sexta-feira, 31 de julho de 2009

Singapura: Expatriados

Singapura é um país que incentiva (e muito) a importação de talento estrangeiro, por dois motivos básicos: para ajudar no crescimento econômico do país, e para tentar melhorar o problema populacional (o número de idosos está crescendo, mas a taxa de fertilidade continua baixa). Por isso, o número de expatriados aqui é tão grande – em 2008 eram mais de 1 milhão de não-residentes vivendo em Singapura (esse é o dado mais recente, ainda não se sabe qual foi o impacto da crise).

Pelo segundo ano consecutivo o HSBC realizou uma pesquisa sobre expatriados em todo o mundo, batizada de Expat Explorer. A pesquisa contou com mais de 3.100 entrevistados que descreveram as oportunidades e os desafios que enfrentam vivendo longe de casa. O estudo fornece uma visão abrangente de como a vida de um expatriado difere de país para país.

No ranking de qualidade de vida do HSBC, 26 países foram avaliados. No topo da lista, Rússia, Qatar e Arábia Saudita. Singapura está em sexto lugar.

A pesquisa avaliou que a Ásia é a região que abriga os expatriados mais bem pagos do mundo, e por isso aqui eles têm um padrão de vida elevado. No entanto, o custo de vida para estrangeiros em Singapura é alto. Quarenta por cento dos entrevistados pelo HSBC gastam mais em acomodação do que expatriados em outros países, e até mesmo os gastos com diversão e saúde estão acima da média global.

Outro ponto interessante da pesquisa que só vem comprovar o que todo mundo já suspeitava: a maioria das pessoas que vai trabalhar em outro país aproveita para fazer um pé de meia. Mais de dois terços (68%) dos expatriados relataram que estão economizando e investindo mais desde que saíram de seus países de origem – esse número sobe para 80% quando se tratam de altos cargos executivos.

Bom, chega de estatísticas. Chegou a hora de eu dar minha opinião.

A relação expatriados e locais é delicada. Há quem viva pacificamente e há quem procure encrenca. Um exemplo clássico: de um lado, os locais dizendo que os expats vem para cá para só ganhar dinheiro mas não se esforçam para se integrar e não respeitam a cultura local; do outro, os expatriados reclamando de coisas como falta de educação e dificuldade de comunicação com os locais.

Eu sempre parti do princípio que, se você se predispôs a morar em outro país, tem que fazer o possível para se adaptar. É sua obrigação. Afinal de contas, é a casa deles, a cultura deles, e você é minoria. É mais ou menos como aquele post sobre visitas que eu escrevi.

O ditado “quando em Roma, faça com os romanos” resume perfeitamente o que eu quero dizer. Quer manter seus costumes e hábitos? Ótimo, para isso você tem sua casa. Não imponha sua cultura, não agrida a cultura do seu anfitrião. Não aja como um parasita, que só suga o que tem de bom e não dá nada em troca.

E a melhor coisa que você pode dar em troca (ou devo dizer o mínimo?) é seu respeito e interesse em se adaptar. Não precisa entender todas as diferenças, muito menos incorporá-las. Mas também não precisa andar por aí falando mal do país, ofendendo os locais e o estilo de vida deles.

Não aguenta? Não desce pro play. Ou melhor, faça as malas e volte pra casa.

Prontofalei.




Fontes: Statiscs Singapore e HSBC Expat Explorer survey

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Manual do caçador

Para aqueles que me perguntam como vai a busca de emprego mais do que criança em viagem que repete “paaaaai, já chegando?” a cada 2 minutos, esse post é pra vocês.

Procurar emprego é uma tarefa difícil. Exige dedicação, paciência, autoconhecimento, contatos e, principalmente, tempo.

Procurar emprego em outro país é mais difícil ainda. Pelo menos muito mais do que eu pensava. Uma pesquisa avaliou que leva-se em média 19 semanas para alguém encontrar um novo emprego. Ufa, ainda tenho um tempinho pra caber na estatística.

O primeiro passo para procurar emprego em outro país é traduzir e adaptar seu currículo. Traduzir por motivos óbvios e adaptar para se adequar ao modelo de CV do país, que provavelmente é diferente do que você estava acostumado. Vale até pesquisar modelos na Internet, mas com tanta referência por aí, a melhor coisa a fazer é encontrar alguém no país de destino que possa te orientar. Isso leva tempo.

