terça-feira, 29 de setembro de 2009

Phuket - Tailândia

Na semana passada a família do Steven chegou em Singapura para passar um tempo com a gente (pai, mãe, irmã e namorado). O primeiro passo da intensa programação foi pegar um avião cedinho com destino a Phuket, na Tailândia. Os coitados nem tiveram tempo de sequer começar a recuperação do jet leg, e já estavam mudando de fuso horário de novo.

Phuket é uma ilha da Tailândia, situada no mar Andaman (que eu não me lembro das aulas de geografia), a oeste da península da Malásia. É um dos maiores destinos turísticos do sudeste asiático, e o segundo lugar mais visitado da Tailândia (o primeiro é Pattaya, famoso pelo turismo sexual – triste, mas verdade). Por ali, as praias têm areia branquinha e água azul, e a ilha pode agradar todo tipo de gente. Tem resorts de luxo, tem albergues e pensões simplinhas, tem gente que vai pra relaxar, pra badalar, pra mergulhar...

Apesar da beleza natural, é difícil não lembrar do tsunami que arrasou a região em dezembro de 2004. A praia de Patong foi uma das mais atingidas, e também é uma das mais populares. Populares mais no sentido “piscinão de Ramos” do que “preferidas”.

Nós ficamos em Karon, onde a praia é ok, mas como em Phuket ninguém fica todo dia no mesmo lugar, isso não tem tanta importância. Não vou recomendar nosso hotel porque além de ser meio velhinho, o serviço era meia boca e 80% dos hóspedes eram russos (até o cardápio estava em russo!). Para evitar mais um mal entendido, deixo claro aqui que o problema não são os russos, mas sim qualquer hotel dominado por gente de uma única nacionalidade. Um hotel cheio de brasileiros ia me fazer sair correndo largando pra trás o drink com guarda chuvinha. Bom, pelo menos era limpinho (ah?) e bem localizado, então ponto pra eles.

Para se locomover em Phuket, ou você anda de tuk tuk (lembram de Chiang Mai?), ou aluga uma scooter (uma lojinha a cada esquina). No primeiro dia, resolvemos fazer como a maioria e alugamos 4 motinhos (eu na garupa, evidentemente). Instruímos a família sobre a mão inglesa, pedimos para serem cuidadosos e saímos os seis equipados de capacetinhos lindos. A primeira parada seria o posto de gasolina, a 1km do hotel, para abastecer. E antes mesmo de chegarmos na bomba, o pai do Steven perdeu o controle da moto dele, que foi bater direto num carro estacionado. Por sorte, a mãe já tinha descido da garupa e o dono do carro era um expatriado, por que se fosse um local a coisa seria bem mais complicada do que foi. Mesmo assim o cara ligou para a polícia, e ficamos todos lá com cara de samambaia até o guarda chegar e convidar o Steven e o pai para a delegacia (um passeio que definitivamente não estava nos planos, ainda mais no primeiro dia!).

No final das contas tudo foi resolvido sem grandes dificuldades, eles pagaram o conserto do carro no dia seguinte e pudemos seguir com a programação normal das férias. Dos males, o menor, e talvez isso tivesse que acontecer no primeiro dia para outro acidente pior não acontecesse depois. E em Phuket as ruas são estreitas, o asfalto não é da melhor qualidade e acidentes acontecem todos os dias. Por isso, todo cuidado é pouco. Nem preciso dizer que devolvemos as motos no mesmo dia e a partir daí só andamos de tuk tuk.

Ficamos só quatro dias em Phuket, pouco tempo para explorar tudo que tem pra fazer. Andamos de elefante (bem pior que o passeio que fizemos em Chiang Mai; o acampamento não era tão bem estruturado, as cadeiras não eram nada confortáveis e ao invés de uma barra onde você pode se segurar na descida (extremamente necessário para não cair de lá de cima), há um cinto de segurança de carro, e ainda por cima sujo de terra. Péssimo), visitamos um templo e o Big Buddah (uma estátua no topo de uma montanha, ainda em construção), e fizemos um passeio de barco incrível inesquecível maravilhoso para as ilhas Phi Phi e Koh Khai que vou contar no próximo post.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Click!

Com a loucura da guerra contra os insetos na semana passada, acabei não tendo tempo de contar sobre o curso que fiz.

Sempre gostei de tirar fotos, e há muito tempo estava querendo comprar uma câmera SLR digital (que muita gente chama de profissional, o que não é completamente correto). Antes de gastar os tubos em uma câmera, resolvi fazer um curso para ver se me interessava mesmo por fotografia quando as coisas começassem a ficar complicadas. É tanto botão, função, combinação, que se você não souber como operar a câmera não adiantar comprar a mais tchans do mercado que só vai acabar usando a função automática (e aí é melhor ficar com as câmeras compactas mesmo).

