domingo, 28 de junho de 2009

Thriller

Michael Jackson foi o primeiro ídolo da minha geração que morreu. Não vi Elvis, Marilyn Monroe, Beatles, Jimi Hendrix, Janes Joplin entre tantos outros que partiram antes de eu chegar. Mas Michael Jackson eu vi. Quando era pequena morria de medo do clipe "Thriller" por causa dos zumbis. Enquanto eu crescia ele ia ficando mais branco, fez algumas músicas que não eram tão boas quanto as antigas, mas eu continuava ouvindo. Perdi o show dele em São Paulo por que eu era muito nova e meus pais não me deixaram ir (mas a Carol foi e me contou tudo!), e estava morrendo de inveja das pessoas em Londres que em breve teriam a chance de vê-lo ao vivo.

Mas então ele se foi, chocando o mundo, como não poderia deixar de ser. Michael Jackson nunca chegaria a uma idade avançada. Ídolos não foram feitos para viver até os 100 anos. It comes with the job.

Seus CDs estão novamente entre os mais vendidos do mundo. No Facebook, Twitter, MSN, blogs, o tema é sempre o mesmo: a vida e a morte de Michael Jackson.

Para finalizar, queria compartilhar um vídeo feito pelos presos do CPDRC (Cebu Provincial Detention and Rehabilitation Center), um presídio de segurança máxima nas Filipinas (aqui do lado!). O vídeo é um viral incrível que já foi visto mais de 25 milhões de vezes no You Tube.

Fui pesquisar sobre o CPDRC e descobri que a ideia das coreografias veio de chefe do presídio, Byron F. Garcia, que acreditava que dançar seria uma boa atividade física que manteria os presos em forma, e a cabeça no lugar. Isso começou em 2007, e até hoje várias outras coreografias já foram feitas e colocadas no You Tube.

Eles ficaram tão famosos, que fazem uma apresentação mensal aberta ao público. Você pode ir até o presídio, assistir à apresentação, tirar fotos com os presos e até comprar camisetas.

O resultado é de arrepiar (tirando a "mocinha" correndo entre os zumbis. É uma ladyboy com entradas mais profundas do que a da caverna do dragão).



UPDATE:

Esse é o vídeo da homenagem que eles gravaram 10 horas depois de serem informados da morte de Michael Jackson. São quase 10 minutos, com várias músicas, e eles terminam com "We are the world". Muito engraçado ver presos dançando ao som dessa música, será que eles querem mesmo fazer do mundo um lugar melhor?

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Culinária para principiantes

Quando eu era criança, minha irmã mais velha vivia se metendo na cozinha. Fazia bolos, cookies e quitutes e eu ficava sempre rodeando. Até me interessava em ver o que estava acontecendo, mas o que eu queria mesmo era raspar a panela.

Então eu cresci. Entrei na faculdade, mudei para São Paulo e fui morar sozinha. Morei 10 anos naquele apartamento, e conto nos dedos quantas vezes me arrisquei na cozinha (e a melhor delas foi quando eu e meu irmão jogamos água na farofa porque ela estava muito seca). Eu basicamente só comia comida congelada ou em restaurantes/bares com os amigos.

Sempre me incomodei com o fato de não saber cozinhar. Além do mais, detesto jogar comida fora, com tanta gente passando fome no mundo. Então me virava com ovo, macarrão e coisas básicas, mas não me arriscava a fritar um bife. Até que, enquanto me preparava para mudar para a Holanda, resolvi fazer um cursinho básico de culinária.

Lá fui eu, com minha irmã e minha amiga Eli (minha irmã só foi para se exibir pra gente, certeza!) para a escola de cozinha. Em dois dias, aprendi fazer muita coisa boa, inclusive a tal farofa “molhadinha”, que pasmem: não precisa de água. Fiquei tão empolgada com o curso que, antes de ir para a Holanda, fiz o almoço de dia dos pais para minha família. Sofri horrores, fiquei sentada na frente do fogão olhando o frango assar, morrendo de medo de dar errado, mas no final das contas até que deu pro gasto.