Enquanto puxa pela memória tudo que você fez nos últimos empregos e quais foram as conquistas para cada um deles, você precisa encontrar uma maneira clara e concisa de descrevê-las. CV cheio de lenga lenga é ignorado e eliminado, e pronto acabou. Isso também leva tempo.

Depois que o CV está nos trinques, você tem que fazer um exercício de autoconhecimento poderoso, para identificar quais são seus pontos fortes e fracos. Isso vai te ajudar a completar os próximos três passos: a carta de apresentação, a análise de onde você gostaria de trabalhar e fazendo o quê, e a entrevista que você espera (um dia) conseguir. Isso leva t.... OK, parei.

Já sei que tem gente aí pensando que eu enlouqueci, que estou exagerando. Não enlouqueci não, é que estou estudando muito a arte de job-hunting. E pra quem acha que para encontrar um emprego basta cadastrar seu currículo num site especializado, uma estatística chocante: apenas 4% das pessoas conseguem emprego através da Internet. Não é uma perda de tempo absoluta, mas está longe de ser a melhor maneira.

Para mim (e muitos outros), a melhor maneira é ter alguém que te indique – o famoso QI.

Não que eu tenha anos e anos de experiência profissional, mas todos os empregos que tive, consegui através de indicações. Só que como em Singapura não conheço muita gente, tenho que começar do zero. Como?

Sendo mais do que ativa no LinkedIn, o “Orkut” profissional, procurando amigos de amigos que moram aqui e poderiam me ajudar e frequentando encontros de networking para conhecer gente.

Networking é mais uma das obssessões nacionais (depois de compras e comida), e logo na primeira reunião do grupo que participo, me disseram que eu precisava de um cartão de visitas. Com o tempo percebi que você não é ninguém em Singapura sem um business card. E graças à Rafa Ranzani, amiga e chefe de arte da revista TPM, tenho um cartão lindo para entregar aos meus novos contatos. Imprimi 300 de uma vez e espero não ter que imprimir mais nenhum (a próxima impressão será num cartão de uma empresa bem legal).

Desde que comecei a frequentar esse grupo, conheci muita gente – de idades e nacionalidades diversas – e aprendi muita coisa. Um desses novos contatos me deu o e-mail do gerente da RH de uma empresa que eu sonhava em trabalhar (e coincidentemente tinha uma vaga em Comunicação), mas cheguei tarde: a vaga já tinha sido preenchida. De qualquer maneira, é um bom sinal de que estou no caminho certo e uma hora ou outra vai pintar alguma coisa.

Enquanto isso não acontece, sigo tentando e esperando que algum headhunter me encontre, para que eu possa finalmente virar a caça, ao invés da caçadora.

Já mencionei que leva tempo?

domingo, 26 de julho de 2009

Mais uma de cozinha

É com muito prazer que informo à todos que tive uma experiência muito bem sucedida hoje na cozinha – sem dramas, dificuldades e bagunça quase zero.

Encontrei em um blog uma receita perfeita para quem mora longe e morre de saudades de comer um pãozinho de queijo no meio da tarde.

Na verdade é bem simples, e até mesmo eu, com todo meu dote culinário, não tinha como errar. Essa é a receita:

Pão de queijo improvisado

3 ovos
3 xícaras de polvilho doce (tapioca starch)
1 xícara de leite
1/2 xícara de óleo
200 gr de queijo parmesão
sal

Bater tudo no liquidificador, colocar em forminhas de muffins e assar em forno pré aquecido a 180 graus. Coloque só 1/3 da forminha de massa, vai crescer pacas – não precisa untar.

Uma receita rende umas 40 forminhas médias, e leva em média 30 minutos para ficar pronto.


O resultado foi ótimo, ficou macio e no ponto certo que um pão de queijo deve ter. Claro que a ausência de queijo minas é notável, mas o parmesão quebra um belo galho.

Como todos os nossos amigos estão fora do país essa semana (sim, todos, não sobrou um pra servir de cobaia), fiz 1/3 da receita e deu 12 pãezões.

Olha que lindo!!



sexta-feira, 24 de julho de 2009

Malhação

Um tempo atrás um amigo me perguntou no MSN o que eu faço aqui enquanto não estou trabalhando. Listei coisas básicas, sem grandes detalhes, como: cuidar da casa, procurar emprego, encontrar os amigos.

