segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Tempo, tempo, mano velho* (updated)

Ultimamente ando pensando muito em como as pessoas usam o tempo. Quando eu trabalhava e morava no Brasil achava tempo pra fazer tudo que eu precisava, vivia reclamando que 24 horas não eram suficientes, mas sempre acabava dando conta de fazer tudo.

Acontece que eu sou uma pessoa organizada, perfeccionista e com mania de fazer listinhas. E mesmo sem ter tempo de sobra, encaixava meus compromissos e atividades sem grandes problemas – e digo mais: raramente atrasava. Administração de tempo é comigo mesmo!

Mas agora que tenho liberdade total para decidir o que fazer com o meu tempo, sem obrigações impostas (só escolhidas), tenho a maior dificuldade em planejar meus dias. A lista de coisas para fazer, comprar, pessoas para encontrar, está lá, em operação. Mas não sinto que ela flui da mesma maneira que antes. Talvez pela falta de urgência, ou por comodismo (ao saber que tenho mais tempo do que preciso para fazer tudo aquilo duas vezes). Várias vezes me pego no café da manhã olhando praquela lista e pensando por onde diabos eu devo começar. Depois de alguns minutos, desempaco e resolvo tudo que tenho que fazer. E, claro, ainda sobra tempo.

E então encontrei uma pesquisa do NY Times no blog da HSM, que não podia ser mais propícia para o momento.

Ela mostra como as pessoas usam as 24 horas do dia. O gráfico é interativo, e mostra vários grupos diferentes (sexo, idade, etnia, filhos, nível de estudo), mas assim como a HSM escolhi dois grupos para ilustrar aqui no blog: empregados e desempregados.

A pesquisa mostra que os desempregados usam o tempo para fazer atividades extras, além do básico, coisa que uma pessoa que trabalha em período integral não consegue. Claro que todo mundo já sabia disso, mas o gráfico impressiona mesmo assim.

Desempregados:


Empregados:


Curiosidades:

Na avaliação geral, dormir, comer, trabalhar e assistir televisão tomam aproximadamente dois terços de um dia normal.

Às 6h da manhã, 60% dos empregados ainda estão dormindo, enquanto mais de 80% dos empregados continua nos braços de Morfeu** (48% dorme até às 8h – um horário digno para levantar, na minha opinião).

Os desempregados passam em média meia hora por dia procurando emprego (eu to fora dessa média, pra mim leva muito mais). Eles ainda arrumam a casa e fazem outras atividades domésticas por mais de duas horas, uma hora a mais que um empregado.

Para as pessoas que não têm um emprego fixo, sobra mais tempo para estudar, fazer trabalho voluntário, esportes, compras.

Mas um dado que eu acho extremamente importante não está na pesquisa: o tempo que as pessoas gastam com insônia. Adoraria saber se são os empregados ou desempregados que passam mais horas em claro.

Fica a dica, NY Times.



*Sobre o Tempo, música do Pato Fu lançada em mil novecentos e bolinha.
**Na primeira versão do texto confundi os deuses gregos Orfeu e Morfeu. Apesar de serem irmãos, o primeiro era o deus da música, e Morfeu era o dos sonhos. Talvez por isso eu estivesse com insônia, estava nos braços do deus grego errado!!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Descoberta do ano

Pronto. Meus problemas acabaram.




Em um país com fácil acesso à bolacha Bono de chocolate a vida fica muito mais fácil.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

As segundas visitas

E então depois de três semanas na função, as visitas foram embora. Deixaram para trás a casa vazia, super limpa (viva a sogra!), com todos os pequenos reparos feitos (viva o sogro!) e boas lembranças.

A cada visita, vemos como as pessoas são diferentes. Depois da primeira tive inspiração suficiente para escrever um guia de boas maneiras para hóspedes, mas a segunda não deixou nenhum trauma (apesar de agora ter a confirmação que hospedar quatro pessoas de uma vez deixa a casa intransitável).

Claro que hospedar a família do namorado sempre traz algum stress, e três semanas é realmente bastante tempo, mas o saldo final foi positivo.

Até porque na última semana me ausentei em alguns momentos para seguir com a vida normal (responder e-mails que estavam embolorando na caixa de entrada, ir à reunião que participo semanalmente, almoçar com uma amiga), e eles se viraram muito bem sozinhos.

