sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O dia em que eu contratei uma faxineira

Desde que chegamos aqui todo mundo falava o quanto era barato contratar uma faxineira (10 SGD por hora, em média), mas eu, enquanto desempregada, achava que poderia dar conta do recado. Afinal o apartamento é pequeno, eu tenho tempo de sobra e não via a necessidade de contratar uma profissional.

Antes de sair do Brasil tive uma conversa séria com a Selma, faxineira da família há anos, que me ensinou uns truques básicos. Na minha última visita ao Brasil, ao questioná-la sobre a limpeza dos banheiros, ela me convenceu de que só a cândida salva.

Parênteses: há alguns anos, depois de ter algumas peças manchadas pela marvada, resolvi parar de comprar cândida. Mamãe disse que ela podia muito bem limpar com outros produtos, mas não tão poderosos (e perigosos) quanto a água sanitária. Depois de meses “na seca”, Selma não resistiu à abstinência e, ao fazer a lista de compras, adicionou a seguinte observação no final, em letras menores (talvez por medo da minha reação):

- Por favor UMA cândida

Ri, cedi, e passei a comprar uma cândida a cada dois meses – mais do que isso era muito arriscado.

Fecha parênteses.

Então durante nove meses eu realmente conseguia fazer tudo sozinha. Tinha minha programação e o dia oficial da faxina e, com muito suor, alguns hematomas e uma crise alérgica (que me deixou parecendo que tinha catapora algumas horas antes de uma entrevista) incorporei o papel de Amélia e botei a mão na massa.

Mas depois da tal reação alérgica e de notar que meu apartamento aqui não brilhava tanto quanto o de São Paulo, resolvi dar o braço a torcer e contratar uma faxineira uma vez por semana.

A procura não foi longa. Queria uma que trabalhasse com brasileiras e já estivesse acostumada com nosso nível de exigência e costumes. Conversei com algumas amigas e ouvi vários comentários, e acabei chamando a da Dani para conversar.

Gina é uma filipina de meio metro de altura, que teve um ataque de riso quando eu abri a porta e ela viu que eu era duas vezes maior que ela. Já na primeira conversa pediu para ver a casa, meu aspirador de pó e os produtos que eu tinha no armário – aparentemente muitos deles inadequados, porque ela me mandou por mensagem de texto uma lista com os produtos “certos”.

Gostei da atitude, decidi contratá-la e rodei a cidade em busca do tal “magic mop stick”. Não queria decepcioná-la no primeiro dia.

Ela veio num sábado (Steven fugiu para o escritório), chegou pontualmente, me cumprimentou, conferiu os produtos que eu tinha comprado, foi se trocar e já botou a mão na massa sem nem me perguntar nada. Impressionada com a eficiência, recolhi-me à minha insignificância na varanda com um livro. Quando chegou a hora de limpar a varanda, fui para o quarto e assim em diante, até ela terminar o serviço.

Foram quatros horas de trabalho ininterrupto. Ela fez tudo que eu fazia e mais um pouco, sem nem sequer transpirar (enquanto eu suava como se tivesse corrido a maratona só de arrumar a cama).

Na hora de ir embora, ela só falou:

- Finished! Your house is very pretty now.

Eu não tinha nem o que dizer. Ficou muito bonita mesmo, tão bonita que eu queria dar um abraço de urso nela e chamar os vizinhos para ver como dava para usar o chão da sala de espelho.

Mas me contentei com um “thank you, see you next week”. E lá se foi a Gina, minha nova ídola.

5 comentários:

  1. hahaha, muito bom MC! Eu ainda reluto aqui, mesmo porque meu apErtamento é MUITO pequeno. Aproveito para substituir a academia sábado por uma bela faxina.... bjs Marina

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  2. Super Gina!!! hahaha
    tem coisas que realmente não têm preço... casa brilhando e você sem derramar uma única gota de suor certamente é uma delas!

    beijo

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  3. Super Gina (e não é a dos Palitos)!! Mas D-U-V-I-D-E-O-D-Ó que não tenha escorrido meia gotinha de suor...Vai ver que ela tem problema e os poros são fechados pois só de tentar limpar a mesa de vidro eu saí pingando (mas a mesa ficou "tinindo")...Já sei, era o produto...ehehehhe
    Beijo
    Ni

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  4. faxineira boa é tudo na vida de uma mulher! beijo e boa sorte para ganhar o emprego novo.

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  5. Gabriel Pina dos Santos6 de junho de 2011 05:13

    Muito legal o jeito que você escreveu. É um trabalho que deveria ser mais valorizado. Difícil.

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