terça-feira, 2 de novembro de 2010

Vídeo

Voltei!!

A ausência levou mais tempo do que o esperado, mas estou de volta. Enquanto preparo novos posts, deixo vocês com um vídeo feito pela Reuters sobre Singapura.

Mas não vão sair pensando que todo mundo aqui é milionário, porque essas reportagens nunca mostram a vida das pessoas normais - só das minorias

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Recesso

Interrompemos nossa programação normal para informar que a dona e única contribuidora desse blog está de férias no Brasil.

E já que ia cruzar o mundo para ir no casamento da minha querida amiga e votar contra a Dilma, me empolguei e resolvi ir também para a Holanda visitar os parentes e para NYC com mami e vovó (precisa de motivo?).

Volto lá pro final de outubro, se eu não extraviar no caminho.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

YOG - balanço

E então num piscar de olhos os Jogos Olímpicos da Juventude acabaram!! Foram sete dias de trabalho intenso, correria, calor e muitas risadas!

Quando me inscrevi como voluntária, nãosabia muito bem o que esperar. Às vésperas do início dos jogos me informaram qual seria meu local de trabalho: o estádio de Bishan, onde aconteceriam as competições de ginástica olímpica e atletismo. Num primeiro momento eu não tive a noção da sorte que tive ao ser selecionada para trabalhar em Bishan. Mal sabia eu que a primeira medalha de ouro que o Brasil ganharia nas olimpíadas seria conquistada lá – e muito menos que seria durante o meu turno!!

Tive a sorte de assistir de perto a diversas competições, aprendi muito sobre atletismo e ginástica olímpica, conheci muita gente nova, conversei com vários atletas brasileiros, interpretei quatro entrevistas para TV (e inúmeras para mídia impressa), desenferrujei meu espanhol, e no final do dia (ou noite) voltava para casa exausta e feliz!!

É uma pena que tudo tenha acontecido tão rápido, mas vou guardar excelentes lembranças desses dias de trabalho nos primeiros Jogos Olímpicos da Juventude! E preciso dizer que gostei bem desse negócio de olimpíadas, quem sabe não vou para Londres em 2012? :)

O Brasil volta de Singapura com sete medalhas (3 ouros, 3 pratas e 1 bronze). E eu tive a sorte de ver ao vivo o Brasil levar três: Caio dos Santos, que levou o ouro para o salto em distância e revezamento, e o Thiago da Silva, que levou a prata para salto com vara. O Caio e o Thiago são dois atletas com muito potencial, e ainda vamos ouvir falar muito deles!

Vejam o Caio no salto que garantiu o ouro para o Brasil: http://www.youtube.com/watch?v=Dh3bLRYJkiY


Thiago ganhando a medalha de prata: http://www.youtube.com/watch?v=aL-6SbzZ1Ls

E agora, vejam a mc em ação na entrevista com o Caio!!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

YOG - primeiro dia

Hoje vai ser meu primeiro dia de trabalho nos jogos olímpicos. No meu calendário oficial meu primeiro dia de trabalho seria terça, mas num evento desse porte é de se imaginar que imprevistos e mudanças de última hora aconteçam. E estou feliz com essa mudança, porque já estava ansiosa para começar a trabalhar!!


Então ‘bora vestir o uniforme e seguir para o ginásio Bishan!



Kit voluntário

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Quinto capítulo - Rede Record

Quase me esqueço de compartilhar o último capítulo da série especial!

Fotos National Day

No final das contas desistimos de assistir aos fogos no meio da multidão e resolvi aproveitar a localização e altura do meu prédio e ficamos em um sky garden no 29o andar. Assistimos a tudo de camarote, e apesar de ficar muito mais impressionada com as fotos que vi na internet do que com os fogos em si, nossa vista não deixou a desejar:



O único problema foi que a fumaça começou a dominar a paisagem - e foi indo em direção ao Swiss Hotel: o que nos levou a concluir que o Equinox ou New Asia Bar não são boas opções para assistir aos fogos.

No final das contas valeu a pena ter ficado aqui durante o feriado para ver os fogos ao vivo, mas se estivermos aqui no ano que vem quero ver de pertinho, ou no Marina Bay Sands (vejam aqui as fotos oficiais) ou no Esplanade.


 Foto: Marina Bay Sands

Mais fotos aqui

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

National Day - 45 anos de independência

Singapura se transforma em diversas épocas do ano, de acordo com a ocasião. A partir de julho é hora da cidade se fantasiar de vermelho e branco, as cores da bandeira, em preparação às comemorações do National Day, data que comemora a declaração da independência – a comemoração mais importante do calendário de eventos no ano todo.

E é em 9 de agosto que as coisas realmente acontecem, com a parada da independência (National Day Parade – NDP): a maior demonstração nacionalista e patriótica do país. E um mês antes da data a bandeira de Singapura já domina o visual da cidade, pendurada em praticamente todos os prédios HDB (públicos), escritórios, condomínios, e exposta em táxis, ônibus e metrôs.


A NDP é um grande espetáculo, que normalmente acontece na plataforma flutuante em Marina Bay, mas esse ano por causa dos Jogos Olímpicos da Juventude, mudou de lugar e vai acontecer no Padang. O show, que tem como objetivo estimular o patriotismo e orgulho da população, terá duração de 50 minutos divididos em quatros atos de parada militar, música, projeções multimídia e fogos de artifício. Não sei exatamente como é isso porque no ano passado estávamos viajando, mas os helicópteros e caças da Força Aérea de Singapura estão praticando acrobacias bem em cima das nossas cabeças há uns 2 meses (os caças, não os helicópteros, que só passeiam com uma bandeira GIGANTESCA).

O show com os fogos de artifício também foi praticado todos os sábados de julho por volta das 20h, e tenho a sorte de poder ver da minha varanda os ensaios para o grande dia. (só aqui mesmo para o povo “ensaiar” show de fogos de artifício...)

Os ingressos para o show não são vendidos, mas são sorteados num tipo de loteria meses antes (você se cadastra e eles sorteiam os ingressos por lotes).

Para aqueles que, como eu, não tem ingressos (nem sequer lembraram de se cadastrar, na verdade), vale tentar assistir aos fogos de artifício de algum lugar estratégico. Algumas sugestões gratuitas, alguns hotéis para passar a noite, e alguns restaurantes:

Locais públicos (tenha em mente que as ruas estarão lotadas e, se você não gosta de muvuca, melhor ficar em casa e ver da TV):

1) O calçadão do Esplanade
2) A ponte do Esplanade
3) Merlion Park
4) Clifford Pier
5) The Promontory @ Marina Boulevard
6) Marina Bay Sands Waterfront Boardwalk
7) Helix Bridge
8) Marina Barrage

Hotéis (para se hospedar – lembre de pedir um quarto com vista para Marina Bay!)

1. Swissotel the Stamford
2. Ritz Carlton Millenia Singapore
3. The Fullerton Hotel
4. Mandarin Oriental Singapore
5. Marina Mandarin Hotel Singapore
6. Pan Pacific Singapore Marina Bay
7. Marina Bay Sands

Restaurantes e bares (meio carinhos – e é preciso reservar com uma boa antecedência):

1. Equinox Restaurant (Level 70, Swissotel the Stamford)
2. Hai Tien Lo (Level 37, Pan Pacific Singapore Hotel, Tel: +65 6826 8240)
3. Dolce Vita (Mandarin Oriental, Tel: +65 6885 3551)
4. The Axis Bar & Lounge (Mandarin Oriental, Tel: +65 6885 3098)
5. The Lighthouse (Fullerton Hotel, Tel: +65 6877 8933)
6. One Fullerton Restaurants
        a. Sano Bar – comida libanesa, Tel: +65 64239182
        b. Pierside Kitchen & Bar - Tel: +65 6438 0400
        c. Palm Beach Seafood Restaurant – frutos do mar/chinês, Tel: +65 6423 0040
7. Orgo (Roof Terrace @ Esplanade Theatres, Tel: +65 63369366)
8. Al Dente Trattoria @ Esplanade (Colours by the Bay, Tel: +65 6341 9188)
9. One on the Bund (Clifford Pier, Tel: +65 6221 0004)
10. Altitude Gallery & Bar (Level 63, 1 Raffles Place)

E para vocês terem uma ideia do quão nacionalista é essa comemoração, tirei a seguinte frase de um site do governo:

“Ás 20h10 do dia 9 de agosto de 2010, todos os singapureanos são incentivados a recitar o Juramento Nacional e cantar o Hino Nacional a uma só voz onde quer que estejam: na NDP no Padang, nos cinco pontos com transmissão ao vivo, nas estações de ônibus e metrô, nas sedes dos clubes SAFRA, shopping centres ou em casa enquanto assistem à transmissão ao vivo da NDP 2010 pela televisão”.

Já pensaram se isso aconteceria no Brasil???