Inclusive porque além de ter minhas coisas pra fazer, uma pessoa não precisa ir à Sentosa toda vez que alguém de fora estiver visitando. Já estou craque no zoológico, Night Safari, Singapore Flyer... para essas atrações ninguém precisa de guia nem mapa, é só me levar que eu explico tudinho.

Também estou aperfeiçoando minhas habilidades de anfitriã. Agora tenho a “caixa das visitas”, cheia de mapas, folders, flyers das atrações da cidade. Assim, quando alguém chega, sugiro que dê uma olhada na caixa e me diga o que tem interesse em ver. Além disso, estou preparando uma relação das atrações com os respectivos preços, para que não haja nenhuma surpresa e para poder estimar com antecedência quanto dinheiro será investido na viagem à Singapura.

Aumentei os itens na rouparia, para que as pessoas possam trocar de toalhas quantas vezes quiserem (já que os banhos acontecem mais de uma vez por dia e o clima é úmido demais, as toalhas precisam ser trocadas com mais frequência). Oferecemos também toalhas de pisc... ok, já tá parecendo hotel. Mas é quase! Posso abrir o MC’s Bed and Breakfast. Mas não vou ficar aqui fazendo propaganda porque senão todo mundo vai querer vir e aí é que eu não faço mais nada mesmo!

Agora espero receber também hóspedes brasileiros, para poder comparar experiências. Por enquanto só recebemos holandeses, e as diferenças culturais (e de idioma) são um fator importante a ser considerado. Um exemplo de um potencial mal entendido aconteceu no primeiro dia da chegada dos pais do Steven aqui. Estávamos todos na varanda conversando sobre o condomínio e o apartamento e eis que o pai pergunta:

- Dá pra tomar banho junto?

Meio chocada e sem graça com a pergunta, pensando em como a cultura é diferente (eu jamais perguntaria isso para um anfitrião, mas vai que eles estão acostumados a tomar banho juntos... sei lá!), respondo rapidamente:

- Er... acho que dá, mas o chuveiro é meio pequeno, não sei se vai ser muito confortável...

E ele, mais chocado ainda:

- Não!! Quero dizer ao mesmo tempo nos dois banheiros, e não no mesmo chuveiro!!

Ops!!! Falha de comunicação resultando em um mega fora... Um belo jeito de queimar o filme logo de cara, vocês não acham?

Mas não se preocupem, até o último dia estávamos rindo juntos dessa história. E eu vou continuar rindo por um bom tempo...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Mais uma do barco

Esqueci de contar uma coisa interessante que aconteceu no barco, na volta de Phi Phi para Phuket. Das 30 pessoas que estavam no nosso barco, metade era ocidental (europeus, australianos e eu de cucaracha) e o resto era oriental. Em alguns momentos as diferenças entre os dois grupos ia muito além da cor da pele ou formato dos olhos.

Os orientais passaram o dia todo protegidos por chapelões (gigantes) e manga comprida, enquanto os ocidentais estavam despreocupados lagartixando no sol.

Os ocidentais faziam barulho, falavam alto, conversavam entre si. E os orientais falavam baixo, não interagiam com outras pessoas a não ser as do próprio grupo e eram discretos.

Como tinha chovido pouco antes da volta, o mar estava um pouco mais agitado do que na ida. Isso significa que o barco balançava muito mais, e em alguns momentos a sensação era de estarmos dentro de uma batedeira, de tanto que o treco pulava.

Por causa do vento, eu estava preocupada em segurar meu chapéu e minha câmera nova (protegida por uma canga, um saco plástico e uma mochila), e outras pessoas estavam até usando a tolhada para se proteger do vento e das eventuais jorradas de água salgada que insistiam em molhar os passageiros.

Todos os ocidentais estavam lá, em alerta, segurando seus pertences (ou em alguns momentos, a si próprios) com expressões aflitas, enquanto os orientais dormiam.

Sim, dormiam. Todos os 15 orientais presentes no barco estavam de olho fechado, sacolejando como nós, mas com uma expressão super serena.

Fiquei tão surpresa que comecei a reparar (leia-se: encarar) neles, olhando de um a um. Todos com a mesma carinha serena, relaxada, como se o mundo não estivesse balançando quase nada. Até que vi uma das meninas se mexendo e a ficha caiu: eles não estavam dormindo, estavam só meditando.

