentalmente se regulam pela história das palavras. É certo que a variedade das condições em que se fixam na escrita os grafemas consonânticos homófonos nem sempre permite fácil diferenciação dos casos em que se deve empregar uma letra e daqueles em que, diversamente, se deve empregar outra, ou outras, a representar o mesmo som.
Nesta conformidade, importa notar, principalmente, os seguintes casos: (...)
3.º Distinção gráfica entre as letras2 s, ss, c, ç e x, que representam sibilantes surdas: ânsia, ascensão, aspersão, cansar,conversão, esconso, farsa, ganso, imenso, mansão, mansarda, manso, pretensão, remanso, seara, seda, Seia, Sertã,Sernancelhe, serralheiro, Singapura, Sintra, sisa, tarso, terso, valsa; abadessa, acossar, amassar, arremessar, Asseiceira,asseio, atravessar, benesse, Cassilda, codesso (identicamente Codessal ou Codassal, Codesseda, Codessoso,etc.), crasso,devassar, dossel, egresso, endossar, escasso, fosso, gesso, molosso, mossa, obsessão, pêssego, possesso, remessa,sossegar; acém, acervo, alicerce, cebola, cereal, Cernache, cetim, Cinfães, Escócia, Macedo, obcecar, percevejo; açafate,açorda, açúcar, almaço, atenção, berço, Buçaco, caçange, caçula, caraça, dançar, Eça, enguiço, Gonçalves, inserção, linguiça,maçada, Mação, maçar, Moçambique, Monção, muçulmano, murça, negaça, pança, peça, quiçaba, quiçaça, quiçama, quiçamba,Seiça (grafia que pretere as erróneas/errôneas Ceiça e Ceissa), Seiçal, Suíça, terço; auxílio, Maxilimiliano, Maximino, máximo, próximo, sintaxe. (...)
Com a palavra, Ms. Monte:

“A homofonia nada mais é que o mesmo som produzido com letras diferentes (ex.: casa e azar). O som é o mesmo tanto para -sa- quanto para -za-. Grafema, grosso modo, é sinônimo de letra, mas sempre pensando nela como ligada a uma representação sonora. Neste 3o tópico da Base III, listam-se as palavras grafadas com s, ss, c, ç e x, cujo som seja de sibilantes (que sibilam, aquele som da cobra, sabe?) e que tem a grafia variante. Então, se antes se escrevia Cingapura, recomenda-se agora que se escreva somente Singapura.

No acordo de 1945, já constava um texto muito parecido com esse, inclusive com os exemplos dados. Porém, encontrei a seguinte observação sobre a questão:

"Apesar de Singapura fazer parte do exemplário, não estão previstos os casos em que a tradição lexicográfica portuguesa e a brasileira divergem nas designações toponímicas, por exemplo em Singapura/Cingapura."

O que significa que no Brasil tradicionalmente se grafa Cingapura. Como a ideia agora é unificar, o mais lógico que seria que passássemos a grafar Singapura, como já faz Portugal e como está previsto no Acordo.”

E se nos acostumamos com a queda do trema  e com o fato de ideia não ter mais acento, não estaria também na hora de começarmos a escrever Singapura com “S” maiúsculo?

sábado, 5 de março de 2011

Dicas para brasileiros em Singapura

Mesmo tendo considerado minha adaptação em Singapura relativamente fácil, ainda sinto falta de algumas coisas práticas que adoraria ter acesso no meu dia a dia.

Com isso em mente, preparei uma lista de coisas que podem ajudar ainda mais! Já que tanta coisa vai ser diferente, nada como poder trazer um ar de familiaridade para sua nova vida.

- kit manicure: seu esmalte preferido, porque apesar de aqui haver um salão em cada esquina e milhares de cores maravilhosas (a maioria sendo da OPI), nada como usar aquele Rendinha que você está acostumada; palito (traga um pacote de palitos de unha e tente ensinar a sua manicure aqui a usá-lo ao invés de tirar o excesso do esmalte com a unha dela, uma das coisas mais aflitivas ever); lixas daquelas mais básicas.
- tinta de cabelo: se você pinta o cabelo, sugiro trazer vários tubos da sua tinta, porque apesar das grandes marcas serem vendidas aqui, pode haver diferença na cor... E se você não for muito aventureira, melhor garantir sua tranquilidade e evitar um “bad hair month”.
- remédios: apesar de básico, tinha que entrar na lista. Nada como a sua farmacinha personalizada, com os remédios que você está acostumada. Aqui precisa de receita médica pra quase tudo, e nem anticoncepcional se compra sem receita. Além dos remédios de cólica que você já sabe que funcionam para você.
- rodo:  esse vai parecer o tópico mais esdrúxulo da lista, mas acreditem, faz falta. Até agora só encontrei rodinho de pia e um bem mais ou menos no Mustafá (shopping 24H em Little Índia), mas pra quando você quer lavar o chão da cozinha, da varanda, do banheiro... o rodo é seu amigo!
- já que estamos no tópico limpeza... pano de chão, daqueles de saco, também fazem falta. Claro que você pode usar uma toalhinha, mas eficiente igual ao pano de chão brasileiro, vai ser difícil...

- um pacote de farofa: porque você encontra arroz e feijão aqui, mas de vez em quando falta uma farofinha (neta de baiano, acredito que farofa combina com tudo). E o ingrediente alternativo é semolina, mas apesar de ficar gostoso e relativamente parecido, não é exatamente igual à boa e velha farinha Deusa.

Aliás, comidas em geral não são um problema pra quem não vive sem a comidinha brasileira.  Aqui tem mais de 4 restaurantes rodízio (que não são 100% idênticos mas quebram o galho), tem uma moça que vende coxinha e pastel por encomenda, um chef de cozinha/churrasqueiro pra contratar quando você quer dar uma festa, dá pra comprar picanha, sal grosso, cachaça... até guaraná! Já encontrei bolacha Bono de chocolate num mercadinho e ouvi dizer que tem uma loja que vende requeijão (apesar de ter ido lá quatro vezes e nunca ter encontrado). Aqui tem produtos da Sadia/Perdigão (frango congelado, salsicha e pizza), vende polvilho pra fazer pão de queijo, leite condensado...

Tem loja da Havaianas.
Tem loja de biquíni e roupa de ginástica brasileira.
Tem CD de música brasileira tocando até no supermercado.
Vira e mexe tem um show (Bebel Gilberto, Bossacucanova, bateria da Beija-flor, Os Mutantes e Gilberto Gil são alguns exemplos).
Tem grupo de capoeira, aula de samba, grupo de atividades pra crianças brasileiras...
Tem aproximadamente 2.000 brasileiros que você vai encontrar o tempo todo em um dos vários eventos que acontecem pela cidade.

Singapura é tão pequena, que com o tempo você vai acabar se sentindo numa vila. E quando a sua farofa acabar, sempre tem alguém chegando com mais um carregamento...


PS1- Sei que não sou das mais exigentes, por isso a lista é bem básica, mas conheço brasileiros aqui que trazem até arroz do Brasil (sendo que a Ásia tem dezenas de tipos de arroz, mas eles gostam mesmo é do nosso!) – e muitos que trazem carne seca, bacalhau e outras coisas que pra mim simplesmente não fazem falta no dia a dia e fico feliz em comer isso só quando vou para o Brasil.


PS2 - Quem tiver sugestões para a lista, escreve nos comentários!

PS3- estou preparando uma série de posts sobre o Brasil em Singapura, aguardem!