Detalhes: 
• Singapore National Day Parade 2010
• Data/ hora: 9 de agosto / das 18:00 às 20h:30
• Fogos de artifício: provavelmente a partir das 19:30
• Local: Padang
• Ingressos: esgotados
• Tema 2010: Live Our Dreams, Fly Our Flag (Viva nossos sonhos, levante nossa bandeira)
• Música tema 2010: Song for Singapore (assista ao clipe aqui)
• Site oficial: http://www.ndp.org.sg/

OBS- as dicas de locais para assistir aos fogos foram tiradas do site http://www.etour-singapore.com/fireworks-in-singapore.html

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Quarto capítulo - Rede Record

Sobre o zoológico e o aquário, imperdível!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Terceiro capítulo - Rede Record

Olha a mc aí gente!!! Apareço no finalzinho, falando sobre meu trabalho voluntário nos Jogos Olímpicos!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Segundo capítulo - Rede Record

Sobre comidas estranhas, bem divertido!



Só ressaltando que não é isso que comemos no dia a dia... a reportagem mostra as comidas mais estranhas, e aqui tem milhares de restaurantes e praças de alimentação com opções mais normais e muito gostosas, sem falar nos restaurantes com chefs estrelados.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Rede Record

Vejam o primeiro capítulo da série: Singapura, a ilha do futuro. Uma bela introdução e resumo do que é o país.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

mc na TV - 2

Lembram do post em que eu contei que seria voluntária dos Jogos Olímpicos da Juventude?

Pois bem, o tal post resultou em uma entrevista que dei para a Rede Record, emissora que tem os direitos de transmissão das olimpíadas no Brasil, e que está preparando uma série especial sobre Singapura e os jogos.

A série vai ao ar no Jornal da Record a partir do dia 2 de agosto. Não sei ao certo quando (e se) a minha entrevista vai passar, mas de qualquer maneira vale a pena ficar de olho na Record para aprender um pouco mais sobre Singapura e saber mais sobre as Olimpíadas da Juventude. E, claro, assistir à minha entrevista!

O Jornal da Record vai ao ar de segunda à sexta às 20h10, e aos sábados às 21h15.

domingo, 1 de agosto de 2010

Campanha publicitária 2

Já que no post anterior mostrei um comercial meio tosco, achei justo compartilhar agora um que adoro. Apesar de não ter sido feito em Singapura, a criação é da Ogilvy Asia e passa direto na TV aqui.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Campanha publicitária

Outro dia a Renatinha colocou no blog dela uma propaganda que passa na TV lá em Pernambuco, e disse sentir saudades das propagandas toscas das Casas Bahia que passam São Paulo.

Nesse espírito, resolvi compartilhar com vocês a mais recente campanha publicitária do governo para conscientizar o povo a não jogar lixo na rua.

Prestem atenção nos efeitos especiais, na diversidade dos atores (chinês, malaio e indiano - as principais etnias de Singapura) e nas legendas em inglês (apesar do áudio também ser em inglês, a maioria dos programas - até telejornal - têm legenda para facilitar a compreensão).



E aí, você achava que já tinha visto tudo na vida??

Isso é Singapura.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Ainda na Copa

Dois dias depois que a Holanda tirou o Brasil da Copa, fomos almoçar com uns amigos brasileiros numa churrascaria.

Assim que o garçom (brasileiro) chegou na nossa mesa trazendo a suculenta picanha, olhou para o único loiro da mesa (com cara de gringo) e perguntou:

- Ele é holandês?

- Sim - respondemos receosos.

- Então ele vai ser o último a ser servido!!!

E assim, meus amigos, é como um garçom em Singapura vingou a derrota do time do Dunga.

sábado, 3 de julho de 2010

Então tá

Decidimos ver o jogo separados. Fui para uma churrascaria brasileira, e ele foi para outro bar com a torcida laranja. No primeiro tempo, um jogaço. Estava feliz mas preocupada por saber que a Holanda se recuperaria no segundo tempo. Os brasileiros ao meu redor tirando sarro dos holandeses, tomando suco de laranja, cantando vitória antes da hora.

O segundo tempo foi aquele lixo. Não preciso comentar aqui porque todo mundo viu o jogo, mas foi tenso. Estava sentada na mesa com uma brasileira e três suíços que aos poucos foram contaminados pela energia brasileira. Também tinha um casal de Gana torcendo para o Brasil. Foram embora assim que o jogo acabou.

Os suíços ainda tentaram nos consolar. Meu telefone não parou um minuto, mensagens chegavam de todos os lados, reclamando, lamentando, oferecendo o sofá cama para eu dormir caso não quisesse voltar pra casa. Minha mãe me ligou (e falei uns palavrões – desculpa mãe!). O Steven me ligou. Minha cunhada me ligou (e essa fiz questão de não atender).

Depois de esfriar a cabeça, fui com minha fiel escudeira Bruna caminhando para o bar onde estava o Steven e nossos amigos holandeses.

Ao chegar lá me surpreendi que (quase) não nos atormentaram. Nos cumprimentaram, falaram um pouco do primeiro tempo e perguntavam o que tinha acontecido no segundo. No geral o sentimento era mais de solidariedade e surpresa do que outra coisa.

Também encontrei alguns ingleses, esses sim entendiam o peso da eliminação.

Fomos para outro bar, onde alguns holandeses desconhecidos tiraram sarro de nós. Para os que botavam o dedo na minha cara, eu mostrava sorrindo as 5 estrelas na camisa (coisa que a Holanda ainda não tem). Mas a maioria vinha cumprimentar, fazer aquela cara de interrogação. O que dizer??

Os poucos brasileiros que restavam naquele bar em Singapura dançaram juntos, sem vergonha de vestir a camisa amarela naquele mar laranja.

É... não foi dessa vez.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

TPJ*

Ainda faltam 3 dias para o jogo mais tenso da Copa até o momento: Brasil x Holanda.
Para os entendidos pode não ser o jogo mais difícil, mas para quem tem um exemplar do time adversário dentro de casa a coisa muda.

Assisti ao último jogo da Holanda vestida de laranja e torcendo com os holandeses, já sabendo que, caso ganhassem (e o Brasil vencesse o Chile), o próximo jogo seria contra o Brasil.

Pois agora estou aqui, no meio de combinações dos dois lados (qual é o melhor local para ver o jogo? quanto custa a cerveja? tem consumação mínima?). Os holandeses já decidiram. Os brasileiros, pra variar, são os mais enrolados.

E eu aqui no meio, tentando conciliar a turma do namorado holandês com a turma de amigos brasileiros.

A única certeza que tenho até o momento é qual camisa eu vou usar:



VAI BRASIL!!!

*TPJ = tensão pré-jogo

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Ainda sobre o tempo

Só porque escrevi aquele post falando do clima mês a mês São Pedro resolveu se rebelar e me fazer passar vergonha. Estamos em junho e essa semana chove sem parar. Além de não ser temporada de chuva, antes, eu achava que as chuvas não duravam três horas. Ontem, não só durou muito mais que isso, como foi uma chuva fortíssima que causou enchentes em alguns pontos da cidade.


Em frente ao Ion, na Orchard Road - a rua mais conhecida da cidade


Starbucks no shopping Wisma Atria, que fica num nível rebaixado da rua

À noite, a brisa fresca denunciava que os termômetros tinham finalmente baixado (a temperatura estava em torno dos 25 graus celsius) e não é mentira quando digo que quase senti frio. Quase.

E foi justo no dia desse dilúvio que tinha marcado de conhecer o novo parque da Universal Studios em Singapura. Havia comprado os ingressos na véspera, e não podia simplesmente desperdiçar 66 dólares. Mas isso é assunto para outro post.


*fotos The Straits Times

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Clima mês a mês

Como meu controle de acessos diz que o maior número de pessoas que cai de paraquedas no blog está procurando informações sobre o clima em Singapura, resolvi facilitar a vida deles fazendo um guia mês a mês.

No entanto, ressalto que, com El Niño, La Niña, aquecimento global e o fim do mundo iminente estão afetando as estações do ano aqui tanto quanto aí no Brasil (ou já se esqueceram do frio que fez em janeiro?). Não há mais previsão concreta nem verdade absoluta (se é que um dia houve).

Independente de quando você esteja planejando vir a Singapura, a coisa mais importante que você tem que saber é que desde que se tem registro, a mínima temperatura registrada em Singapura foi de 19,4ºC e a máxima, 36ºC (obs: essa mínima foi registrada em 31 de janeiro de 1934, e apesar dessa máxima não parecer tão quente, muitas vezes a sensação térmica é muito superior a isso)

Então, com base na minha experiência nesse último ano morando em Singapura, segue a lista de como é o clima a cada mês do ano:

Janeiro – menos quente, menos úmido e com bastante vento
Fevereiro – menos quente, menos úmido e com bastante vento
Março – um pouco mais quente e úmido e com menos vento (que saco esse vento, não vai parar nunca?)
Abril – quente e úmido
Maio – mais quente e úmido
Junho – muito quente e muito úmido (cadê aquele vento?)
Julho – muito quente e muito úmido (a conta de luz está nas alturas por causa do ar condicionado que vive ligado)
Agosto – ainda quente e úmido
Setembro – relativamente menos quente, úmido e com nevoeiro (causado pelas queimadas na Malásia e Indonésia)
Outubro – quente, úmido e chuvoso
Novembro – quente, úmido e chuvoso
Dezembro – menos quente, úmido e chuvoso

Então, se você é daqueles que:

a) gosta de passar um friozinho
b) não suporta calor
c) odeia transpirar
d) não gosta de ar condicionado
e) todas as anteriores

NÃO venha para cá. Ou, se vier, não diga que eu não avisei.