E ele retrucou: “ué, e academia?”.

Glupt. De cabeça baixa confessei que desde que mudamos para o apartamento ainda não tinha ido na academia. Detalhe: uma das razões para termos escolhido esse apartamento é que o condomínio é o máximo, tem sky gym e uma piscina digna de resort.

A ficha caiu forte, mas tão forte que por uma semana fiquei escutando zumbidos. Desempregada e desleixada não dava pra ficar. E então resolvi parar de enrolar e começar a frequentar a academia. É tão fácil, só preciso pegar o elevador e subir até o 34º andar, escolher um dos equipamentos e começar a me mexer.

Parece simples, mas eu sou meio preguiçosa. Em São Paulo, toda vez que me matriculava numa academia (e foram muitas...), encontrava uma característica do lugar para servir de estímulo. Na academia do prédio, a motivação é que as esteiras têm TV acoplada, e apesar de não ter muitas opções de canais (como não falo nem chinês nem malaio, só me resta o Channel 5, o principal canal de Singapura, em inglês), serve como entretenimento.

Então agora lá vou eu, no mínimo 3 vezes por semana, para a sky gym. Gosto de ir de manhã, logo depois de falar no MSN e Skype com o pessoal no Brasil, checar emails e dar uma arrumada na casa. Isso significa que subo na esteira por volta das 10h30, 11h da manhã – horário dominado por programas de culinária na TV.

No começo pensei que seria uma ótima idéia me exercitar enquanto aprendo como melhorar minhas técnicas (que técnicas??) na cozinha, mas com o tempo vi que é só um método avançado de tortura. Eu fico lá, me matando na esteira enquanto vejo como a Martha Stewart faz os melhores brownies do mundo.

Pensando bem, pode até ser que funcione. É uma técnica de motivação antiga, diria até rústica, quase como uma cenoura pendurada na frente de um cavalo.

É... talvez funcione.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Integrated resort

Em 2005 o primeiro ministro anunciou a decisão do governo de construir um resort integrado (integrated resort = IR – se você não quiser se sentir um ET em Singapura tem que aprender e usar todas as siglas rapidinho) em dois locais em Singapura: Sentosa e Marina Bay. O IR consiste em hotéis, cassinos, restaurantes, lojas e afins. O objetivo do empreendimento é aumentar o turismo, gerar empregos e melhorar a economia do país.

A decisão foi polêmica, por que muita gente era contra a construção de cassinos em Singapura – em geral por motivos religiosos e morais. Outros estavam preocupados com possíveis efeitos negativos que os cassinos poderiam trazer à população, como vício no jogo e aumento do empréstimo ilegal de dinheiro.

Uma empresa americana de Las Vegas (Sands) está tocando o mega empreendimento em Marina Bay, e outra é responsável pelo Resorts World at Sentosa (que inclui um parque da Universal Studios!). Ambos devem ser inaugurados no começo de 2010. A obra em Bay funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana. Eu, que estou aqui só há três meses (!!), noto nitidamente a evolução dos três prédios, que futuramente serão interligados por um jardim aéreo de 1 hectare. Pois é, para vocês terem uma noção do tamanho do empreendimento.

Para limitar os impactos sociais que os cassinos poderiam trazer para a população, algumas medidas foram propostas, como a restrição de singapureanos e a implementação de um sistema de exclusões, que explico a seguir.

Foi estipulado pelo governo que, caso um singapureano queira ir a um dos cassinos, terá que desembolsar S$100 de ENTRADA. Turistas e expatriados poderão entrar de graça.

Sobre o sistema de exclusões: caso alguém tenha algum parente viciado em jogo pode ligar desde já para o hotline criado pelo governo para informar nome, número do documento, etc, e BLOQUEAR a entrada dessa pessoa num dos cassinos. Você também pode fazer isso voluntariamente, se sentir que a inauguração do paraíso é uma ameaça à sua integridade.

Estou achando isso tudo muito interessante. Primeiro, todo mundo sabe que aqui o governo tenta controlar tudo. Não me surpreende que queiram controlar mais uma coisinha que irá contribuir para manter o equilíbrio e evitar problemas sociais, mas não deixa de ser curioso. Não sei se essa coisa de bloquear pessoas do cassino existe em outros países, mas até que eu achei uma boa ideia (evidente que no Brasil isso jamais funcionaria, neguinho ia encontrar um “jeitinho” de contornar a lei).