Então cheguei na Holanda. Fazer supermercado num país diferente pode ser divertido, mas também muito estressante. No final das contas o Steven comprava o que já estava acostumado a fazer, e como ele já sabia cozinhar algumas coisas acabou fazendo o jantar para nós dois praticamente todo dia. Eu até me arrisquei umas duas vezes, mas fiquei nervosa, fiz bagunça e acabei tendo que pedir ajuda dele. A única receita do curso que consigo fazer perfeitamente são panquecas de carne.

Voltei para o Brasil, e resolvi continuar tentando – mas como estava de regime para O casamento, só comia grelhado com legumes no vapor (do microondas).

E então vim parar em Singapura. Até me viro bem no supermercado mas ainda não sei o que são alguns legumes e tenho receio de comprar carne e frango porque acho tudo esquisito e não entendo o que diz a etiqueta (estou muito perto da China pra me arriscar a comprar algo que não entendo...). Mas achei um açougue que vende até picanha, linguiça e guaraná, e lá me sinto mais segura.

Além disso, o calor é um agravante. Se você fecha tudo e liga o ar condicionado, acaba defumando a casa inteira. Se abre as janelas, o ventilador não dá conta da responsabilidade que é te refrescar. Então o jeito é comer fora (que além do que é mais barato, se você for num hawker centre).

Mas essa semana resolvi estreiar a cozinha. Fui num site de culinária para principiantes, peguei uma receita de hambúrguer ao molho de mostarda com galete de batatas e lá fui eu pro açougue. Comprei tudo, arrumei tudo, planejei tudo, mas chegou a hora H e fiz tudo errado. Tudo, não, até que as batatas ficaram boas, mas a carne torrou de um lado, só lembrei do molho (que era o tchans do prato) quando já estávamos na mesa, e ficou parecendo que um tufão de gordura tinha passado pela nossa cozinha. É, inox é moderno e lindo, mas faz uma sujeira...

Depois daquele jantar me senti um fracasso. Fiquei refletindo se eu era um caso perdido ou não, e se deveria simplesmente aceitar esse fato e partir pro restaurante.

Mas hoje acordei me sentindo mais confiante e resolvi fazer o almoço. Quando cozinho só pra mim, tem menos pressão e fico mais à vontade. Então fiz um arroz, peito de frango com o molho de mostarda de ontem que tinha esquecido na geladeira, e salada.

Apesar de ter queimado um pouquinho o fundo da panela, o arroz ficou uma delícia!! Já estou conseguindo fazer com que fique menos papa, e o tempero está do meu gosto. O peito de frango ficou no ponto certo, e, modéstia a parte, arrasei no molho!

Então, minha gente, acho que os experts estão certos. Você tem que tentar, errar bastante, insistir mais um pouco, que uma hora você acerta...

PS- não sejam tímidos, me mandem dicas. Toda ajuda é bemvinda!

domingo, 21 de junho de 2009

Os primeiros hóspedes

Semana passada recebemos as primeiras visitas! Um casal de amigos da Holanda que estava viajando pela Austrália fez um “pit stop” de uma semana antes de irem para a Tailândia por 3 semanas, e depois voltam por mais uns 4 dias.

A semana foi intensa, cheia de programações, passeios, repetecos e coisas novas. Encarnei a guia turística e na próxima visita acho que já vou poder tirar minha credencial. O mais difícil da estória toda é que grande parte do tempo eles falavam em holandês comigo. Não era de sacanagem, não, é bom para eu praticar e eles disseram que estavam cansados de falar inglês. Mas confesso que respondia em inglês, porque se tivesse que falar... ia ser um show de mímica.

As novidades no roteiro turístico foram: Little India, Arab Quarter e o River Festival. O bairro árabe foi o que mais gostamos, todas as lojas de tecido, roupas, restaurantes, costumes... Nosso amigo queria comprar um turbante a qualquer custo (!) e é o tipo de pessoa sem papas na língua, então simplesmente sai perguntando o que quer e faz amigos em todos os lugares.

Às tantas ele entra numa loja e pergunta para o vendedor (mais muçulmano impossível)

- Quanto custa a burca?

Tive que sair da loja pra rir na calçada. E ele ficou lá tendo uma aula de burca, como usa, quem usa, etc e ainda por cima saiu com uma sacolinha (não era a burca inteira, só o véu preto para cobrir a cabeça inteira menos os olhos).