*fontes: http://www.weather.gov.sg/wip/web/home/faq e http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_weather_records

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Visitas!

Semana passada o Bed and Breakfast da mc entrou em funcionamento novamente!

Recebi a visita da Nani, que é uma super amiga de uma amiga super querida, e que só tinha visto duas vezes na vida. Ela está fazendo uma viagem volta ao mundo de 1 ano e vai passar 26 países – e como é que eu poderia deixá-la ficar num hotel em Singapura?

Fiz questão que ela ficasse na minha casa, dei cama, comida, roupa lavada e fiz até pão de queijo! Levei ela fazer compras, o pé, a mão, comer sushi, filé mignon, tomar suco com gelo (um luxo em alguns países) – e em contrapartida ouvi estórias incríveis de viagens, fiquei sabendo como é fazer a trilha no Nepal, como é se hospedar com os nômades da Mongólia e dormir com os animais dentro da casa (pra eles não morrerem de frio), e entendi um pouco mais como a Índia funciona (país que ela visita há 10 anos e conhece muito bem).

Batemos altos papos, demos muita risada, e fiquei muito feliz em poder oferecer um lar para ela poder descansar entre tantas viagens, trilhas, mochilas e comida ruim.

Depois chegou a irmã dela, Carolina, outra fofa, que também se hospedou aqui em casa por duas curtas noites, antes de seguirem juntas para Bali. O tempo da Carol aqui foi muito curto (e com muito jet leg), mas pelo menos ela pode ver um pouquinho de como é Singa!!

Hoje de manhã as irmãs foram embora... O tempo passou tão rápido, adorei as meninas e queria que elas pudessem ter ficado mais, mas tenho certeza que vão se divertir horrores em Bali, e que mais cedo ou mais tarde a gente se encontra por aí (ou aqui)!

terça-feira, 25 de maio de 2010

Vietnã: Hanoi e Halong Bay

Todo ano a empresa do Steven organiza uma viagem de team building para os funcionários, e os cônjuges são bem-vindos (desde que paguem a parte deles, claro). No ano passado fomos para Chiang Mai, na Tailândia, e esse ano o destino escolhido foi o Vietnã, com duas paradas: Hanoi e Halong Bay.

O problema de uma viagem como essa é que você não escolhe o itinerário, nem define horários, refeições, etc. Mas sabendo que teríamos pouco ou nenhum controle sobre a programação, resolvemos relaxar e aproveitar a experiência.

Depois de quase 3 horas de voo, chegamos em Hanoi, a capital do Vietnã. De lá fomos direto para um restaurante que servia frutos do mar (e eu experimentei todos os pratos que vieram parar na mesa, vejam só que progresso). Fomos para o hotel porque no dia seguinte cedo iríamos para Halong Bay.

Foram mais de 4 horas dentro do ônibus, com uma parada. O trânsito no Vietnã é um dos mais caóticos que vi na Ásia, mas ao contrário de outros lugares aqui a ordem é: buzine o máximo possível. A estrada era de mão dupla, ciclistas e motoqueiros andavam a 20 por hora e vacas cruzavam nosso caminho. Literalmente.

Chegamos em Ha Long city, onde pegaríamos o barco que nos levaria passear em Halong Bay – Patrimônio Mundial da UNESCO que consiste em milhares de ilhotas de calcário, um visual realmente deslumbrante. A maior parte das ilhas não são habitadas, por causa do relevo e formato íngrime, mas são repletas de cavernas e grutas de todos os tipos e tamanhos.

Antes de entrar no barco, várias pessoas compraram um nón lá, o típico chapéu vietnamita . Eu comprei só um boné, porque o calor estava de rachar (e o que diabos eu faria com aquele chapéu quando voltasse pra Singapura? Colher arroz é que não, né?).

O barco estava reservado só para nós, e éramos 42 pessoas. Na parte de baixo, mesas (e ventiladores, aleluia), na parte de cima só alguns bancos (e o sol racha-coco). Fizemos duas paradas: em uma vila de pescadores flutuante para comprar o almoço, e na recém-descoberta Thien Cung, a gruta mais impressionante que eu já vi!!



Na volta almoçamos no próprio barco, comemos alguns caranguejos que compramos na vila flutuante e outros frutos do mar que já faziam parte do pacote. Foi gostoso, mas não incrível – e meu estômago está meio estranho até hoje (isso que dá comer bicho complicado!)

Esse tour é o mais básico de Halong Bay, e durou só 4 horas. Não deu nem para o cheiro, porque já tinham me dito que o melhor era fazer um cruzeiro mais longo, de uma ou duas noites, para poder visitar as ilhotas mais distantes (e mais bonitas). Mas fui, vi o básico, e agora preciso voltar para ver direito!

Passamos a noite na cidade, num hotel-cassino que fez a alegria dos nossos colegas singapureanos que são chegados numa jogatina. Eu me contentei com a piscina e com a vista do meu quarto: good morning, Vietnã!



No dia seguinte voltamos para Hanoi (mais 4 horas no busão) e logo fomos para o Old Quarter, passear e explorar a cidade. Só que nessa hora éramos oito, cada um com uma vontade diferente (e a maioria que já conhecia Hanoi e não estava interessada no Water Puppet show, como eu), e acabamos só passando numa padaria francesa e andando pelas ruazinhas do bairro. Atravessar a rua, no Vietnã, não é tarefa para qualquer um. Nosso guia, Tho, nos ensinou que a melhor maneira é brincar de “sticky rice!” (arroz papa) e atravessar em bando.

À noite jantamos num restaurante incrível, o Green Tangerine . Instalado num casarão colonial de 1928, o restaurante serve cozinha de fusão francesa e vietnamita. Vale pelo ambiente, pela comida, pelos vinhos, pelo preço. Recomendo muito!!

Depois fomos encontrar o resto do grupo no Seventeen, uma baladinha estilo faroeste americano legalzinha. Digo legalzinha porque quando finalmente começamos a animar, eles acenderam as luzes e o DJ foi embora. Hanoi é bem rígida nesse sentido e é difícil encontrar um lugar que fique aberto até muito depois da meia noite. É frustrante ser varrido tão cedo, mas sempre teremos o bar do hotel para nos acolher!

Minha impressão do Vietnã foi a melhor possível. É caótico, é diferente, é Ásia. Não sei se sou eu que já me acostumei com o esquema daqui ou se realmente o Vietnã é especial. Sei que gostei, vou recomendar, e sem dúvida vou voltar!

(até porque ficou faltando fazer tanta coisa que eu prefiro não dar muitas dicas nesse post, a não ser: se for fazer cruzeiro em Halong Bay, não faça o passeio de um dia só porque não é suficiente!)

Fotos no Flickr, as usual!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Matéria

Gente, olha que legal!

Meu blog foi citado em um site de Portugal especializado em viagens, numa matéria sobre diferenças culturais em Singapura.

Cliquem aqui para ver a matéria: http://www.viagens.pt/destinos-de-viagem/asia/1291-diferencas-culturais-em-singapura-conheca-e-evite-problemas.html

E se estiverem planejando uma viagem, no www.hotel.pt você pode fazer reservas online em hotéis do mundo todo!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Jakarta - indonésia

Quando nossa querida amiga Cris foi de mudança para Jakarta, prometi que faria uma visita. E já no mês seguinte comecei a planejar com mais duas amigas um “girl’s weekend” – iríamos no começo de maio, para comemorar o aniversário da Cris em grande estilo!

Compramos a passagem com tanta antecedência que custou só 72 SGD (+/- 90 reais). Claro que escolhemos a opção mais barata: companhia budget, e só com mala de mão (nessas companhias paga-se mais para despachar bagagem. Paga-se mais para qualquer coisa, até água no avião!). Afinal de contas quem precisa de muita coisa para passar 3 dias em Jakarta?

E lá fomos nós, compactas e com mini malas. A chegada foi tranquila, deixamos todos os desesperados descerem do avião antes (aqui eles também levantam antes do avião parar, como se fosse um busão) e fomos as últimas a sair. Paramos no guichê para pagar os 25 dólares de taxa para o visto e passamos na imigração sem stress nenhum. Não tínhamos bagagem para pegar, então fomos direto para a saída onde a Cris nos esperava (e o motorista risonho gelava o ar-condicionado do carro).

Logo na chegada me impressionei com o quanto Jakarta parecia São Paulo. O trânsito era um pouco pior (sim, isso é possível), e estava escuro, mas foi essa a primeira impressão que tive.

No dia seguinte fomos direto para o cabelereiro. Chiquérrimas, com o risonho no volante, chegamos no salão do Roberto – o italiano que mistura espanhol com português com inglês com bahasa indonesia com italiano enquanto fala. Banho de creme e escova, que em Singapura custariam uma bela grana, saíram baratérrimo. E a massagem de meia hora que o carinha fez na minha cabeça durante o banho de creme foi tão boa que pensei em largar todas as roupas para trás e botar aquele homenzinho na mala de mão. Seguramente tinha espaço suficiente!

