segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Em crise na balada

No último mês acabamos indo para a balada duas vezes – digo “acabamos indo” porque nenhuma das vezes foi programada. Na primeira estávamos em um aniversário, e na segunda em uma despedida, e como uma coisa leva a outra e a turma estava animada, acabamos esticando a noite e indo parar numa boate.

Claro que é divertido. Sempre gostei de sair à noite e não há tanto tempo assim eu tinha um programa pra fazer todo santo dia. Mas naquela época, eu era solteira. Sei que tem gente que não vai concordar, mas acredito piamente na tese que diz que gente solteira tem muito mais pique pra sair do que gente comprometida/casada. O motivo principal seria para não ter que ficar sozinho em casa, ou então para procurar alguém que preencha o vazio e ocupe o outro lugar no sofá.

Gente comprometida sossega, e é natural. E vejo muita gente da minha idade se sentindo velha porque ir pra balada não é mais tão legal quanto era, a música é alta demais pra conversar, as pessoas ficam esbarrando em você e invariavelmente você acorda com dor de cabeça no dia seguinte.

Velhos.

Eu não me sinto velha – ufa, até porque eu não sou. Mas ir para a balada deixou de ser meu programa favorito. Prefiro sair pra jantar, sentar numa mesa de bar – qualquer coisa que me permita ficar sentada e conversar sem ter que gritar. Ok, semi velha.

Mas a crise do título não é sobre a idade. É sobre o comportamento das pessoas.

Em todas as baladas que fui desde que cheguei aqui, além dessas duas no último mês, acabo meio impressionada com a fauna. Primeiro pela maneira como algumas pessoas se vestem (a última balada estava infestada de meninos vestidos de menina – e que não tinham mais de 25 anos), segundo por como elas dançam.

Cada um tem seu jeito de dançar, apesar de ser mais ou menos parecido – apoiando o peso cada hora em uma perna, tirando os pés do chão ou não, variando a velocidade, dobradura dos joelhos e movimento dos braços. Pode ser temperado com uma jogada de cabelo ou rodopio. Mas o movimento é basicamente o mesmo.

Só que aqui, notei que as mulheres vão muito além. Elas dançam coladas, mulher com mulher, rebolam, fazem gestos sensuais e ficam se esfregando, como se estivessem no palco de um cabaré. Só falta o pole para completar o show. Até quando dançam sozinhas elas parecem não abandonar o ar sedutor, e eu acho tudo isso muito forçado. Não é natural e nem bonito, e toda vez me pego no meio da pista de dança pensando como foi que isso começou (e quem elas pensam que enganam).

Em Singapura a sexualidade é assunto delicado. Educação sexual é um tema polêmico e mal resolvido. A sociedade é conservadora e muita gente casa virgem (por valores familiares e religiosos, os tais “valores asiáticos”) ao mesmo tempo que gravidez precoce também é um problema.

E mesmo casais jovens parecem não praticarem tanto a atividade já que a baixa taxa de natalidade é prioridade do governo, que já criou uma campanha para tentar incentivar os casais a terem filhos (Romacing Singapore) e um programa que oferece benefícios a quem tiver mais de um filho (Baby Bonus).

O comportamento da balada é incoerente com as notícias que lemos no jornal. Não faz sentido. Parece falso liberalismo, uma imagem que não condiz com a realidade. Sei lá, talvez haja uma explicação escondida que eu ainda não tenha enxergado. Mas realmente não sei se o que gera esse comportamento é o estereótipo da asiática sexy (e que não passa de fachada), simplesmente a vontade de chamar a atenção ou se os jovens realmente estão mudando.

Ou talvez eu esteja mesmo ficando velha.

5 comentários:

  1. É meio surreal, né? Não sei bem que fenômeno é esse, mas as americanas no navio já dançavam se esfregando... e por aqui, sei lá, nunca frequentei baile funk, mas não rola uma esfregação também? Mulher com mulher? Acho uó. E não dou conta de balada já faz um tempinho... casal-urso GOSTA de ficar em casa, ou sair pra jantar sossegado, encarar um barzinho, no máximo! haha
    E nem por isso sou velha e chata. Tá, talvez a alma seja velha e chata...

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  2. Eu super acho q estou ficando velha... e tudo bem... sabe q eu me preocupava, mas agora então, com baby vindo aí... quero mais é minha casa. :-)

    E eu acompanho seu blog e adoro suas histórias! É realmente um mundo a parte...

    bjo grande, Rê Coltro

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  3. Não sei vc, mas eu não ia MESMO gostar de ver orientais assanhadinhas dançando perto do meu marido, isso sim!...kkkkkkkkkkkkk...
    bjs

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  4. Que coisa mais interessante... lembro-me de conhecer algumas tailandesas que dançavam assim nos aureos tempos de Crew Bar...
    Quanto à parte de estar ficando velho, eu já cheguei nessa fase faz tempo... balada pra mim, geralmente se resume a festas de casamento! Felizmente Carol também pensa assim e preferimos programas-ogros, como denominamos nossas saídas gastronômicas!
    Beijos, Maclau!

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  5. Amiga, qual o regime político aí?
    Pq o incentivo a quem tem mais filho ele deve ter copiado do Lula!
    Bj
    Lilian (a politizada)

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