Em outra loja ele tentava explicar que tipo de turbante queria e, como a vendedora não entendia, ele falava:

- Aquele que o Bin Laden usa!

Eu morri de vergonha, de medo das pessoas não gostarem das perguntas dele, mas no final das contas descobri que os muçulmanos têm muito orgulho de poder explicar um pouco da cultura deles. Saímos de lá sem turbante, mas com um CD de canto religioso e a metade da burca. Infelizmente não achei uma esfiha pra matar minha saudades do Almanara, mas comi um sanduíche com hommus e já fiquei feliz.

Little India deixou a desejar. Talvez fizesse muito calor, talvez nós tenhamos andado pelas ruas erradas mas eu achei um lixo. Sujo, velho e fedido, como imagino que a Índia deva ser (perdoem a honestidade).

Já o River Festival foi legalzinho. Jantamos num restaurante à beira rio, e ficamos vendo a parada de barquinhos coloridos e iluminados passando pelo rio. Ontem teve fogos de artifício que vi da varanda de casa e hoje tem mais um evento que ainda não sei se vamos.

Acontece que as visitas me trouxeram um resfriado. Você espera receber flores, um vinho, um ímã de geladeira de canguru... mas não, eles trazem gripe. Então estou meio de molho.

Semana que vem a vida volta ao normal. Pelo menos até as visitas voltarem...

sexta-feira, 12 de junho de 2009

O golpe do monge budista

Dia desses estava almoçando no terraço de restaurante aqui do lado de casa, um lugar super agradável na beira do rio. Paguei a conta e, enquanto esperava o troco um monge budista veio até à minha mesa e me deu um cartãozinho dourado. Aceitei, e logo ele sacou uma caderneta do bolso para eu colocar meu nome, país, etc, e enquanto eu segurava a caneta ele puxou meu braço e colocou uma daquelas pulseiras budistas. Tudo aconteceu tão rápido, que não tive tempo de pensar, sequer reagir. Então ele puxou a cadeira e sentou do meu lado. Em seguida a garçonete chegou com o troco, quase 40 dólares, e só então vejo que na caderneta há a coluna “quantia doada”. Shit, pensei, não tenho como falar não para um monge budista, não é mesmo? Ao mesmo tempo não quero dar todo o dinheiro. Então estendi 12 dólares, ao que ele responde “20”. Saquei que tinha algo errado, mas fiquei meio em choque, e entreguei mais 10. Não conseguia conceber a idéia de ser roubada por um monge. E então ele apertou minha mão e foi embora.

Então fiquei completamente em choque, por que outro dia aprendi que monges budistas não podem encostar em mulheres. Por alguns minutos ainda fiquei duvidando que se tratava de um golpe, afinal de contas ele tinha uma cara “boa”, e pelo amor de Deus, ERA um monge.

Pois é, meu povo, caí num golpe. Deixei minha ingenuidade e ignorância interferir no meu bom senso. Eu, brasileira, esperta, rápida e experiente em me livrar de espertinhos fui cair num golpe dos mais manjados de Singapura.

Uma amiga local me explicou que esse é um golpe comum, mas só aplicado nos “brancos”. Disse que normalmente os golpistas não são singapureanos, mal falam inglês (o que segundo ela já devia ser uma indicação de coisa errada) e só investem nos brancos por que somos alvos fáceis, por não sabermos identificar de longe que ele é um monge-farseta. E também explicou que pedir doações para caridade na rua é PROIBIDO e quem quer fazer isso precisa pedir autorização e registrar a ação no governo.

Claro, eu não tinha como saber, e como sou a “estranha” aqui e esse é um país tããão seguro que você não pensa por um minuto que um MONGE vai te roubar. Não só me roubou, como ainda pediu mais. E eu dei.

Como diz a placa que li em Chinatown: LOW crime doesn’t mean NO crime.

E outro ditado que está preso na minha cabeça desde o ocorrido: “fool me once, shame on you. Fool me twice, shame on me”. Tô com pena do próximo monge que se aproximar de mim pedindo dinheiro.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Etiqueta

Antes de vir para cá fizemos um curso em Amsterdam, com algumas dicas de como se comportar num ambiente de negócios, o que esperar dos locais, e do’s and dont’s. Foi muito útil, mas algumas coisas você só aprende mesmo na prática.