Um dia desses toquei no assunto com um taxista (adoro conversar com os taxistas normais, que não cheiram noodles e não tem tique nervoso), e perguntei o que ele achava da taxa de entrada para os locais. Me surpreendi com a resposta, dada aos berros: “DEVIA SER MUITO MAIS!” Ele justificou explicando que o vício na jogatina faz parte do DNA dos chineses. Entendi o ponto de vista dele, agradeci, paguei a corrida e desde então minha curiosidade só aumentou.

Depois desse episódio, em quase todo táxi que eu entro puxo papo sobre o cassino. Até agora só aquele primeiro taxista concordou com a atitude do governo... Todos os outros acham o fim da picada, e gostariam de ter o mesmo direito que todas as outras pessoas, de entrar no cassino sem pagar taxa de entrada.

Na verdade, eu duvi-d-o-do que metade das pessoas com quem falei realmente fossem frequentar algum dos cassinos. Entendo que o fato de haver uma lei que diferencia os locais de todos os outros seja, no mínimo, irritante, mas acho sinceramente que não vai afetar em nada a vida deles.

Fico imaginando o que aconteceria se resolvessem cobrar taxa de ingresso para os shopping centers. Aí sim eles enlouqueceriam e o governo conheceria a fúria adormecida dos “pacatos” singapureanos.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Chiang Mai - Tailândia

Final de semana passado fizemos nossa primeira viagem! A empresa do Steven organizou um final de semana para “team building” e esposas/maridos também foram convidados. Sorte minha! Mas como não foi uma viagem planejada por nós, o destino não foi escolhido, mas nem por isso deixamos de aproveitar. Eu, na minha ignorância completa e absoluta em geografia asiática (a não ser por localização dos países e algumas capitais – mas estou trabalhando nisso), nunca tinha ouvido falar em Chiang Mai.

Acontece que Chiang Mai é a segunda maior cidade da Tailândia. Localizada no norte, perto da fronteira do Mianmar e Laos, tem aproximadamente 2 milhões de habitantes e uma importância histórica por causa da rota da seda. Apesar da cidade em si não ser grandes coisas, tem algumas atrações extremamente interessantes em volta, o que justifica o grande número de turistas.

Chiang Mai não me pareceu muito diferente de uma cidade de médio porte no Brasil. Na verdade, me lembrou muito das cidades que visitei em 2008 com a competição do Melhor Motorista de Caminhão do Brasil (meu passado me condena). Não fosse pelas pessoas, direção no trânsito, idioma e outros detalhes, poderia achar que estava em Rondonópolis.

Enfim, Chiang Mai é um destino popular entre os turistas por causa das lujinhas, templos budistas, natureza e elefantes. Sim, eu sei que elefantes fazem parte da natureza mas eu queria dar um destaque especial a eles. Vocês já vão saber porquê.

No primeiro dia, caímos num golpe de agência de turismo. Descemos do avião crentes que íamos fazer um city tour, mas o que fizemos foi um shop tour. Não vimos nada além de “fábricas” para turista ver com direito a lojinha no final. A sequência foi: “fábrica” de guarda-sol e leques, “fábrica” de seda, “fábrica” de jóias, “fábrica” de couro, loja de mel (essa foi a pior de todas), e restaurante/loja de produtos chineses bizarros, que servia bird’s nest (ninho de passarinho) e shark fin’s soup (sopa de barbatana de tubarão) e vendia coisas comestíveis que me recusei a ver. Sentei na sarjeta com metade do grupo que também não estava satisfeito com o “tour” enquanto as mulheres singapureanas se acabavam em compras (aliás, foi tudo que elas fizeram nessa viagem – nunca vi nada parecido, mas a justificativa é que os preços são BEM menores que em Singapura. E são mesmo).

Depois do mico diurno, tivemos a noite livre. Então pegamos um tuk-tuk, o mais popular meio de transporte da Tailândia, alternativa ao táxi(um triciclo com uma garupa coberta que comporta até três pessoas), e lá fomos nós para um restaurante recomendado por alguém. (o video do trajeto no tuk tuk será colocado no Flickr)

No dia seguinte acordamos cedo e tínhamos programação intensa: visita a um acampamento de elefantes e a uma vila onde moram diversas tribos.