O dia tem que ser muito bem planejado em Jakarta, porque o trânsito é tão intenso que nunca se sabe quanto tempo leva para ir de um lugar para o outro. Mas nós éramos quatro, uma falando mais que a outra, e estávamos bem entretidas. Eu só parava de falar de vez em quando para respirar e sentir pena do motorista, preso no trânsito e no carro com as quatro tagarelas.

Os programas noturnos foram bem intensos: fomos na Bibliotheque, um restaurante/bar/balada bem descoladinha, no Loewy, um restaurante super legal com um steak maravilhoso, música boa, gente bonita, comida excelente, e na Bats, uma balada no hotel Shangri-la . Música ao vivo (prefiro a banda do Insomnia em Singa), DJ excelente (com um cabelo black power gigante e um mega estilo, bombou a pista nos intervalos da banda) e uma fauna muito interessante. Uma mistura de gringos e locais, expatriados e putas. Sim, Jakarta é uma daquelas cidades asiáticas onde você encontra moças da vida em todo lugar (eu encontrei umas que tentaram interagir comigo no banheiro do restaurante). Ignore-as e seja feliz.

Durante o dia nos dedicávamos às compras e passeios nos shoppings, afinal de contas Jakarta não é uma cidade famosa pela beleza ou atrações turísticas. Não compramos nada em shopping, já que a Cris nos alertou que mesmo nas lojas de marca não há garantia da procedência do produto. Mesmo sendo mais barato do que Singa, melhor não comprar nada correndo o risco de ser fake, certo?

No sábado resolvemos explorar o lado wild da cidade. Demos folga para nossa hostess curtir o sábado com o marido e a filha, e fomos as três turistonas às compras. Compramos bijoux de prata, objetos de decoração e terminamos o dia em Mangga Dua – um passeio que recomendo mais pela experiência socio-antropologica do que pelas compras (até porque a maioria das coisas são falsas). Levamos mais de 1 hora e meia para chegar, e ficamos exatos 25 minutos em um dos shoppings (eram vários, mas um foi suficiente). Me senti cruzando a ponte da Amizade e chegando no Paraguai. Quem já foi para o Paraguai sabe do que eu estou falando.

E quando chegamos em casa a Cris nos falou que tínhamos ido ao shopping errado. Que pena, mas não pretendo voltar lá nunca mais nem pra ir ao shopping certo. Dizem que temos que ver de tudo nessa vida. Bom, Mangga Dua está visto. Não volto mais.

No último dia passei a manhã brincando com a Isa, a filha foférrima da Cris, que apesar de ter nascido nas Filipinas, morado em Singapura e Jakarta, e ter pai dinamarquês, chamava a gente de “meninaix” ( mãe carioca... isso pega!). E terminamos o final de semana maravilhoso em um churrasco na casa de uma amiga da Cris, da comunidade latina, que recebeu super bem mais 3 bocas brasileiras. Conhecemos muita gente legal, comemos até mandioca (à moda venezuelana). E foi nesse almoço que vi que o meu espanhol está mais enferrujado que eu pensava, e acabei tendo que apelar para o inglês mais de uma vez. Shame on me.

Jakaca, como a Cris carinhosamente chama a cidade, é muito agitada e muito mais barata que Singa. Mas não sei se eu me adaptaria morando naquela bagunça – além do trânsito, não consigo entender uma cidade daquele tamanho sem calçadas (literalmente). Se tiver que viver no caos (e puder escolher), escolho o caos de São Paulo, onde pelo menos as loucuras me são familiares.

Mas para passar um final de semana, com certeza vou voltar (e levar o Steven comigo). Jakaca é diversão garantida!

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Novidade

Sabe qual a última novidade?

Vou trabalhar como voluntária de tradução e interpretação dos primeiros Jogos Olímpicos da Juventude ever!

Meu trabalho será facilitar a comunicação dos jovens atletas (de 14 a 18 anos) de língua portuguesa que vem do Brasil, Portugal, Moçambique e Angola!



Então de 16 a 26 de agosto podem me procurar na Globo! ;)



PS- provando que nem só de chá da tarde vive a expatriada!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Chá da tarde

Mulheres que não trabalham se encontram para almoçar e tomar café. Num país com tanto expatriado, não é difícil ter um monte de esposas/namoradas/noivas que não querem ou ainda não encontraram trabalho (lá vou eu de novo beirando um assunto delicado, mas deixa pra lá).

Além dos almoços e cafezinhos, a tradição aqui é tomar chá da tarde na casa das amigas. Mas esses eventos não são muito espontâneos, pelo contrário: são planejados com antecedência. Algumas vezes acontece por causa de alguma ocasião (aniversário, casa nova, viagem), outras por ocasião nenhuma.

Eu já fui a alguns desses chás, mas vou menos agora que a Cris (nossa grande promotora de chás) mudou para Jakarta. Mesmo assim, continua sendo uma atividade relativamente frequente, e desde que mudei para o apartamento queria oferecer um chá em casa – mas sempre arranjava uma desculpa: “não tenho louça”, “não sei cozinhar nada”, “não tenho tempo”.

Finalmente resolvi parar com as desculpas, comprei as louças numa mega promoção, resolvi fazer algumas receitas que já tinha feito antes e arriscar outras novas.

Marquei a data, convidei algumas poucas amigas (porque na lata de sardinha em que vivo se você colocar muita gente alguém vai cair pela janela), e escolhi o menu:

- Torta de maçã holandesa

- Cupcakes de chocolate

- Pão de queijo

- Queijos, hommus e torradinhas

- Mini muffim com sotaque mediterrâneo (receita da minha amiga Bailandesa)


Para beber, suco, coca light e vinho – porque a última coisa que se bebe nesses chás da tarde é chá!

Os preparativos foram trabalhosos (comecei a cozinhar dois dias antes!), nunca tinha feito uma festa assim em que eu mesma cozinharia tudo! Mas foi muito divertido, fiz tudo com prazer, arrumei a casa toda e fiquei torcendo para as comidinhas terem ficado gostosas!

No final das contas o chá foi um sucesso. De 10 convidadas faltaram só duas, as comidas deram certo - apesar do meu perfeccionismo agudo insistir que a torta de maçã estava meio queimadinha e que a cobertura dos cupcakes estava muito amarga. O grande destaque da tarde foram os pães de queijo. Todo mundo aprovou, mas o que me deixou feliz mesmo foi minha amiga mineira elogiando e pedindo a receita!

sábado, 24 de abril de 2010

1 ano!

Hoje faz um ano que chegamos em Singapura. Lembro bem das primeiras impressões: do aeroporto mega moderno, do bafo quente e úmido na fila do táxi, do pneu furado, dos canteiros floridos e ruas arborizadas...

Nunca morei tanto tempo fora do Brasil assim - todas as outras vezes foram de, no máximo, 6 meses. Gosto muito de morar aqui e acho que tenho uma visão bem realista de como as coisas funcionam. E mesmo assim ainda tenho dificuldade de entender algumas coisas (como por exemplo, porque as pessoas não sabem andar na rua) - mas isso tenho até em Piracicaba, onde morei 17 anos.

Adaptados? Eu diria que sim, e muito.

Em um ano, aprendemos muito, conhecemos muita gente, e viajamos muito: Tailândia (alguma vezes), Malásia (outras tantas),Indonésia, Camboja, Hong Kong e Macau. Como disse meu amigo Marcelo, estamos brincando de war. E ainda não estamos satisfeitos! Ainda tem muitos lugares que queremos conhecer.

Mas para comemorar a ocasião, nada melhor do que fazer o que fizemos na nossa primeira noite aqui um ano atrás: ir à festa do Dia da Rainha (da Holanda).

Foi assim que afogamos o jet leg e conhecemos alguns de nossos principais amigos aqui.

Então devidamente vestidos de laranja (a cor "oficial" da família real holandesa - van Oranje), hoje vamos para o clube holandês nos misturar à multidão dos laranjinhas, cantar músicas de carnaval holandês, comer haring, patat e frikandel, e dançar até derreter - coisa que aqui não demora muito para acontecer.

Mas faz parte do charme...

Cheers!!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Hong Kong - parte II

Eu sou fã da Disney, coleciono os filmes, sei as músicas de cor e já fui aos parques de Orlando, da Califórnia e de Paris. Mas mesmo assim não quis insistir muito para o Steven ir para lá porque já tinham me falado que era um parque pequeno e decepcionante para quem já viu os outros.

Mas quando se deparou com as opções para o dia, o Steven escolheu ir para a Disney – talvez por saber que lá ele pelo menos poderia se divertir e gastaria muito menos dinheiro que me levando a um shopping.

Então pegamos logo o Disneyland Express e lá fomos nós!!