Assim como na China, em Singapura você tem que tomar o maior cuidado quando vai entregar alguma coisa a alguém. Seja um cartão de visitas, dinheiro, cheque ou cartão de crédito, sempre deve-se segurá-los com as duas mãos ao oferecê-lo a outra pessoa.

Já se for passar outro objeto, como um copo, por exemplo, pode usar uma única mão – desde que a outra mão sirva de apoio no antebraço da mão que segura o objeto. É falta de educação estender o bração avulso. Também não é recomendável não estar de frente para a pessoa para quem você está dando algo (não pode estar de lado, ou meio de saída) como muitas vezes nós fazemos sem pensar. Aqui entregar algo a alguém é quase como um ritual, que deve ser respeitado.

Ao mesmo tempo, não é de bom tom olhar fixamente nos olhos de alguém. Essa regra não vale para todo mundo, mas os descendentes de chineses mais tradicionais falam com você olhando para outra coisa. Isso pode ser EXTREMAMENTE irritante, porque no ocidente estamos acostumados a achar que, se alguém não te olha nos olhos, é por que tem algo a esconder. Aqui, não. Mas conheci uma singapureana descendente de chineses que também se irrita profundamente com isso, então acho que varia de pessoa para pessoa.

Outra coisa que estou tendo que (re)aprender é a não apontar. Ok, minha mãe já tinha me ensinado isso quando eu era pequena, mas no Brasil eu podia apontar para um prédio, ou para uma direção sem ofender ninguém. O que não podia era apontar para pessoas (certo mom?). Aqui não pode de jeito nenhum apontar com o dedo indicador, para nada. Se você quiser mostrar alguma coisa que está longe, pode estender o braço desde que mantenha a mão fechada, com o dedão por cima – esse será o responsável por indicar o que quer que seja. (se não ficou claro, façam um jóia com a mão e depois deitem o dedão em cima do indicador – é mais ou menos isso).

Pra mim essa é uma das coisas mais difíceis. Eu sempre começo apontando com o indicador até me lembrar de que não devo. Acho que os locais até percebem a palhaçada, mas sabem que você está se esforçando.

E em Singapura, como me qualquer outro lugar do mundo, esse é o grande segredo para ganhar a simpatia do povo. A intenção de fazer a coisa certa e se adequar aos hábitos e cultura locais derruba barreiras e antipatias.

A não ser que você cruze com uma daquelas pessoas insuportavelmente chatas e azedas que só fazem reclamar da vida e dos “expatriados que estão sugando Singapura”. Aí, meu amigo, melhor correr pra longe dali que esse não vai abrir um sorriso banguela nem se você fizer coceguinhas.

PS – claro que nem todo mundo é banguela aqui, mas já pude notar que o consultório do dentista não é um lugar que eles visitam com frequência.

sábado, 6 de junho de 2009

Coincidência??

Às vezes me pergunto se em Singapura sábado tem o mesmo significado do que em outros lugares. Aqui abre banco, correio e muitos escritórios têm expediente normal. Até então isso só tinha servido para meu benefício, mas hoje o Steven também teve que trabalhar. Foi para o Batão, até me perguntou se eu queria ir junto mas, convenhamos, não é um convite dos mais interessantes.

Além do mais, tive que ficar em casa esperando uma empresa retirar os sofás velhos e outra trazer o novo. Ninguém deu muita certeza de que horas viria, então estou plantada no apartamento o dia todo.

Pra complementar a diversão, no meio da tarde dispara o alarme de incêndio do prédio. Será um teste? Um engano? Uma brincadeira de mau gosto? Tento ligar na portaria, mas ainda não sei mexer nesse interfone direito. Tento umas duas vezes, vou na varanda pra ver se tem algum movimento estranho, e nada. Mas o alarme desgraçado continuava me deixando quase surda.

Chego a conclusão de que é melhor pegar o celular e descer a escada do que arriscar. Abro a porta do apartamento para sair e vejo um casal descendo pela escada de emergência. Pergunto se eles sabem de algo, não sabem, mas acharam melhor descer. Começo a descer com eles, conversando.

