sexta-feira, 16 de abril de 2010

Macau - parte I

Nunca pensei que um dia eu diria que a Macau foi para Macau! Macau é meu apelido em Piracicaba, minha cidade natal, e mesmo com a perda de algumas letras com o passar dos anos (de Macau para mc, e às vezes até só M. – ou emi, para os íntimos) ainda sou Macau.

O destino real da viagem era Hong Kong, mas como os dois lugares são muito próximos, resolvemos passar uma noite em Macau. Estava curiosa para ver a influência portuguesa, comer um bom bacalhau (já que em Singapura não existe restaurante português) e conhecer a “Las Vegas da Ásia”, como a ilha é conhecida.

Pegamos o vôo para HK, e no próprio aeroporto pegamos a balsa para Macau. Tudo muito organizado, e a simpatia do senhor que nos vendeu o ticket da balsa no aeroporto será inesquecível. Nossas bagagens foram encaminhadas direto da companhia aéra para a balsa, e até chegarmos em Macau e vermos as duas malinhas confesso que estava receosa. Mas foi tudo mega eficiente e sem dor de cabeça.

Fora do terminal da balsa, dezenas de ônibus e micro-ônibus dos hotéis e cassinos se engarrafam. O ônibus do nosso hotel tinha acabado de sair, então um tiozinho sugeriu que pegássemos o transfer do hotel vizinho. Pelo jeito é comum, e ninguém se incomoda com isso.

Da janela do ônibus, fiquei com os olhos arregalados estranhando muito o que via. Mega cassinos e hotéis luminosos lado a lado de prédios feios e sujos. A primeira palavra que me veio à cabeça foi decadência. Apesar de antigos, os prédios não tem aquele charme que encontramos na Europa. Falta cuidado, carinho e uma boa demão de tinta.

Chegamos ao hotel, que foi escolhido pelo preço, mas era confortável e muito bem localizado. Sorte. O atendimento não era lá essas coisas, e me deu a impressão de que todos os funcionários eram da China (continente). Depois de instalados, saímos a pé para explorar o centro antigo. A temperatura estava bem mais baixa do que estou acostumada atualmente – com 20 graus já estou tiritando de frio. Por sorte tinha levado calça jeans, tênis e uma jaqueta – além de todas as regatas, shorts e sandálias que ficaram na mala.

Fomos seguindo meu fiel Lonely Planet em direção ao centro histórico. No caminho, encontrei uma parede de azulejos portugueses e logo notei que se tratava da escola portuguesa em Macau. Mais adiante encontrei algumas alunas adolescentes, sentadas na porta da escola olhando o vai-e-vem de turistas. Uma delas fez um comentário quando me viu, que infelizmente não consegui escutar inteiro (só sabia que começava com “olha aquela ali...”) – e minha reação imediata foi dizer “cuidado, que eu também falo português” com o dedo e riste e sem parar de andar, para o choque da menina. Deixei a rodinha de schoolgirls boquiaberta, e segui rindo. Mas quem nunca deu um fora como o dela que atire a primeira pedra.

Então paramos no café Caravela, também recomendado no guia. Comunidade portuguesa em peso, no menu pastéis de nata, bolinho de bacalhau e croquete. Pedimos um de cada e devo dizer que os pastéis eram iguaizinhos aos que comi em Portugal. Os bolinho e croquete estavam frios, mas acalmaram minha lombriga de petiscos familiares.

Com o estômago cheio, seguimos caminho. Subimos uma ruazinha, que levava direto à Catedral da Sé. Passeamos pelo Largo do Senado, pelo Mont Fort e ruínas da Igreja de São Paulo. Durante todo o caminho, todas as placas de rua e lojas estavam em português e chinês, mas na boca do povo só se escutava chinês (cantonês).

Do alto do Mont Fort dá para ver uma boa vista da cidade – eu disse boa, e não bela. Todos aqueles prédios que eu comentei no início se aglomeram com suas paredes pretas e roupas penduradas para fora dando uma impressão de uma grande favela. O dia nublado e com neblina não favoreceu essa impressão, e talvez num lindo dia de sol com céu azul tivéssemos tido outra experiência.

Voltamos para o hotel já à noitinha, quando todas as luzes dos cassinos já estão acesas. E é aí que o contraste é mais nítido: os neons extravagantes dos cassinos e hotéis de luxo com os prédios decadentes do passado.

O programa noturno fica para o próximo post!

2 comentários:

  1. Que máximooooo! Deve ser muito curioso, uma ex-colônia de Portugal na Ásia...
    Doida pra saber o resto!
    beijo

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  2. É muito estranho, aquele bando de prédio português com painéis em chinês!

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