O parque é mesmo muito pequeno. Ficamos no total 4 horas lá dentro, e vimos tudo que queríamos ver (só ficou faltando o Dumbo :) ). A fila do Space Mountain durou 10 minutos. A do It’s a Small World, 5. Quando isso aconteceria nos parques dos Estados Unidos? E é por essas e outras que eu acho que a Disney HK vale a pena para:

a) quem é fã (fã mesmo!) da Disney
b) quem tem tempo de sobra
c) quem tem filho pequeno

Mas a melhor parte da história é sobre o Mickey, e preciso explicar porquê tem tanta foto minha com ele. (senta que lá vem a história)

Quando eu tinha uns 13 anos fui com toda a família para a Disney de Orlando. No primeiro dia, logo na entrada do Magic Kingdom, eu vejo o Mickey pela primeira vez e peço para ir lá tirar foto com ele. Mas minha mãe disse que aquele era só o primeiro de cinco dias na Disney e eu ia cansar de ver o Mickey.

Cinco dias se passaram, fui em todos os parques da Disney e nunca mais vi o Mickey. Tanto que no último dia, na hora de ir embora, me fizeram sentar num carrinho que tinha um Mickey de pelúcia gigante e tiraram foto com ele. Se tivesse a foto aqui, postava para vocês verem que eu não estava nada feliz.

Então, quando fiz 15 anos, meus pais me deram de presente uma viagem para os EUA. Passei um mês estudando inglês em Napa Valley, e terminei o período com? Sim, uma viagem para a Disney – dessa vez, da Califórnia.

Dois dias se passaram e não encontrei o Mickey. Pluto, Pateta, Pato Donald, Branca de Neve – mas nada de Mickey. Voltei para o Brasil sem foto com o Mickey.

Alguns anos depois dessa viagem à Califórnia, fui para a Europa estudar. Enquanto morava em Londres, peguei o Eurostar com a Fê, minha amiga, com destino a Paris. A primeira viagem a Paris a gente nunca esquece, e eu tinha vários planos. Queria também ir a Giverny, ver a casa de Monet, mas ela insistiu em ir para a Disney. Topei, compramos o ingresso do parque e atravessamos a rua para comprar o ingresso de Giverny – para então descobrirmos que a casa estaria fechada no dia seguinte. Pronto, mais uma frustração e ainda mais pressão para encontrar o Mickey.

Passamos o dia inteirinho na Disney – andei aquilo tudo de cima a baixo, direita e esquerda. Me recusei a tirar foto com qualquer outro personagem que não fossse o Mickey, mas não adiantou. Só de raiva tirei uma com o Pluto francês, para completar a coleção de fotos de não-Mickeys.

Dez anos se passaram e nunca mais cheguei perto da Disney. Talvez por ressentimento, não sei. Mas quando vi naquela manhã nublada de segunda-feira em HK que os outros passeios não iam rolar, me animei e pensei comigo mesma: essa é a última chance para o Mickey aparecer.

Entramos felizes e sorridentes, pegamos um mapinha e começamos a andar devagar, planejando as atrações que queríamos ver. E quando levanto os olhos do mapa colorido, logo ali na praça principal, quem é que eu vejo? Sim, ele, o MICKEY!!! Com a Minnie! Fui como uma bala arrastando o coitado do Steven pela mão (que já tinha avisado que ele não precisa tirar foto com o Mickey) em direção a fila, e quando chego lá escuto o coordenadorzinho dizer que a sessão estava encerrada e o Mickey estava indo embora.

“Let me tell you a story” foi o que disse para o carinha quando me materializei na frente dele em 1 segundo. Contei a história inteira, em detalhes, com sobrancelhas arqueadas para efeito de dramatização. E o nosso novo amigo não só me falou onde e que horas o Mickey apareceria de novo, como ainda me deu um adesivo de “Star Guest”.

Aliviada com a informação, fomos visitando as atrações até dar a hora. Quando finalmente encontramos o tal ponto de encontro, vejo o Mickey se afastando e dando tchau para o povo que continua na fila.

VOCÊ SÓ PODE ESTAR BRINCANDO!! Não podia mais acreditar no meu azar. Talvez eu tivesse que aceitar que jamais conheceria o Mickey, que ia estar velha e banguela e ainda contando essa história de como procurei o Mickey em todos os parques do mundo. Talvez o destino quisesse assim. Mas eu não ia desistir sem perguntar mais uma vez.

Abordei um dos fotógrafos do parque, que me disse que o Mickey voltaria em 5 minutos. Acontece que cheguei bem na hora do xixi dele hehehehe.

Fomos para o fim da fila, arrumei o cabelo, dei as instruções fotográficas para o Steven (que a essa altura já devia estar questionando minha sanidade mental) e esperei ansiosamente.

E assim que chegou minha vez, falei para o Mickey que estava procurando por ele há 15 anos, mas que ele era bem menor do que eu imaginava (será porque eu cresci ou porque esse era chinês??). Posei para todas as fotos que o Steven tirou, inclusive aquela que ilustra o momento “até que enfim”, até que outra pessoa assumiu a câmera e ele se rendeu ao momento, vindo posar comigo.



Antes de ir embora, o Mickey ainda quis me dar um abraço – e até a fotógrafa devia estar emocionada, porque a foto saiu meio tremida. Mas não importa. O que importa é que eu finalmente tenho minha foto com o Mickey – e ele não era de pelúcia!





Agora só falta uma Disney para conhecer no mundo... Deixa eu ligar pro Steven pra ver quando vamos pra Tokyo!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Hong Kong – parte I

Chegamos em HK no sábado na hora do almoço. Pegamos um táxi para o hotel, mas a comunicação foi difícil porque o motorista também não falava muito inglês. Acabamos no hotel errado, porque a rede que escolhemos tem mais de uma unidade e nós não imprimimos a confirmação da reserva. Quando finalmente chegamos no hotel certo, chovia. Muita neblina e um friozinho nos acompanhou a viagem toda, o que acabou sendo um mega inconveniente porque várias coisas em Hong Kong são nas alturas e ao ar livre, e de nada adianta pegar o teleférico para subir o morro só pra ver nuvem de perto.

O hotel era o máximo, super recomendo. O quarto era tão confortável (e com um tal de magic glass no banheiro que nunca vi igual) que quando voltei pra casa achando minha própria cama um tédio. A localização era boa e, apesar de não ser no centro ainda é considerado região central – e era do lado do metrô (em HK se vai a todo canto de metrô).

Fomos direto a Mongkok, o bairro onde os locais vão para fazer compras. Sábado à tarde, as ruas abarrotadas e várias figuras interessantes de HK estavam ali. Fomos no famoso Ladies Market, onde dizem que são vendidos os melhores fake da região – coisa que não me atrai tanto, mas esse é um blog informativo então me sinto no dever de informar.

Andamos muito por Mongkok, fiz várias fotos (que vocês podem ver no link do Picasa) e quando começou a escurecer e meus pés já pediam arrego dentro do meu All Star (que não foi feito para longas caminhadas) decidimos voltar para o hotel.

À noite o plano era explorar Lan Kwai Fon e Soho, a região boêmia, onde a vida noturna é mais animada. E que animação!! Bares, restaurantes e baladas lado a lado, muita gente na rua. Me fez lembrar do Bairro Alto, em Lisboa. Também com um quê de Espanha, pelo estilo do programa – andar pelas ladeiras e ruelas explorando os lugares e vendo todas as pessoas socializando na rua. Para as baladas, não precisa pagar para entrar. É o paraíso do “pub hopping”, já que é tudo muito perto. Tanta opção que foi difícil escolher...

Mas acabamos jantando no Coast, restaurante de uns amigos de Singapura – um australiano com comida boa e muita gente bonita. De lá saímos andando e parando em lugares diferentes, como um bom boêmio faria.

No domingo decidimos incorporar de vez o papel de turistas: subimos ao The Peak e pegamos um daqueles ônibus turísticos para ter uma visão geral da cidade. O Peak valeu só pra dizer que fomos, porque a névoa era tanta que mal conseguíamos ver a silhueta dos prédios mais próximos. Coloquei essa foto na seleção para ilustrar esse parágrafo. Uma pena.

Já o passeio de busão foi legal. Só assim aprendo a me localizar com rapidez numa cidade nova, aprendo coisas que não estão escritas no meu guia, e vejo coisas que eu não veria a pé. Sem preconceito, pessoal, ônibus turistão pode ser legal.

Do topo do ônibus vimos todos os bairros centrais, vimos como os imigrantes filipinos e indianos se divertem no seu dia de folga (fazendo a maior farofa perto dos prédios mais luxuosos do distrito financeiro – impressionante de ver aquele mundaréu de gente sentado no chão em cima de jornal comendo arroz com a mão ou bebendo cerveja).

Depois do passeio de ônibus fomos para Kowloon, do lado de lá do mar. Andamos pelas ruas, apreciando uma fauna e flora completamente diferente de Mongkok – e fomos parar no Tsim Sha Tsui East Promenade, que oferece a melhor vista do skyline de Hong Kong (difícil selecionar quais fotos queria mostrar, porque tirei mais de 60). Nesse lugar também está a calçada da fama de HK, mas só reconheci dois ou três nomes, e diariamente às 20h acontece o Symphony of the Stars, um show de música e luz dos prédios do skyline da cidade bonito de ver (e talvez mais impressionante quando não há nuvens pesadas cobrindo parte da vista).