A experiência no Maesa Elephant Camp foi muito melhor do que esperávamos. A localização é maravilhosa, no meio das montanhas, e o Maesa é o lar de quase 80 elefantes e seus mahouts (treinadores). Lá você pode andar de elefante, assistir a um show divertidíssimo, vê-los tomando banho no rio e tirar fotos, muitas fotos. Eu quase enlouqueci no tempo que estivemos lá, me surpreendi com a inteligência dos animais, de como são bem tratados e como parecem felizes. Vi elefantes tocando gaita, jogando futebol, pintando quadros... não, não enlouqueci, e as fotos e vídedos estão no Flickr para provar.

Depois, fomos para Baan Tonluang, uma vila na montanha que abriga pessoas de várias tribos diferentes: Karen Padong (Long Neck), White Karen, Lahuchibalah, Mong (meo) e Pharong (Long Ears). A grande atração da vila são as mulheres da tribo Karen Padong, que usam aquelas argolas para deixar o pescoço bem comprido. Elas são originalmente de Mianmar, mas se exilaram na Tailândia em busca de uma vida melhor. As mulheres da tribo vivem de artesanato, não sei bem o que os maridos fazem. Elas acreditam que quanto maior o pescoço, mais bonitas elas são. Conheci uma que tem a minha idade e 25 argolas, que pesam mais de 5 kilos. E ela ainda quer colocar mais.

As meninas são extremamente tímidas, e não parecem tão felizes de terem virado atração turística. Percebi que não gostavam que tirassem foto delas, e fiquei morrendo de pena. Era quase como se elas fossem uma atração de circo, já que as pessoas iam lá só para vê-las, e não para comprar artesanato. Eu mesma acabei não comprando nada, e me arrependo muito. Mas a experiência também foi super legal e recomendo o passeio – e também que levem dinheiro trocado para comprar os itens lindos que elas vendem.

Uma viagem à Tailândia não é completa sem uma boa massagem (que de sexual não tem nada, ao contrário do que dizem no Brasil). E como a cada 10 metros tem uma casa de massagem, não é difícil, nem caro, se render a 1 ou 2 horas de relaxamento. Uma delícia.

E para fechar a viagem, fomos a um templo budista (não dá pra ir à Tailândia e não visitar nem unzinho), o Wat Doi Suthep (Wat é templo em tailandês), o mais importante da região. Localizado no topo de uma montanha a quase 2 mil metros de altitude, esse templo do século 14 é maravilhoso. Grande, cheio de monges circulando e trilhões de turistas – lado negativo da história. Valeu a pena para ver um templo budista tailandês, acender um incenso e uma vela e dar três voltas na pagoda para dar sorte e tirar mais trocentas fotos.

Antes de irmos embora, me rendi a mais uma sessão de massagem – dessa vez de reflexologia. Passei uma hora inteirinha tendo os pés e a cabeça massageados por uma moça do tamanho de um pigmeu mas com a força de um elefante.

Resumindo o que talvez seja o maior post que já escrevi, a Tailândia é o máximo. Bom para novas experiências, massagem, comida (me entreguei total, comi de tudo, queimei a língua com os temperos e enjoei do lemon grass (tradutoras, a little help?) que tem gosto de sauna, mas no geral gostei muito!) e, claro, compras.

Afinal de contas, a Tailândia é cheap cheap*!

*cheap cheap é o que todo mundo que está vendendo alguma coisa na Tailândia fala (ou grita) o tempo inteiro, para atrair ou convencer os clientes a comprar algo

terça-feira, 14 de julho de 2009

Sobre visitas

Essa semana recebemos hóspedes – um casal de amigos holandeses, que fez uma visita parcelada em duas vezes, com direito a viagem à Tailândia no meio.

Quem mora fora sabe como funciona o esquema das visitas. Minha amiga Luiza morava em Barcelona, um dos destinos mais populares na Europa, e um dia me mandou um email gigante explicando que o número de amigos (e nem tão amigos) indo visitar era tão grande que ela não aguentava mais. Estava estafada.

Acho que isso não vai acontecer comigo aqui, por que é longe pra dedéu, e por que não é um destino tão popular assim. Mas já na minha primeira experiência com visitas deu pra ver os dois lados de hospedar gente em casa.

