quarta-feira, 10 de junho de 2009

Etiqueta

Antes de vir para cá fizemos um curso em Amsterdam, com algumas dicas de como se comportar num ambiente de negócios, o que esperar dos locais, e do’s and dont’s. Foi muito útil, mas algumas coisas você só aprende mesmo na prática.

Assim como na China, em Singapura você tem que tomar o maior cuidado quando vai entregar alguma coisa a alguém. Seja um cartão de visitas, dinheiro, cheque ou cartão de crédito, sempre deve-se segurá-los com as duas mãos ao oferecê-lo a outra pessoa.

Já se for passar outro objeto, como um copo, por exemplo, pode usar uma única mão – desde que a outra mão sirva de apoio no antebraço da mão que segura o objeto. É falta de educação estender o bração avulso. Também não é recomendável não estar de frente para a pessoa para quem você está dando algo (não pode estar de lado, ou meio de saída) como muitas vezes nós fazemos sem pensar. Aqui entregar algo a alguém é quase como um ritual, que deve ser respeitado.

Ao mesmo tempo, não é de bom tom olhar fixamente nos olhos de alguém. Essa regra não vale para todo mundo, mas os descendentes de chineses mais tradicionais falam com você olhando para outra coisa. Isso pode ser EXTREMAMENTE irritante, porque no ocidente estamos acostumados a achar que, se alguém não te olha nos olhos, é por que tem algo a esconder. Aqui, não. Mas conheci uma singapureana descendente de chineses que também se irrita profundamente com isso, então acho que varia de pessoa para pessoa.

Outra coisa que estou tendo que (re)aprender é a não apontar. Ok, minha mãe já tinha me ensinado isso quando eu era pequena, mas no Brasil eu podia apontar para um prédio, ou para uma direção sem ofender ninguém. O que não podia era apontar para pessoas (certo mom?). Aqui não pode de jeito nenhum apontar com o dedo indicador, para nada. Se você quiser mostrar alguma coisa que está longe, pode estender o braço desde que mantenha a mão fechada, com o dedão por cima – esse será o responsável por indicar o que quer que seja. (se não ficou claro, façam um jóia com a mão e depois deitem o dedão em cima do indicador – é mais ou menos isso).

Pra mim essa é uma das coisas mais difíceis. Eu sempre começo apontando com o indicador até me lembrar de que não devo. Acho que os locais até percebem a palhaçada, mas sabem que você está se esforçando.

E em Singapura, como me qualquer outro lugar do mundo, esse é o grande segredo para ganhar a simpatia do povo. A intenção de fazer a coisa certa e se adequar aos hábitos e cultura locais derruba barreiras e antipatias.

A não ser que você cruze com uma daquelas pessoas insuportavelmente chatas e azedas que só fazem reclamar da vida e dos “expatriados que estão sugando Singapura”. Aí, meu amigo, melhor correr pra longe dali que esse não vai abrir um sorriso banguela nem se você fizer coceguinhas.

PS – claro que nem todo mundo é banguela aqui, mas já pude notar que o consultório do dentista não é um lugar que eles visitam com frequência.

4 comentários:

  1. Você está tendo uma oportunidade incrível, depois da Holanda, Singapura! Quanta diferença cultural, e isso é no mínimo enriquecedor!
    Aproveite e conta tudo pra gente aqui :).
    Bjos e até.

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  2. Má, quanta peculiaridade né!
    Eu tb sentiria dificuldades em me adaptar a coisas que consideramos tão normais e que em Singapura é considerado tão ofensivo!
    Bom, conta mais pra gente! to adorando!!
    beijo!

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  3. Surreal... acho que ia ter que amarrar o indicador pra não apontar! E esse papo de estar de frente e usar as duas mãos pra entregar algo???

    oh my.

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  4. Amiga, como se viram os deficientes auditivos neste país? Como eles fazem leitura labial se os caras não olham para eles ao falar? E os visuais se ninguém os toca?
    Olhe, a Claudia Matarazzo e Mara Gabrilli acabaram de lançar um livro de etiqueta para lidar com deficientes, vou avisá-las para passar para o mandarim e te enviar um exemplar, aí vc divulga!
    Bj
    Lilian - Movimento Superação

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