quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Thaipusam festival


E não é que eu tive estômago para assistir o tal festival hindu onde os homens fazem uma procissão com estandartes enormes espetados pelo corpo?

Optei por ver a chegada da procissão, e não o começo, onde eles estão sendo espetados. Mas eu vi a retirada dos espetos e já foi difícil o suficiente entender porque alguém se submete a isso em nome da fé.

Thaipusam é o festival hindu celebrado pela comunidade tâmil da Índia, Malásia e Singapura,  durante a lua cheia no mês tâmil de Thai (janeiro/fevereiro).  O festival comemora a ocasião em que Parvati deu a Murugan uma lança para que ele pudesse vencer o demônio Soorapadman.

Esse culto cerimonial consiste no sacrifício físico que os devotos fazem para implorar a ajuda de Murugan, deus tâmil da guerra.

Em geral, os hindus fazem uma promessa de oferecer o kavadi para tentar impedir que uma desgraça aconteça – pode ser por exemplo uma tentativa para salvar um filho doente.

Existem diversos tipos de estandartes ou objetos diferentes que as pessoas carregam na procissão de 4km de um templo em Little India até outro – e ainda por cima descalças. Os mais simples são um recipiente com leite que eles carregam na cabeça (hoje vi mais mulheres carregando leite) – e os mais elaborados envolvem piercings em todo o tronco, braços, pernas,  língua e bochechas.


Vi homens com limões presos por anzóis nas costas. Outro tinha uma lança que atravessava a boca pelas bochechas. Muitos tinham as línguas perfuradas (além de toda aquela estrutura decorada com penas de pavão e objetos dourados espetando as costas e a barriga).



Não  bastando o fato do fulano estar todo espetado como boi no rolete e enfeitado como um carro alegórico, na entrada do templo antes de subir os degraus alguns ainda calçavam sandálias de pregos para completar a reta final. Sim, pregos.

Mas o mais impressionante é a devoção deles. Eles andaram 4km em sabe-se lá quanto tempo, rodeados de familiares e amigos tentando incentivá-los (quase como uma maratona em que os torcedores acompanham o corredor) e quando chegam na porta do templo ainda tem que fazer uma dancinha com o som dos tambores vindo e dentro do templo. Dançar com aquilo tudo de piercing  e anzol no corpo não deve ser coisa fácil. É preciso ter muita fé para se submeter a um sacrifício desses, mas eu não vi nem um fiel sequer fazendo cara feia.

O templo de chegada estava lotado de todo tipo de gente, mas os hindus, até agora o povo mais aberto quando se trata de religião que já vi, eram maioria. Qualquer um é bem vindo e ninguém pareceu se incomodar com os dezenas de turistas boquiabertos fotografando cada detalhe.

No final vi uma senhora carregando um pote com leite na cabeça e que, na entrada do templo parecia que ia desmaiar. Alguns homens foram acudi-la rapidamente, mas ao invés de retirar o pesado pote da cabeça dela, e ajudá-la a sair da procissão (como imagino que fariam em qualquer outra situação), eles recolocaram o pote na cabeça dela e seguraram os dois braços abertos da mulher que, sob protestos, recebeu aquela pintura da tinta branca na testa que os hindus usam (bindi em híndi, pottu em tâmil). Em 10 segundos aquela senhora que estava quase desmaiando e tentando se libertar das mãos daqueles homens, começou a pular, dançar e cantar num transe tão intenso que eu só pensava que ela estava drogada ou possuída. E assim seguindo, pulando com os dois braços presos pelos dois marmanjos, para dentro do templo.



Infelizmente eu não tinha ninguém para me explicar o que eu estava vendo. O que escrevi aqui encontrei no Wikipédia, e sei que tem uma grande chance de estar errado. Mas eu quis escrever esse post assim que cheguei em casa, para tentar transmitir o que senti ao ver esse festival.

Mas pra falar a verdade, nem eu sei o que senti. Talvez precise de um dia ou dois para digerir o que vi e verificar as informações que o Google me trouxe...

Não deixem de ver as fotos que coloquei no Flickr @/  e me corrigir caso tenha passado alguma informação errada.

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