Visitas exigem atenção e cuidado. Você tem que planejar, preparar a casa, uma programação interessante. Tem que estocar comida e bebida pensando nos gostos de cada um. Tem que pensar nos imprevistos e deixar tudo limpo, lindo e organizado para agradar seus hóspedes e causar uma boa impressão.

Receber visitas é ótimo por que você passa tempo com amigos queridos, pode mostrar a cidade onde está morando, se diverte, dá risada, mata as saudades, põe o papo em dia, etc. A casa fica cheia, a programação é intensa e tem coisas que você só faz quando vem gente de fora.

Já o lado ruim, merece uma lista... que vou fazer como se fosse um guia de do’s and don’ts (e sim, serve como desabafo da experiência mais recente):

1) Quando te perguntarem o que você gostaria de ver e fazer durante sua temporada na cidade, seja claro, fale quais são seus interesses e o que você não faz a mínima questão de fazer para não desperdiçar o tempo de ninguém – nem o seu, nem o do seu host.
2) Não reclame o tempo inteiro que não tem dinheiro. E se reclamar, aja de acordo, e não peça entrada, prato principal e sobremesa nos restaurantes, e não saia comprando tudo que vir pela frente.
3) Reclamar que a cidade é cara o tempo inteiro e toda vez que vir uma conta não é legal. Venha sabendo que Singapura é caro e tente reduzir os comentários negativos em 50%.
4) Pode reclamar do calor, que é grande mesmo, e pode usar o ar condicionado à vontade. Desde que você esteja no ambiente ou prestes a entrar lá. Ar condicionado ligado o dia inteiro só serve para refrescar os fantasmas e bombar a conta de luz.
5) Ajude um pouquinho nas tarefas da casa: lave a louça do café da manhã, recolha os trocentos copos que você usa e vai deixando por onde passa, não deixe seus pertences jogados no chão da sala.
6) Ofereça ajuda: para limpar, arrumar ou comprar algo. Provavelmente o host não vai aceitar, mas vai ficar feliz de ouvir sua oferta. Mostra atenção e cuidado.
7) Agradeça seus hosts, traga um presentinho, e se não der, ofereça para pagar uma refeição ou a conta do supermercado. Qualquer demonstração simples de gratidão serão muito bem vindas.

Essas são sugestões simples para tornar a experiência mais agradável, e, quem sabe, ouvir seus hosts dizerem (sinceramente) que esperam seu retorno.


PS- Não me entendam mal, continuo querendo receber muitas visitas! Não precisam ficar com medo de que eu vou postar um texto aqui no blog reclamando de vocês assim que passarem no portão de embarque. Claro que não vou fazer isso, mas se necessário for vou usar o blog do Steven e escrever em holandês! HA! Just kidding.

domingo, 12 de julho de 2009

Singapura: Desenvolvimento urbano

Singapura é um país em constante evolução. Apesar da mania de grandeza, que faz com que eles tentem bater todos os recordes imagináveis (a maior fonte do mundo, o bar mais alto da Ásia, a maior roda gigante do mundo e por aí vai) e transforma a cidade num campo de obras, muita coisa interessante acontece por aqui.

O desenvolvimento urbano é ordenado e pensado para melhorar a vida da cidade, deixando-a mais bonita, sim, por que não? A cidade é bem verticalizada, cheia de prédios empresariais imensos e condomínios extravagantes (em geral onde os expatriados moram - a maioria dos locais moram em HDB (sistema público de habitação), que de modernos e bonitos não têm nada, mas também estão presentes no centro), shoppings e monumentos.

Acho que o povo aqui valoriza muito o fato do país ter se desenvolvido tanto em tão pouco tempo, e por isso adoram exibir seus arranha-céus e prédios modernosos. Mas me parece que eles ainda não estão satisfeitos com o que já têm, porque a cidade inteira está em obras. A vista da Singapore Flyer mostra um mar de guindastes, a perder de vista. Nós vimos oito apartamentos para alugar no centro e todos sem exceção tinham pelo menos um prédio sendo construído por perto. Ou seja, barulho de obra é default.

Conversando com um casal mais experiente (ele francês, ela holandesa), perguntei o que vai acontecer em Singapura quando o espaço disponível para construir mega empreendimentos acabar. “Simples”, disse o francês. “Eles derrubam o velho e constroem algo super moderno em cima. E isso nunca vai mudar em Singapura”.