Depois do show, o melhor jeito de voltar para o centro é com a Star Ferry, passeio obrigatório (e baratinho) para quem vai a HK.

No nosso último dia em HK o plano era ir para a parte sul da ilha, Repulse Bay (praia) ou para a ilha de Lantau (no alto de uma montanha) – mas o clima estava tão ruim que acabamos desistindo. Para aproveitar esse último dia, dei ao Steven duas opções: compras ou Disneyland.

E quem já viu as fotos sabe onde fomos parar!!!

sábado, 17 de abril de 2010

Macau - parte II

Para o jantar escolhemos um restaurante português – evidente, já que esse era o principal motivo da nossa ida a Macau. Antonio’s era o mais bem cotado no guia (também recomendado pelo guia Michelin), e ficava em Taipa (outra ilha do território) e lá fomos nós sem reserva nem nada.

Pegamos um táxi, que obviamente não falava inglês – e muito menos português. Aparentemente só os moradores mais antigos ainda falam português. Também imagino que haja uma pequena comunidade portuguesa, como a que encontramos no Caravela ou na escola, mas a maioria é mesmo chinesa. Ficamos muito pouco tempo lá para entender algumas coisas.

Tinha levado o endereço do restaurante escrito num papel, mas com o nome da rua em português, ao invés de chinês (até porque aqueles desenhinhos não me dizem nada). Por nada o taxista encontrava o lugar, até pediu para nós falarmos por rádio com a central, mas eles também não conheciam a tal Rua dos Negociantes.

Finalmente descemos do táxi e tentamos pedir informações em duas lojinhas, sem sucesso – quando eu perguntava se alguém fala inglês ou se poderia nos ajudar, ninguém sequer olhava para nossa cara. Achei o povo muito antipático e saí debatendo com o Steven sobre como brasileiros ou holandeses reagiriam nessa situação. Acho que dificilmente no Brasil um casal de turistas bem vestidos seria ignorado dentro de uma loja de conveniências ao pedir informações. Mas enfim, Macau não é o Brasil – e brasileiro é um povo arroz de festa, que adora um gringo.

Continuamos andando por umas ruazinhas muito simpáticas, tipo uma antiga vila portuguesa, lutando contra o mau humor e a fome, até que finalmente encontramos a tal rua. O restaurante era bem pequeno mas muito charmoso, e mesmo sem reserva conseguimos a última mesa disponível (mas para quem for seguir a dica, recomendo fazer reserva para não correr riscos!), no último andar da casinha.

De cara vi o Antonio, o dono e chef, e fui recebida por alguns funcionários que falavam português. Fizeram a maior festa para a brasileira em Macau (imagino o que teriam dito se soubessem do meu apelido). Nosso garçom era filipino, e se desculpou por “só” saber falar inglês e cantonês. Ele nos serviu muito bem a noite inteira, da entrada (queijo de cabra na torrada com azeite de oliva, balsâmico e mel; e chouriço) à sobremesa (serradura) – e para gente assim dá gosto dar gorjeta. E eu me esbaldei a noite inteira, principalmente no bacalhau com natas. Saí de lá feliz e satisfeita, com vontade de voltar no dia seguinte e recomendar o Antonio’s para todo mundo.

Depois de pagar a conta fomos andando (na verdade, rolando) até o Venetian, um dos principais cassinos de lá. Em Macau há mais ou menos 30 cassinos – mas como eu não jogo e só tínhamos uma noite na cidade, resolvemos ir logo no maior do mundo para ver como é que era (o Venetian Macau é três vezes maior do que sua sede em Las Vegas).

A palavra para definir aquele lugar é SURREAL. O tamanho, a decoração, o volume de pessoas, o tamanho das apostas... Lojas de luxo, restaurantes, lustres monstruosos e muitas, muitas luzinhas. Andamos pela sala de jogos gigantesca, brincamos uma vez nas slot machines, tomamos uma cerveja no bar e fomos embora.

Talvez num dia em que tivéssemos acordado mais tarde (acordar às 4h da manhã deixa qualquer um sem energia às 23h) ou comido menos no jantar (sem arrependimentos, valeu cada caloria!) tivéssemos ficado mais tempo para explorar as outras partes do cassino, como o canal com gôndolas ou o bar da Moet&Chandon que meu amigo Márcio indicou, ou o Lion Bar no MGM Casino - mas dessa vez simplesmente não deu.

Voltamos para o hotel, capotamos e no dia seguinte cedinho pegamos a balsa para Honk Kong.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Macau - parte I

Nunca pensei que um dia eu diria que a Macau foi para Macau! Macau é meu apelido em Piracicaba, minha cidade natal, e mesmo com a perda de algumas letras com o passar dos anos (de Macau para mc, e às vezes até só M. – ou emi, para os íntimos) ainda sou Macau.

O destino real da viagem era Hong Kong, mas como os dois lugares são muito próximos, resolvemos passar uma noite em Macau. Estava curiosa para ver a influência portuguesa, comer um bom bacalhau (já que em Singapura não existe restaurante português) e conhecer a “Las Vegas da Ásia”, como a ilha é conhecida.

Pegamos o vôo para HK, e no próprio aeroporto pegamos a balsa para Macau. Tudo muito organizado, e a simpatia do senhor que nos vendeu o ticket da balsa no aeroporto será inesquecível. Nossas bagagens foram encaminhadas direto da companhia aéra para a balsa, e até chegarmos em Macau e vermos as duas malinhas confesso que estava receosa. Mas foi tudo mega eficiente e sem dor de cabeça.

Fora do terminal da balsa, dezenas de ônibus e micro-ônibus dos hotéis e cassinos se engarrafam. O ônibus do nosso hotel tinha acabado de sair, então um tiozinho sugeriu que pegássemos o transfer do hotel vizinho. Pelo jeito é comum, e ninguém se incomoda com isso.

Da janela do ônibus, fiquei com os olhos arregalados estranhando muito o que via. Mega cassinos e hotéis luminosos lado a lado de prédios feios e sujos. A primeira palavra que me veio à cabeça foi decadência. Apesar de antigos, os prédios não tem aquele charme que encontramos na Europa. Falta cuidado, carinho e uma boa demão de tinta.

Chegamos ao hotel, que foi escolhido pelo preço, mas era confortável e muito bem localizado. Sorte. O atendimento não era lá essas coisas, e me deu a impressão de que todos os funcionários eram da China (continente). Depois de instalados, saímos a pé para explorar o centro antigo. A temperatura estava bem mais baixa do que estou acostumada atualmente – com 20 graus já estou tiritando de frio. Por sorte tinha levado calça jeans, tênis e uma jaqueta – além de todas as regatas, shorts e sandálias que ficaram na mala.

Fomos seguindo meu fiel Lonely Planet em direção ao centro histórico. No caminho, encontrei uma parede de azulejos portugueses e logo notei que se tratava da escola portuguesa em Macau. Mais adiante encontrei algumas alunas adolescentes, sentadas na porta da escola olhando o vai-e-vem de turistas. Uma delas fez um comentário quando me viu, que infelizmente não consegui escutar inteiro (só sabia que começava com “olha aquela ali...”) – e minha reação imediata foi dizer “cuidado, que eu também falo português” com o dedo e riste e sem parar de andar, para o choque da menina. Deixei a rodinha de schoolgirls boquiaberta, e segui rindo. Mas quem nunca deu um fora como o dela que atire a primeira pedra.

Então paramos no café Caravela, também recomendado no guia. Comunidade portuguesa em peso, no menu pastéis de nata, bolinho de bacalhau e croquete. Pedimos um de cada e devo dizer que os pastéis eram iguaizinhos aos que comi em Portugal. Os bolinho e croquete estavam frios, mas acalmaram minha lombriga de petiscos familiares.

Com o estômago cheio, seguimos caminho. Subimos uma ruazinha, que levava direto à Catedral da Sé. Passeamos pelo Largo do Senado, pelo Mont Fort e ruínas da Igreja de São Paulo. Durante todo o caminho, todas as placas de rua e lojas estavam em português e chinês, mas na boca do povo só se escutava chinês (cantonês).

Do alto do Mont Fort dá para ver uma boa vista da cidade – eu disse boa, e não bela. Todos aqueles prédios que eu comentei no início se aglomeram com suas paredes pretas e roupas penduradas para fora dando uma impressão de uma grande favela. O dia nublado e com neblina não favoreceu essa impressão, e talvez num lindo dia de sol com céu azul tivéssemos tido outra experiência.

Voltamos para o hotel já à noitinha, quando todas as luzes dos cassinos já estão acesas. E é aí que o contraste é mais nítido: os neons extravagantes dos cassinos e hotéis de luxo com os prédios decadentes do passado.

O programa noturno fica para o próximo post!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Fotos Macau e Hong Kong

Ultimamente tenho tido muitos problemas com o Flickr - não consigo logar na minha própria conta (que, por sinal, é paga) e estou há duas semanas brigando para que resolvam o problema. Por enquanto a sugestão deles é que eu desinstale meu AVG, coisa que não faz o menor sentido para mim - portanto estou brigando para que ofereçam outra solução.