Então lá fui eu, para um curso de fotografia, para ver se meu interesse era real. Só posso dizer que era tão real que poucos dias após o curso ter terminado (e depois de gastar muita sola de sapato), já tinha escolhido e comprado uma câmera!!

Pesquisei muito, não só preços mas também o modelo e marca ideal para mim. Cada pessoa é de um jeito, e agora entendo porque o professor não quis me recomendar uma câmera por e-mail. A melhor coisa para quem está começando é ir em uma loja e pedir para ver um modelo de cada uma das três principais marcas (Canon, Nikon e Olympus), analisar com calma e então escolher a melhor para si.

A minha escolha foi uma Canon EOS 500D (me imagina no lugar do Jackie Chan!), uma ótima câmera para iniciantes. Agora é só começar a praticar e ver se levo jeito pra coisa!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Mal entendido

Aparentemente os posts que escrevi falando sobre expat wives ofenderam alguém que eu nunca tive a intenção de magoar.

Ao falar do estereótipo das mulheres expatriadas que moram aqui (estereótipo que não foi criado por mim), em português, acabei sendo mal interpretada quando alguém leu os textos traduzidos para o inglês pela internet.

Em relacionamentos inter-culturais, é normal que mal entendidos aconteçam. Ainda mais quando não há contato e a conversa acontece pela internet. Quem nunca brigou por email ou MSN?

Em minha defesa, não escrevi isso por maldade nem quis ofender ninguém. Traduções feitas online não são da melhor qualidade, e muitas nuances e piadas que são facilmente compreendidas por brasileiros que compartilham o mesmo senso de humor que o meu não são tão bem entendidas por estrangeiros.

Em inglês, alguns trechos traduzidos acabaram soando ofensivos. Acontece que mesmo palavras traduzidas literalmente têm conotações diferentes em cada idioma (até mesmo em português do Brasil e Portugal).

Não tiro a razão dela de ter ficado ofendida ao ler algo que foi mal traduzido e não era fiel ao texto escrito no idioma original. Se fosse escrever em inglês, teria escrito de outro jeito, para que fizesse sentido.

Peço desculpas e repito, jamais quis ofender ninguém. Espero ter a chance de um dia poder conversar e esclarecer o meu lado. Como duvido que isso vá acontecer, resolvi escrever esse pedido de desculpas público, na tentativa de me redimir pelo mal entendido.

Em guerra - parte II

Depois de quase uma semana dormindo no sofá, resolvi que era hora de voltar para o quarto. Arrumei a cama, preparei tudo para o meu retorno mas quando bati o olho na cortina vi mais bedbugs. Os desgraçados estavam se escondendo no drapeado!!!

Enquanto surtava, peguei luvas plásticas, Off (o único veneno que eu tinha em casa) e fui caçando e matando um a um (e jogando na privada), xingando os bichos e a empresa de detetização que não me aconselhou a remover a cortina para diminuir a possiblidade dos sobreviventes se esconderem.

Depois, arranquei a cortina, taquei numa sacola e levei na lavanderia. Eu parecia uma louca andando na rua descabelada, vermelha, suada, pisando duro com aquele sacolão nos braços.

Voltei pra casa, tirei todas as roupas das gavetas da cama (que o DD-drim tinha falado que não precisava) e lavei tudo a 60ºC. Depois, uma rodada na secadora, por 2 horas. Ao final da epopéia tinha tanta roupa para dobrar e eu estava tão cansada que poderia ter dormido até em pé.

No dia seguinte liguei na empresa de detetização para brigar, mas não me deram muita atenção. Bastou o Steven chegar à tarde e fazer uma única ligação que em 15 minutos os carinhas estavam em casa. Encontramos mais bedbugs, eles refizeram todo o procedimento (dessa vez tiramos tudo do quarto, sapatos, livros, etc), talvez um pouco mais detalhado que da outra vez sob os olhos do “patrão”, e nós fomos para um hotel para fugir do cheiro de veneno e do sofá pequeno demais para duas pessoas com mais de 1,80m.

Que ironia, depois de tanto xingar aquele hotel onde moramos quando chegamos, ao primeiro sinal de problema é para lá que voltamos correndo. Não antes sem levar o edredon para a lavanderia e jogar os travesseiros fora.

Depois de dois dias no hotel, voltamos para casa. Precisávamos dormir pelo menos uma noite no quarto para ver se eles aparecem. Eu fui ressabiada, fiquei de olho em todas as dobrinhas do lençol até finalmente cair no sono.

Já se passaram três noites e até agora nada. Estou feliz, mas ainda não completamente despreocupada. A tropa, quer dizer, família do Steven chega domingo e eu estou morrendo de medo do problema reaparecer enquanto eles estiverem aqui.