No momento, a grande tetéia das obras é o mega complexo Marina Bay Sands, parte do Integrated Resorts - IR para os íntimos (eles adoram siglas... deviam fazer um dicionário para os forasteiros!). São três prédios com lojas, restaurantes, que serão interligados por um jardim aéreo imenso, e o ponto mais importante de todos: o primeiro cassino de Singapura. E esse é um assunto muito, mas muito polêmico. Que vou falar num próximo post.

Mesmo com essa obsessão por mega construções, a ilha também é bem arborizada e tem aproximadamente 50 parques espalhados pela cidade – coisa que também é muito valorizada e apreciada por todos.

O ponto é que Singapura vive se reinventando, e isso tem o lado positivo e o negativo. Não sou arquiteta, nem urbanista, nem nada parecido, mas se eles conseguirem continuar fazendo isso ao mesmo tempo em que se preocupam em preservar a história e identidade do país, que mal há?

Curiosidade: o Merlion, símbolo da cidade, metade leão, metade peixe foi criado em 1964 pela STPB (Singapore Tourist Promotion Board), e portanto por anos e anos as pessoas estavam acostumadas a vê-lo na beira do rio. Uma conhecida foi morar na Inglaterra por alguns anos e quis visitar o Merlion quando voltou pra Singapura, mas... surpresa!! Não estava mais lá. Em 2002, alguém decidiu que aquele não era o melhor lugar e resolveu movê-lo. Vocês já viram monumento mudar de lugar? Esse é só um exemplo do que Singapura é capaz de fazer.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Singapura: Idioma

Por ter sido uma colônia da Inglaterra por mais ou menos 140 anos até 1963 (tipo anteontem), não é estranho que Singapura tenha herdado o sistema legal e o idioma para administração, negócios e educação nas escolas. Mas são quatro os idiomas oficiais: inglês, mandarim, malaio e tamil – e o extra-oficial, que expliquei aqui.

Sobre o singlish, acredito que seja o preferido entre os locais quando estão conversando entre si. Mas a maioria dos singapureanos têm a habilidade de mudar rapidamente entre singlish e inglês. Se um ang mo entra na roda, eles automaticamente começam a falar inglês. A diferença é nítida, e apesar de poder pescar algumas palavras ou o tema geral da conversa, só vai entender tudo quem fizer estágio intensivo com os locais.

Mas é verdade que mesmo o inglês falado aqui é diferente. Tão diferente quanto o adotado nos EUA, Inglaterra, Austrália, etc, quando comparados. Assim como cada país tem sua particularidade, em Singapura você nota a diferença no sotaque, expressões e, again, entonação. Eles não gostam de serem ridicularizados pelo jeito como falam inglês, e garantem que muita gente aqui dá um baile em muito americano - questão de orgulho, estereótipo e cultura.

Uma curiosidade: as pessoas que trabalham no rádio e televisão passam um tempo fora (Inglaterra ou EUA) aperfeiçoando a fala para soarem mais “ocidentais” – ou seria “internacionais”? A pergunta é: se eles têm tanto orgulho do inglês singapureano, por que é que vão para outro país para aprender a falar como “o resto do mundo”?

Outra curiosidade: a maioria dos Peranakans (que expliquei no post anterior) tem ascendência Hokkien, e mesmo assim o governo adotou o mandarim como dialeto chinês oficial. No passado os hokkiens devem ter ficado muito bravos com essa determinação, mas acredito que a essa altura já estejam habituados. Ou não.

Enfim, tudo o que você precisa para viver em Singapura é uma mente aberta, um bom senso de humor e cotonetes.

O resto a gente vai aprendendo aos poucos.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Singapura: População

Essa pequena grande ilha atualmente tem 4.84 milhões de habitantes. A população é bem variada, um mix de várias etnias e culturas diferentes, quase ou mais bagunçado que o Brasil. Uma paçoca só.

Mas vou tentar simplificar: os habitantes originais eram malaios e aborígenes chamados “Orang Laut”, literalmente “povo do mar” em malaio.