Se alguém tiver passado por problemas parecidos com o Flickr, por favor me mandem um email (falecomamc@gmail.com).

Enquanto isso, estou usando o Picasa, do Google - gratuito, eficiente, com espaço para dar e vender (mas eles dão). Que maravilha!

As fotos selecionadas estão aqui:
Macau e Hong Kong


Os posts da viagem vem logo mais.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Experiência cinematográfica

Tenho a audição bem sensível, e escuto sons que muita gente nem percebe. Pode até não soar como um problema, mas dependendo da situação eu te garanto que é um problema.

Por exemplo, no cinema. Não supoooorto barulhos no cinema que não venham da tela (a não ser risadas, gritos e suspiros – nos momentos certos, é claro). Barulho de pipoca ininterrupto e gente mexendo em saco plástico fazem meu sangue ferver. Mas o que me tira do sério é gente batendo papo. Quer conversar? Logo ali fora tem um café, compra um chocolate quente, que é até mais barato que o ingresso, e fala tudo que quiser. Mas quem entra na sala de cinema e fica conversando, não pode reclamar quando leva um (ou vários) shiu.

Minha impressão geral de um filme depende muito da experiência. Mesmo sendo um filme incrível, se alguma coisa que alguém na sala fez tiver atingido meu limite, para sempre vou lembrar do filme associado à essa coisa, como por exemplo “aquele Harry Potter em que uma vovó levou o netinho de colo para o cinema e ficou andando e falando com ele pela sala – durante o filme”.

Tenho ido muito sozinha ao cinema – luxos de uma desempregada/freelancer. À tarde costuma ser mais tranquilo, mas mesmo assim me deparo com as amigas adolescentes que não notaram a placa do Starbucks do lado de fora e acharam que fofocar no escurinho do cinema fosse uma boa ideia.

Quando vou com o Steven, ele também fica nervoso. Não porque os barulhos dos outros o incomodam, mas por perceber quando estou ficando incomodada e, pior, irritada. Na fase do incômodo só solto olhares ferozes. Na fase da irritação é que começam os shius. E ele já está acostumado com isso e também já aprendeu a olhar feio pras pessoas – talvez num esforço de impedir que a fase dos “shius” comece.

E como esse final de semana ele está viajando, acabei indo três dias seguidos no cinema sozinha – sempre à tarde, porque por mais que não me importe de ir sozinha ao cinema, sábado à noite já é um pouco demais.

No domingo, ao saber que ele só chegaria de noite, resolvi pegar mais um filminho. Comprei o ingresso online, corri pro shopping com meu copinho do Starbucks e meu casaquinho (extremamente necessário nesse país, onde as salas de cinema são praticamente câmaras frigoríficas) e só quando estava na fila para pegar o óculos 3D percebi o erro que estava cometendo: entrar numa sala de 300 lugares para assistir “Como treinar seu dragão” num domingo à tarde.

Das 300 cadeiras, metade estava ocupada por crianças. E não eram pré-adolescentes, não, eram daquele tamanho que precisa pegar o banquinho na entrada da sala. Já sentada na minha cadeira, estrategicamente posicionada entre duas criancinhas fofas, fiquei refletindo se deveria ir embora ou não. Resolvi encarar a situação como um desafio e uma oportunidade de exercitar minha tolerância.

Até que não foi tão difícil – não tanto quanto eu esperava. Sabia que era eu quem estava errada naquele cenário. Me preparei para não soltar nem um shiu, nem tsc, mas ainda me permiti revirar os olhos quantas vezes julgasse necessário – ainda mais protegida pelos óculões 3D.

A parte mais difícil foi uma mãe com duas criancinhas atrás de mim. Um deles, que devia ter uns 2 anos, insistia em falar, cantar, etc. Mas isso é natural, ele tem 2 anos e está numa sala escura com um dragão gigante saindo pra fora da tela (realidade em 3D, minha gente) e ele quer mais é fazer outra coisa. Só que, para manter o menino calmo, a mãe ficava conversando com ele. E até que ela falava baixinho, mas com minha audição super sônica eu jurava que ela estava sussurrando no meu ouvido.

Mais de uma vez tive que espichar o olho para ver se ela não estava mesmo falando comigo, de tão claro e próximo que parecia o som. Mas não, ela estava sentada na cadeira dela com os dois filhos no colo.

Go figure. Um amigo já me disse mesmo que eu escuto como um morcego.

Nas horas críticas, quando o sussurro da mãe que teimava em ficar na sala, eu tapava um ouvido. E só. Todos os esforços foram direcionados para o auto-controle e eu não soltei nem um shiu, nem um olhar matador, nem um tsc.

Será que da próxima vez eu já consigo me irritar menos quando alguém ficar conversando durante o filme?

Infelizmente, sei que não. Apesar do sucesso dessa experiência, para efetivamente ver algum resultado preciso de mais sessões de filme infantil num domingo à tarde. E esse, meu amigo, é um erro que não estou disposta a cometer tão cedo.

terça-feira, 23 de março de 2010

Sobre trabalho

Antes que mais alguém pergunte, não abandonei o blog, não. A desculpa da vez não são as visitas, porque desde que minha irmã foi embora não recebemos ninguém – e nem sabemos quando (e quem) vem os próximos.

Ultimamente andava ocupada com a busca por emprego, e porque comecei a fazer alguns trabalhos como freelancer para a empresa de tradução da minha mãe. O último trabalho fui eu quem consegui aqui em Singapura e acabei de traduzir o histórico escolar detalhado de uma amiga fonoaudióloga. Se alguém aí quiser conversar sobre motricidade oral, pregas vocais e distúrbios da voz, é só falar comigo.

E no meio disso tudo, apareceu FINALMENTE uma entrevista de emprego (e nada do típico cafezinho “vamos conversar para saber se tem lugar pra mim na sua empresa” e a resposta mais típica ainda “não temos nada mas foi bom te conhecer”). Participei de um processo que quase me enlouqueceu – tanto por não saber se queria o emprego quando pelo medo – e além das entrevistas fiz uma apresentação de um case e duas provas escritas.

Depois da última fase tinha a impressão que eles tinham gostado de mim mas não sentia que ia conseguir a vaga. Dito e feito, não consegui. Mas confesso que não fiquei arrasada, porque não era o meu emprego dos sonhos, e porque estava tão ocupada com as traduções que não tive tempo de ficar reclamando. NEXT!

Mas no final das contas, foi muito legal ter participado do processo. Finalmente uma empresa respondeu minha carta de apresentação e CV (não sem o empurrãozinho de uma amiga) e tive uma chance real de disputar uma vaga. Aprendi pra caramba e identifiquei algumas coisas que precisam ser melhoradas.

Além disso, nas últimas semanas tanta gente que eu conheço conseguiu emprego que é difícil não ver a luz no fim do túnel. No ano passado me falaram “depois do ano novo chinês as coisas começam a acontecer” mas não dei muita importância. Foram tantas aplicações sem resposta, tantos emails que caíram no buraco negro das empresas de recrutamento, que eu já não tinha lá muitas esperanças. Mas realmente, depois do ano novo chinês vários conhecidos começaram a fazer entrevistas de novo, muita gente já assinou contrato, outras estão podendo até escolher entre dois empregos...

Enfim, as coisas melhoraram mesmo, e muito. Agora é só continuar fazendo tudo direitinho e torcer para a minha sorte mudar!

quarta-feira, 3 de março de 2010

Ano Novo Chinês

O Ano Novo Lunar (ou Ano Novo Chinês ou Festival da Primavera) é o mais importante feriado para os chineses, e tem início no primeiro dia do primeiro mês lunar – que esse ano caiu no dia 14 de fevereiro (junto com o Carnaval no Brasil e o Valentine’s Day no hemisfério norte). Essa época é repleta de rituais, e como em Singapura a maioria da população é de etnia chinesa, todo mundo acaba entrando na dança.

Trata-se de uma comemoração familiar, e muita gente viaja para visitar os parentes. A decoração em todos os lugares é predominantemente vermelha, porque acredita-se que vermelho afasta a má sorte. Chinatown estava inteirinha decorada e bombando o mês inteiro, com feiras e lojas vendendo itens tradicionais do Ano Novo como: laranjas e envelopes vermelhos (que são os presentes típicos: deve-se dar duas laranjas e/ou um envelope vermelho com dinheiro para amigos e familiares), e tigres para todos os lados – já que 2010 é o ano do tigre.