É, tenho muito que aprender...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Ilhas Phi Phi e Koh Khai - Tailândia

As ilhas Phi Phi consistem em Ko Phi Phi Don e Ko Phi Phi Leh, um paraíso natural obrigatório para quem está na região de Phuket ou Krabi (no continente tailandês). A primeira, na verdade, consite em duas ilhas unidas por um istmo, e já está completamente dominada pelo turismo. Hotéis, restaurantes, bares, lojinhas... Já a segunda é inabitada (empreendimentos são proibidos), mas muito popular para day trips (muito mesmo, tá), e ficou famosa por causa do filme “A Ilha” com Leonardo DiCaprio.

Há diversas maneiras de se chegar às Phi Phi islands: passeios prontos de agências de turismo (cuidado com as enrascadas, como barcos grandes demais ou que param em muitas praias, fazendo com que você tenha só 15 minutos em cada uma), aluguel de barco, ou pegando a balsa em Phuket ou Krabi, e então alugar um “longtail boat” e ir aonde você bem entender. Na minha opinião a primeira opção é a mais segura, mas você não terá muita privacidade ou flexibilidade. A segunda é a mais cara e a terceira é um tanto quanto arriscada, pela falta de estrutura e “segurança” que uma agência de turismo proporciona, mas você pode ir onde bem entender e não precisa seguir o cronograma de uma agência.

Nós optamos pela primeira opção e compramos um pacote de uma agência perto do hotel. Foi muito tranquilo, incluía transfer do hotel para a marina em van com ar condicionado, speed boat para as ilhas, água, refris e frutas no barco, almoço em uma das ilhas e equipamento para snorkelling. Programa turistão, mas muito confortável e sem grandes problemas.

A vantagem do speed boat é que a viagem é mais rápida – o trajeto de Phuket para Phi Phi pode levar até 2 horas, dependendo da potência do barco. A desvantagem é que você fica lá sacolejando com mais 29 desconhecidos, e pode ter o azar de alguém vomitar o café da manhã no seu pé.

Bem, começamos o passeio em Maya Bay, a tal praia onde “A Ilha” foi filmada. Jesus Maria José, o lugar é lindo de morrer. Fiquei de queixo caído, babando mesmo. Mas é preciso dizer que por causa do filme que a deixou famosa, a baía agora está INFESTADA de speed boats cheios de turistas. Metade da praia é estacionamento de barco, a outra metade (demarcada por bóias) é o único lugar onde é permitido nadar. Nem preciso dizer que esse lugar também parecia o piscinão de ramos, uma feijoada de gringos.

Os mais sensíveis vão se irritar muito com a exploração turística dessa praia paradisíaca, mas minha sugestão é que você vá preparado, mas vá. Vale a pena.

A próxima parada foi Loh Samah Bay, um paraíso para snorkelling. Fui a primeira a me jogar na água e só voltei pro barco quando o guia ameaçou ir embora e me largar lá. Nunca tinha nadado perto de corais e ver todos aqueles peixes e as cores do fundo do mar foi um desbunde. O próximo passo é um curso de mergulho de verdade, um sonho que venho adiando há anos. Agora não tem desculpa, o momento não podia ser mais perfeito.

Depois fomos para Pileh Cove, quase uma lagoa natural de água tão azul que você só vê em folder de agência de turismo. Pulamos da frente do barco repetidamente (inclusive o sogro!), alguns saltos olímpicos e outros mais rústicos (tipo bomba).

A cada momento que o guia dizia que era hora de ir embora, eu sentia um mix de tristeza e empolgação, imaginando quando eu voltaria e qual seria a próxima parada!

Então chegamos em Phi Phi Don, a tal ilha mencionada no começo do post que foi invadida pelo turismo. De longe já é possível ver os diversos hotéis, bangalôs e bares de beira de praia. O lugar também é lindo maravilhoso, mas nesse momento confesso que me concentrei mais no almoço do que na ilha. Ninguém é de ferro...