Atualmente, a maioria é descendente de chineses, seguida de malaios e indianos. Em números aproximados: 75% chineses, 13% malaios e 8% indianos (o restante são eurasians (europeus que casaram com asiáticos) e árabes, que juntos chegam a 2%) Portanto se alguém cair aqui de páraquedas sem saber onde está, vai ter certeza que está na China.

Desses descendentes de chineses, há ainda os Peranakans, um povo importante na história de Singapura. Peranakan é uma raça híbrida, uma mistura de chineses e malaios, com influência de outras culturas (de Portugal, Holanda, Indonésia, entre outros).

Durante séculos, as riquezas do sudeste da Ásia eram trazidas por comerciantes estrangeiros. Enquanto muitos retornavam à seus países de origem, alguns permaneceram na região e se casaram com as mulheres locais. Em malaio, o termo “peranakan” significa “nascido na região”. Os chineses peranakan são descendentes dos comerciantes que se acentaram em Malaca (na Malásia) e ao redor da costa de Java e Sumatra (Indonésia) no início do século 14. No século 19, os chineses peranakans, atraídos pelo comércio, migraram para os portos de Singapura.

A cultura Peranakan é forte e muito rica. Visitei o Peranakan Museum duas vezes e fiquei super impressionada. As cores, os hábitos, as crenças, as jóias... Recomendo!

Andei percebendo que os locais não apreciam nada o número crescente de imigrantes chineses nos últimos anos. Há uma certa rivalidade, os singapureanos reclamando que os chineses vêm pra cá explorar Singapura, enquanto esses tiram sarro que os singapureanos não falam mandarim direito (vou falar sobre o idioma num próximo post). Dizem os locais que identificam de longe se a pessoa é chinesa ou não, mas eu ainda não sei distinguir.

Os malaios são ainda mais difíceis de identificar, por que eles podem ter a pele mais escura, mais ou menos como a de pessoas provenientes da Índia e Sri Lanka, ou caso sejam Peranakan também podem parecer chineses. Tricky. Na dúvida, melhor não bancar o esperto e tentar adivinhar.

Por que é fato: não há uma cultura singular em Singapura. Pensando bem, será que ainda há no mundo um lugar com população homogênea?


Fonte: Wikipedia, Peranakan Museum e Ange Teo, amiga e empresária, oferece treinamento intercultural para expatriados

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Singapura: Geografia e clima

Singapura é uma ilha de aproximadamente 700km2 localizada no sudeste da Ásia. A ilha principal tem 42km de comprimento e 23km de largura. O restante consiste em pequenas ilhas e ilhotas (63, para ser exata), que podem ser tanto área militar, quanto industrial, um aglomerado de pedras e Sentosa, é claro. Os vizinhos são Malásia e Indonésia. O ponto mais alto de Singapura é Bukit Tima hill, com 166 metros de altitude.

Aproximadamente 23% da ilha consiste em florestas e reservas naturais. Se você gosta de orquídias, vai adorar a coleção no National Orchid Garden. Você pode até batizar uma das orquídeas com o seu nome, desde que desembolse uns S$100 mil dólares singapureanos.

Pela proximidade com a linha do Equador, o clima em Singapura é quente e úmido o ano inteiro. Dizem que as temperaturas variam de 22ºC a 33ºC, mas nunca vi 22ºC e já senti que passou de 33ºC. Em média, a umidade relativa do ar fica em torno de 90% pela manhã e 60% à tarde. Junho e julho são os meses mais quentes (e como), de agosto a outubro é época de haze (cerração/nevoeiro causado pelas queimadas que acontecem na Indonésia nessa época do ano) e em novembro e dezembro é época das monções (ventos sazonais).

Como não há estações definidas, não tem muito como classificar alta e baixa temporada. Mesmo assim, me parece que entre janeiro e fevereiro é a melhor época para vir para cá. Não é tão quente quanto no meio do ano, e ainda há o Ano Novo Chinês para encher os olhos.

Fonte: Lonely Planet, e minha própria experiência!

Singapura: Introdução

Antes de vir para cá eu mal sabia onde Singapura ficava. Sabia que era longe, que era "pros lados da China" e que era super moderno e desenvolvido. Como sei que tem muita gente que tem as mesmas dúvidas que eu, resolvi fazer uma série de posts para dar uma visão geral do país.

Ainda não sei quantos serão, eles vão sendo desenvolvidos com o tempo. Se alguém quiser saber alguma coisa específica, é só avisar que eu me informo!