Mas são tantas crenças e superstições que fica difícil contar num único post (e eu nem conheço todas, até porque passamos o Ano Novo Chinês na Malásia esse ano). Mas uma das coisas mais marcantes que eu vi foi a Dança do Dragão (ou Leão), que acontece até o fim do ano novo (que dura 15 dias). Nessa dança, um grupo de pessoas passa carregando um dragão e tocando música - e ficam se revezando para os que ficam no dragão não cansarem demais. Os grupos que vi tinham dois homens dentro de cada dragão, mas li que pode chegar até 50 pessoas. Os tipos de dragão ou leão também são diferentes, mas o importante é que a performance deve seguir uma coreografia sincronizando a cabeça e o rabo, de acordo com o ritmo dos tambores. Quando mais barulho eles fizerem, melhor. A dança simboliza o papel histórico das criaturas e demonstra poder e dignidade, mas principalmente acredita-se que dragões trazem boa sorte. Por isso durante dias, onde quer que fosse, eu via uma turma do dragão correndo pra cima e pra baixo, chacoalhando aquela cabeçorra com cara de poucos amigos e fazendo muito barulho, espalhando boa sorte por aí. Difícil não lembrar do samba do crioulo doido.

Seguindo os costumes locais, a empresa do Steven também contratou um grupo, e semana passada eles foram no escritório com dois dragões e muitos tambores.

Informado pelos colegas locais sobre a tradição, ele já tinha deixado em sua mesa duas laranjas e um envelope vermelho, que a trupe passou coletando. As laranjas entravam pela boca do dragão e saíam descascadas (e era casca pra todo lado), mas o dinheiro não voltava descascado, não.

Empolgada com a possibilidade de atrair mais boa sorte, até tentei entrar no clima da comemoração. Num shopping fiquei seguindo a turma do dragão discretamente, mas acabei desistindo com medo que alguém me mandasse pra debaixo do dragão para que um dos caras pudesse descansar. Achei melhor me limitar aos costumes e superstições que eu já tenho, que já está de bom tamanho. Se bem que, me conhecendo bem, até o ano que vem é bem possível que eu acabe incorporando mais alguma coisa...

Vejam um videozinho da performance no escritório (apesar de curto dá pra ter noção do barulho que eles fazem):

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O dia em que eu contratei uma faxineira

Desde que chegamos aqui todo mundo falava o quanto era barato contratar uma faxineira (10 SGD por hora, em média), mas eu, enquanto desempregada, achava que poderia dar conta do recado. Afinal o apartamento é pequeno, eu tenho tempo de sobra e não via a necessidade de contratar uma profissional.

Antes de sair do Brasil tive uma conversa séria com a Selma, faxineira da família há anos, que me ensinou uns truques básicos. Na minha última visita ao Brasil, ao questioná-la sobre a limpeza dos banheiros, ela me convenceu de que só a cândida salva.

Parênteses: há alguns anos, depois de ter algumas peças manchadas pela marvada, resolvi parar de comprar cândida. Mamãe disse que ela podia muito bem limpar com outros produtos, mas não tão poderosos (e perigosos) quanto a água sanitária. Depois de meses “na seca”, Selma não resistiu à abstinência e, ao fazer a lista de compras, adicionou a seguinte observação no final, em letras menores (talvez por medo da minha reação):

- Por favor UMA cândida

Ri, cedi, e passei a comprar uma cândida a cada dois meses – mais do que isso era muito arriscado.

Fecha parênteses.

Então durante nove meses eu realmente conseguia fazer tudo sozinha. Tinha minha programação e o dia oficial da faxina e, com muito suor, alguns hematomas e uma crise alérgica (que me deixou parecendo que tinha catapora algumas horas antes de uma entrevista) incorporei o papel de Amélia e botei a mão na massa.

Mas depois da tal reação alérgica e de notar que meu apartamento aqui não brilhava tanto quanto o de São Paulo, resolvi dar o braço a torcer e contratar uma faxineira uma vez por semana.

A procura não foi longa. Queria uma que trabalhasse com brasileiras e já estivesse acostumada com nosso nível de exigência e costumes. Conversei com algumas amigas e ouvi vários comentários, e acabei chamando a da Dani para conversar.

Gina é uma filipina de meio metro de altura, que teve um ataque de riso quando eu abri a porta e ela viu que eu era duas vezes maior que ela. Já na primeira conversa pediu para ver a casa, meu aspirador de pó e os produtos que eu tinha no armário – aparentemente muitos deles inadequados, porque ela me mandou por mensagem de texto uma lista com os produtos “certos”.

Gostei da atitude, decidi contratá-la e rodei a cidade em busca do tal “magic mop stick”. Não queria decepcioná-la no primeiro dia.

Ela veio num sábado (Steven fugiu para o escritório), chegou pontualmente, me cumprimentou, conferiu os produtos que eu tinha comprado, foi se trocar e já botou a mão na massa sem nem me perguntar nada. Impressionada com a eficiência, recolhi-me à minha insignificância na varanda com um livro. Quando chegou a hora de limpar a varanda, fui para o quarto e assim em diante, até ela terminar o serviço.

Foram quatros horas de trabalho ininterrupto. Ela fez tudo que eu fazia e mais um pouco, sem nem sequer transpirar (enquanto eu suava como se tivesse corrido a maratona só de arrumar a cama).

Na hora de ir embora, ela só falou:

- Finished! Your house is very pretty now.

Eu não tinha nem o que dizer. Ficou muito bonita mesmo, tão bonita que eu queria dar um abraço de urso nela e chamar os vizinhos para ver como dava para usar o chão da sala de espelho.

Mas me contentei com um “thank you, see you next week”. E lá se foi a Gina, minha nova ídola.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Pérola

Numa loja de eletrônicos tive que apurar muito meus ouvidos para entender o sotaque singlish do vendedor. Foi duro, mas consegui. Só não consegui segurar o riso quando, depois de decidir o modelo do aspirador de pó, o vendedor disse:

- Ok, thank you, bye bye. Follow me! (e me levou para o caixa para fechar a compra, fazer a garantia, etc).

Como se bye bye como se fosse parte do agradecimento, e não da despedida.

Coisas de Singapura...

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Vida normal

Ontem à noite levamos MH e Renato ao aeroporto e, ao chegar em casa, nos sentimos muito estranhos por não ter mais nenhum hóspede. Quando a Aninha foi embora tivemos alguns dias de casa vazia mas já sabíamos que logo mais tinha gente chegando. Dessa vez, não. Eles foram embora e não sabemos quem é o próximo e quando.

Depois de três meses de férias - entre a viagem para o Brasil, Holanda e as visitas, todos meus projetos e planos ficaram meio de lado - e agora é hora de botar a casa em ordem (já contratei a faxineira!), voltar a frequentar a academia (esse lugar tão pouco explorado), me dedicar à busca por um emprego (já estou quase um ano sem trabalhar), testar novas receitas na cozinha (e queimar panelas). Vida normal.

Vou tentar escrever logo os posts que estou devendo (inclusive o da incrível jornada à Tioman no Ano Novo Chinês), mas por enquanto vejam as fotos no Flickr! (link do lado direito)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Visitas

Começo de ano agitado esse. A Aninha foi embora depois de duas semanas cheias de viagens e programações, e a minha irmã e cunhado chegaram na sexta à tarde - e aproveitamos o final de semana com o Steven, que mesmo tendo que trabalhar sábado não perdeu nada porque as visitas dormiram até às 13h! ok, ok, botem a culpa no jetleg!

Já vimos várias coisas, já levei o casal para ter os pés comidos por peixinhos e já fomos pra praia em Sentosa (almoçar no bar de sempre (Coastes) e passar por todos os bares novos, inclusive o que tem um simulador de ondas para surfistas experientes e mirins!!)

Essa semana a programação será mais intensa, com atividades turísticas, experiências gastronômicas e uma viagem!

Vou tentar atualizar com mais frequência, e também com textos mais curtinhos, pra ajudar os preguiçosos que reclamam que eu escrevo textos muito longos!!!

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Update

Voltar para casa foi tranquilo, e o jetleg, suave. Ainda mais depois que meu pai me apresentou à melatonina, pílula que regula o hormônio do sono e reduz os efeitos de uma viagem longa.

Tive alguns dias para arrumar a casa, botar a vida em ordem, e a Aninha chegou!! Fizemos vários programas em Singapura, encontramos amigos novos e velhos, passeamos bastante, e só interrompemos a programação singapureana para fazer as viagens que tínhamos planejado.

A primeira parada seria Bangkok, o próximo texto que será postado, e depois Siem Reap, no Camboja. As duas viagens foram incríveis e diferentes.

Agora a Aninha está no Laos (sooozinha) e eu tive que ficar em casa por causa de uns compromissos. Não tem problema, perdi essa viagem mas vou anotar todas as dicas dela planejar uma visita a Luang Prabang!

E enquanto isso estou sentindo falta dela. Além de ser uma amiga de anos (10, para ser exata), é uma ótima companheira de viagem e uma hóspede modelo. Que ela era muito educada eu já sabia, mas desconfio que ela tenha trazido uma impressão aquele meu post sobre visitas e que leia todo dia antes de se levantar – de medo que eu escreva uma atualização daquele texto.

Em Singapura o clima está uma delícia, a época das monções já passou mas está bem mais fresco que antes. Continua calor, mas bem menos úmido e abafado que no meio do ano, e o vento constante ameniza muito o calor (e traz toda a poeira da rua pra dentro de casa, mas isso é outro papo).

Bom, apesar dos posts de Bangkok e Siem Reap ainda não estarem prontos, já coloquei algumas fotos no Flickr (são tantas que é difícil escolher...).