Chegamos no térreo, e é claro que o alarme para de tocar. Enquanto isso, o papo com o casal continua. Eles também acabaram de mudar. Eles também moraram em hotel e quase enlouqueceram. Eles também reclamam da pressão da água. Ela também está desempregada. Ela também se sente mal de ir pra piscina às três da tarde. Trocamos telefone e combinamos de “catch up” um dia desses.

Conclusão: alarme falso, amigos novos (e pernas mais fortes).

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Qual é a graça?

Singapura foi colonizada pelos britânicos, e por isso acabou herdando muitas coisas da Inglaterra, como: o idioma, a ordem do trânsito (mão inglesa), fish and chips etc. Mas uma coisa que os singapureanos definitivamente não herdaram da terra da rainha Elizabeth, foi o humor.

Não que eu conheça muitos locais – mas já tive contato suficiente para saber que eles não entendem piadas que os ango mo (ou seja, ocidentais) fazem com a maior naturalidade do mundo.

E não é só falta de humor propriamente dito, eles também não tem jogo de cintura e malícia para conversar, me parece um pouco simplista, e eles tomam tanto cuidado para não ofender outras pessoas quando falam. Talvez seja excesso de respeito ao próximo, ou de ingenuidade, não sei...

Tenho um exemplo excelente: estava num restaurante, sozinha, comendo um sanduíche delicioso, de garfo e faca. Às tantas resolvi espetar um tomatinho cereja – como já estava cortado na metade, achei que era uma boa idéia. Não só não consegui segurar o tomate no garfo, como ele espirrou que nem chafariz pela mesa inteira, meu livro e minha roupa.

Comecei a rir sozinha, e a garçonete veio até a mesa. Então eu falei, toda engraçadinha:

- I had a little tomato accident.

E ela respondeu:

- Do you want ketchup?

Ela nem sequer ouviu o que eu estava falando. Simplesmente ouviu a palavra “tomate” e achou que eu estava pedindo ketchup.

Já falei disso com vários outros expatriados, e cada um tem uma história para contar. Às vezes quando estamos em grupo e alguém faz uma piadinha com o garçom, alguém da mesa pergunta pra quê insistir em fazer graça? Eles não entendem e a pessoa acaba fazendo papel de bobo!!

Mas eu cresci rodeada de piadas e bom humor, e depois vieram os seriados americanos (de Seinfeld, Friends a Two and a half men) para ajudar a incrementar ainda mais minha personalidade engraçadinha por natureza.

E sei que já dei muito fora na vida, mas nada se compara com o que vou passar em Singapura. Essa é uma previsão fortíssima, quase uma profecia.

Vocês vão ver.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

The Great Singapore Sale

Todo ano entre maio e julho acontece em Singapura uma promoção que abala a Ásia. The Great Singapore Sale traz descontos e promoções incríveis para os residentes e também para turistas.

Durante dois meses, a maioria das lojas e shoppings adere à campanha, criada para estimular o turismo e a economia dessa pequena grande ilha.

Como o grande esporte nacional é fazer compras (comer e jogar badminton também estão entre os favoritos, mas ainda acho que comprar é o que eles mais gostam de fazer), vocês já podem imaginar a loucura.

A campanha não é só válida para lojas. Em toda a cidade você encontra promoções em spas, cabelereiros, restaurantes e cafés.

Esse ano The Great Singapore Sale acontece de 29 de maio a 26 de julho. Nessa época, os maiores shoppings ficam abertos até às 23h (em geral só aos sábados, mas vi um que abre até essa hora todo dia). Algumas lojas oferecem descontos de até 70%, mas como a campanha não é obrigatória, outras reduzem os preços só de alguns itens selecionados só para não dizerem que ficaram de fora.

Mas nem só de descontos é feita a The Great Singapore Sale. Também há prêmios, sorteiros, distribuição de brindes, apresentações de dança e música e privilégios especiais para turistas.

No último final de semana nós estávamos procurando um sofá. Sem saber que a promoção começava exatamente no sábado, fomos para um shopping e só caiu a ficha quando vi multidão de pessoinhas ansiosas, cada uma com a sua sacolinha. Isso torna a experiência bem mais difícil e cansativa, mas basta ter paciência por que o sacrifício compensa. Compramos um sofá do jeito que queríamos com 60% de desconto!