Caso apareçam, vamos jogar todos os móveis e colchão fora. Caso contrário, vamos deixar as coisas do jeito que estão e torcer para que o pesadelo tenha realmente terminado.

domingo, 13 de setembro de 2009

Em guerra - parte I

Moramos nesse apartamento há uns 3 meses, e há quase 2 reclamamos que os pernilongos estão fazendo a festa. Andávamos cheios de mordidas, principalmente nos braços, e parecíamos duas crianças com catapora de tanta bolinha vermelha coçando.

À noite eu sonhava que insetos se escondiam na minha cama e, enquanto eu dormia, saíam de seus esconderijos e ficavam andando por cima de mim. Me coçava à noite inteira, comprei pomadinha pra aliviar, mas as marcas que ficavam não eram parecidas com as picadas de pernilongo que eu levava no Brasil.

Até que que encontrei um insetinho no meu lençol e o pesadelo se tornou realidade. Minha primeira medida foi matar o invasor (que estava cheio de sangue) e colocar num saquinho plástico (por sadismo e para tentar descobrir o que era). Alguns dias se passaram sem encontrar mais nenhum inseto no lençol (e olha que eu procurei).

Então um dia de manhã acordei e notei que a fronha estava cheia de pontinhos pretos. Fui correndo para o amigo Google, que constatou: pontos pretos no lençol = bedbugs (percevejo-de-cama).

Pânico. Já tinha tido uma experiência com os vampirinhos quando fiquei num albergue em Florença, na Itália. Achava que bedbug era um problema de lugar sujo, mal cuidado, tudo que minha casa não é.

Me aprofundei na pesquisa e descobri que é muito comum que móveis sejam expostos à essa praga em contâiners, quando as pessoas estão mudando de um país para o outro. Essa é a única explicação que encontramos, porque nosso prédio é novinho e somos os primeiros moradores, e nunca tivemos esse problema na Holanda.

Pra quem nunca ouviu falar nisso, um resumo: os bedbugs se alimentam de sague, não têm asas (um mal a menos) e por isso rastejam na cama enquanto as vítimas estão dormindo (muito mal). Eles são minúsculos, de cor avermelhada e forma achatada – o que possibilita que se escondam nos lugares mais impossíveis. Os desgraçados podem passar até um ano sem se alimentar, mas quando picam alguém chegam a dobrar de tamanho (por isso aquele que eu matei estava tão gordinho, cheio de O negativo).

Quando descobri tudo isso, o Steven estava viajando. Tomei as providências, liguei para a empresa de detetização de Singapura e consegui que viessem no mesmo dia. Com medo de voltar a dormir no quarto, passei a semana inteira dormindo no sofá.

(continua)

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Beijo no coração

No meu aniversário recebo um e-mail do gerente do meu banco com a seguinte frase:

“Hoje mais uma primavera, por isso parabéns e que Deus despeje pérolas em seu caminho...”

Achei o gesto simpático, mas a mensagem meio cafona. Só faltava assinar com beijo no coração, afago na alma, desculpa qualquer coisa ou similares.

Então sem resistir à tentação de fazer uma piadinha, encaminhei o e-mail pro meu irmão, que tem o humor parecido com o meu e geralmente ri das mesmas baboseiras. E a resposta:

“Se Ele despejar pérolas no seu caminho, você vai acabar escorregando e pode se machucar...”


OBS: Esse texto não tem nada a ver com Singapura, mas não resisti...

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Entre amigos

Sábado passado um amigo resolve cozinhar e convidar algumas pessoas para jantar na casa dele. Fui com ele no supermercado, ajudei a descascar batatas (4 sacos – e agora entendo o poder da expressão “vá descascar batatas) e os outros convidados já estavam lá quando o host constatou que o gás tinha acabado.

Com quilos de comida para preparar e nenhuma empresa entregando gás sábado à noite, resolvemos transferir a festa para minha casa. As batatas já estavam semi-cozidas, por isso a panela teve que ir no colo de alguém. Duas malas de viagem carregavam os outros ingredientes e as bebidas.

Mesmo com o imprevisto, foi um sucesso. A comida estava ótima, e apesar da bagunça na cozinha foi ótimo ter a casa cheia de gente e pouco stress com a organização. Foi tudo muito espontâneo, pra não dizer emergencial, para eu sofrer por antecipação (meu esporte preferido).

De entrada, nosso amigo cozinheiro fez camarões. Eu, além de muito bem educada, tenho que ser fiel ao projeto desjacuzação, portanto não comi só um camarão, comi vários.

Até que abro um e me deparo com umas coisinhas pretas na carne. Inocentemente pergunto aos convidados o que era aquilo e, com a maior calma do mundo, eles respondem:

- Prawn poop* (cocô de camarão).

Fiquei chocada, toda a educação foi por água abaixo e larguei o camarão borrado na hora. Enquanto as pessoas tentavam me convencer que não tinha problema comer aquilo, que camarão só se alimenta de plantas, não resisto e pergunto:

- Vaca só come capim. Você comeria cocô de vaca?

Pois é, a flexibilidade das minhas papilas gustativas tem limite.

E tenho dito.