Depois do almoço fomos para Monkey Beach, uma pequena praia de areia branca cheia de macacos por todos os lados! O guia distribuiu amendoim para que pudéssemos alimentar os “primos”, mas disse que devíamos permanecer na água e não entrar na praia. Pela quantidade de macacos que eu vi ali, não me arriscaria a desobedecer as instruções. Parênteses: quando tinha uns 10 anos estava andando na praia com meus irmãos e um cara passou com um mico no ombro. O mico olhou pra mim, eu olhei pro mico, o mico olhou pro meu cabelo e se deu um salto duplo carpado em minha direção (Olimpíadas tá na moda, né gente), depois ficou lá se pendurando nas minhas madeixas até o dono se tocar e tirar o bicho de mim. Fo uma experiência traumática e desde então tento manter uma distância saudável de macacos livres. Fecha partênteses.

Depois de mergulhar em águas cristalinas, nadar com os peixes e alimentar macacos, fomos para Koh Khai, a última parada da nossa day trip. Me senti um pouco no Brasil, com as diversas barraquinhas vendendo drinks, comidas e souvernirs, mas passei grande parte do tempo snorkelling, vendo os peixinhos e procurando os tubarões que o guia falou que nadavam por ali (uau, depois de escrever essa frase notei o quão absurda ela soa).

Enfim, estava lá toda feliz com a cara na água quando de repente tudo ficou escuro e todos os peixinhos sumiram. Por um momento me senti em “Procurando Nemo” e só depois de tirar a cabeça da água é que notei que estava chovendo. Quando a chuva parou voltamos para o barco, que nos levou de volta para Phuket.

O dia foi maravilhoso e, a experiência, inesquecível! Não vejo a hora de fazer o curso de mergulho e voltar para as ilhas do mar Andaman o mais rápido possível!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Plantão: Terremoto

Interrompemos a nossa programação normal para comunicar a experiência do terremoto de ontem.

Singapura é uma ilhazinha abençoada porque, apesar de estar próxima a uma área de risco, está protegida dos desastres naturais que não são tão gentis com os países vizinhos. Terremotos e tsunamis na Indonésia, Tailândia, India e Malásia. Tufão nas Filipinas, Vietnam e Cambodia. Vulcões na Indonésia.

O fato é que em Singapura não acontece nada disso, e confesso que essa foi a primeira coisa que fui pesquisar quando o Steven me contou que tinha recebido uma proposta de expatriação. Um país livre de desastres naturais (como o Brasil costumava ser... até o tufão da semana passada) era um dos pré-requisitos.

E por achar que Singapura era um país seguro (em todos os sentidos), ontem quando estava lendo na varanda e senti a cadeira balançando, minha primeira reação foi entrar em casa com medo que a varanda desabasse. A segunda foi ficar olhando o lustre balançar pra lá, e pra cá e depois colocar um copo de Coca no chão e ver o líquido tremer com em “O Parque dos Dinossauros – parte I”. Liguei para o Steven, o engenheiro da família, para perguntar o que poderia ser. Minha primeira hipótese era que havia algo errado com o prédio, e a segunda, que a princípio me parecia muito absurda, era terremoto.

Como o tremor não tinha sido muito forte (a sensação foi como estar no carro em cima de um viaduto com o trânsito parado), não ficamos muito preocupados. Nenhum dos sites de notícia reportavam nada, e foi só quando o Steven chegou 10 minutos depois que ele confirmou que havia acontecido um terremoto em Sumatra, na Indonésia. Ufa, o que havíamos sentido aqui era só um reflexo.

A sensação foi muito bizarra. Fiquei imaginando como deve ser horrível passar por um terremoto de verdade, e dei graças a Deus por não ter que me preocupar com isso constantemente.

Um amigo que mora no 58º andar de um prédio novo super moderno perto do mar contou que o efeito foi tão forte que o prédio “se mexeu” mais de um metro, e ele não conseguia ficar em pé no apartamento dele. Tiveram que evacuar as duas torres do condomínio, para se certificarem que estava tudo bem. E estava.

O mais bizarro de tudo é que enquanto eu escrevia esse post, o prédio deu mais uma tremidinha – o tal “after shock” que já tinham comentado ontem. Dessa vez foi bem mais fraco, durou uns 15 segundos e pronto acabou.

Ao povo que está longe, não se preocupem. Não estamos na rota de tsunami e não há risco de terremotos por aqui. Pode ser que as coisas estremeçam, mas até que o fim do mundo chegue, estamos tranquilos que a casa não vai cair.