terça-feira, 11 de agosto de 2009

Kuala Lumpur

Final de semana passado foi feriado em Singapura, por conta do National Day. 44 anos de independência, a cidade inteira decorada e a promessa de uma festona. Mas como metade da população, resolvemos aproveitar o final de semana prolongado para viajar.

Decidimos ir para Kuala Lumpur, capital da Malásia, que fica a uns 400km de Singapura. Podíamos ter ido de avião, mas achamos que uma road trip seria mais legal para ver as paisagens e explorar o que desse vontade.

De cara já vimos um problema, porque se tem uma coisa que os malaios fazem mal é dirigir. Preocupação com segurança zero, o importante é chegar primeiro. Ônibus, caminhões, motos, carros, ninguém tem amor à vida.

No primeiro posto de gasolina, a primeira surpresa. Pausa: os mais sensíveis vão me desculpar por que o assunto é escatológico, mas vou tentar ser discreta.

Retomando: abri a portinha do banheiro e dei de cara com isso:



Aí me lembrei que estava num país muçulmano e esse tipo de "toalete" é mais prático para as mulheres com suas vestimentas compridas. Não sei se foi só naquele posto ou se é assim em todo lugar, mas não tinha papel higiênico, e sim um daqueles esguichinhos (à la bidê). Não sei exatamente como funciona, se elas levam uma toalhinha na bolsa ou se deixam secar naturalmente, mas como eu sempre tenho um pacotinho de lenço na bolsa não precisei testar as teorias.

No caminho, florestas imensas só de palmeiras, como nunca tinha visto. Lindo. O problema é que é época de queimada, o que deixa o país inteiro (e os vizinhos, diga-se de passagem) esfumaçado.

Chegamos em KL sem grandes problemas na estrada, mas nos perdemos na cidade com GPS e tudo. Não somos nós que somos incompententes, aquela cidade é uma loucura!

O hotel era super bem localizado, e graças a Deus o banheiro era normal (só tive que fazer malabarismo no chuveiro, projetado para asiáticos, que batia no meu ombro).

Fomos dar uma volta a pé e quase quebrei o pescoço de tanto olhar para as Petronas Towers e lembrar da Catherine Zeta-Jones pendurada na ponte naquele filme (Armadilha??). O prédio é impressionante, e à noite fica todo iluminado.



No sábado exploramos a cidade, fomos na Kuala Lumpur Tower, Merdeka square, Chinatown, Jalan Butik Bintang e todas as atrações “turísticas”. O fato é que KL não é uma cidade turística. Eu falava o tempo todo que se tivessem me levado para lá vendada, ao abrir os olhos teria certeza que estava em São Paulo. Encontrei muitas semelhanças... E vocês já imaginaram um daqueles ônibus turísticos em SP, com o trânsito caótico? Não funcionaria, né? Mas em KL tem.

Como no sábado já tínhamos visto tudo que tinha pra ver, no domingo pegamos o carro e fomos para dois lugares nas redondezas indicados por um amigo que morou em KL: Batu caves e a mesquita Sultan Salahuddin. As Batu Caves merecem um post exclusivo, porque tem muita coisa pra contar. Sobre a mesquista cabe nesse post mesmo.

A Sultan Salahuddin mosque fica um pouco afastada da cidade, mas vale a pena o deslocamento. É uma das maiores do sudeste da Ásia, e também conhecida como mesquita azul. Super bonita por fora, mas não vi por dentro...

Antes de vir para a Ásia tinha pouco contato com o islamismo. Não tinha amigos muçulmanos e a impressão que eu tinha da religião, infelizmente, era só o que a gente vê na TV. Agora tenho amigos muçulmanos que ajudam a diminuir a minha ignorância, mas para mim ainda é um mistério. Por isso, não me sinto confortável em entrar em uma mesquita. Não sei como vai ser, se vou ser bem vinda, se vou ter que ir para uma sala só com mulheres, se vou ter que cobrir a cabeça. Em templo budista e hindu eu entro na boa, mas em mesquitas não me sinto convidada. Pra provar que meu receio não é infundado, tirei foto da entrada da National Mosque em KL: A mesquita não está aberta para turistas não muçulmanos. Nunca vi esse aviso em igrejas ou templos, em lugar nenhum do mundo.

Falando em muçulmanos, fiquei impressionada com o número de mulheres usando burca eu vi em KL, principalmente no nosso hotel. A Malásia é um país muçulmano mas não é radical, as mulheres podem cobrir só o cabelo ao invés do corpo todo, o que me leva a concluir que as mulheres de burca eram turistas. Independente do que elas sejam, como impressiona ver uma mulher toda de preto só com os olhos aparecendo!! Algumas coisas que vi foram marcantes: pai e filho se esbaldando na piscina no calor de 35ºC enquanto a mulher ficava olhando de fora; um cara com duas esposas no passeio à Kuala Lumpur Tower; e como elas comem – no café da manhã não conseguia tirar os olhos delas, que tem que colocar a comida por debaixo do véu, sem mostrar nada (a única vantagem que vejo nisso é poder comer sem se preocupar se ficou um verdinho no dente). Já imaginaram que desagradável?

Bom, depois de três dias em KL, estava sentindo falta de Singapura. Não fui com grandes expectativas, por isso não me decepcionei. Acho que Kuala Lumpur é uma cidade importante na Ásia e gostei de ter visto, mas não é um lugar indispensável.

A não ser que vocês sejam como eu, obcecados em colocar vários alfinetes no mapa múndi!

2 comentários:

  1. Excelente esse post!
    A parte do "elas não têm q se preocupar com o verdinho nos dentes" foi ótima! LOL!
    E como sou como vc, terei que ir pra KL, for sure! Mais alfinetes no mapa!!!!
    Ah, vc não subiu nas Petronas?!? Achei q fosse dar uma de Zeta-Jones... ;-)
    Besos

    ResponderExcluir
  2. A vantagem de usar burca é poder comer a vontade que a roupa nunca fica apertada e ninguém vê as celulites e os culotinhos.

    Quanto ao banheiro da estrada, HAJA QUADRICEPS pra aguentar...
    beijo

    ResponderExcluir