E ao mesmo tempo em que essa loucura está acontecendo, ainda tem o Singapore Arts Festival (de 15/maio a 14/junho), o Singapore River Festival (de 19 a 27/junho), o Singapore Food Festival (de 17 a 26/julho), o Night Festival (10 e 11/julho) e o Singapore Heritage Fest (15 a 26/julho).

Se animou? Vem pra cá! www.greatsingaporesale.com.sg

quarta-feira, 3 de junho de 2009

The waxing experience

Acho que já comentei antes que por aqui existem spas, clínicas de estética e cabelereiros em casa esquina. Manicure é uma coisa bem comum – ao contrário das cores e desenhos que as mulheres fazem nas unhas. Brazilian waxing também é uma coisa fácil de encontrar, mas para quem não sabe, não tem nada a ver com o mesmo método de depilação que usamos no Brasil, e sim como o... digamos, lay-out.

Por isso uma conhecida já tinha me alertado para o perigo de ir em qualquer salão e me recomendado um lugar de confiança, onde eles não arrancam tudo sem perguntar. Apesar de ter visto que a campanha publicitária usava a foto de duas meninas de biquíni e um orangotango, resolvi encarar.

A cera que eles usam é de chocolate, e o cheiro é irresistível... Dá vontade de comer! A maioria das moças que trabalham lá não é de Singapura. Hoje, minha depiladora era a coisa mais fofa que vocês podem imaginar. Uma chinesinha de uns 20 anos, que está aqui há uns 3 meses. O inglês dela é meio capenga, algumas coisas ela fala muito bem (deve ter aprendido no treinamento a falar, moisturizing, sensitive skin, does it hurt? E outras coisas do gênero), mas outras ela simplesmente não entende, então fica olhando pra sua cara com aquele olhar perdido, quase como o gatinho do Shrek!

Bom, desde o começo ela me perguntou se eu gostava de “engrish music”. Às tantas ela me vira e fala que adora aquela “My heart will go on”, que é tão linda e tão romântica!! Fiquei lá segurando a risada, e ela me pedindo pra eu cantar. Expliquei que não tinha a voz da Celine Dion e ela tentando me convencer de que minha voz era óóóótima. Depois de um tempo ela desistiu e começou a pedir para eu falar o nome de outra música em inglês. Que obssessão com música ela tinha, e eu lá, naquela situação, só querendo que ela arrancasse meus pelos pra eu poder ir embora. Mesmo assim, não conseguia ficar irritada com a moça, ela era tão fofa que eu só conseguia sorrir e pensar que diabos eu devia responder.

O serviço em si foi bom, mas bem mais lento do que no Brasil. Mais de uma hora pra fazer o que no Brasil eu faço em 30 minutos com a super-Maria. Aliás, pensei tanto nela durante a sessão... Por que nos momentos de dor, a Maria sempre me distraía falando alguma besteira, com aquele sotaque baiano arretado. Já a chinesinha (que eu não entendi o nome – can you blame me?), quando chegava nesses momentos começava a cantar. Em chinês.

E que voz mais linda!! Dane-se que eu não falo chinês e que a música era meio cafona (não precisa entender a letra pra identificar uma coisa brega, a entonação já basta), mas a iniciativa dela em me distrair foi tão espontânea! E inesperada, diga-se de passagem. Bom, cumpriu o objetivo, que era me fazer pensar em outra coisa.

O tempo todo ela tentou conversar comigo, perguntava como meu inglês era tão bom e como ela podia melhorar o dela. Juro, ela era de uma inocência e de uma ingenuidade... Quase como uma criança, e você tem que medir as palavras para falar com ela – não só por causa do idioma, mas porque sarcasmo não faz parte da vida dela, e meus comentários engraçadinhos não iam fazer o menor sucesso (como já não fazem com a maioria dos locais – mas isso é tema pra outro post).

Quando nos despedimos, ela falou que esperava que eu voltasse ao salão logo para ela poder continuar praticando o inglês dela. Conclusão, eu não só pretendo voltar como ainda vou levar um CD de “engrish music” de presente.


PS – Aninha, pode contar pra Maria essa história. Depois tira uma foto e me manda que quero ver a cara dela!!

terça-feira, 2 de junho de 2009

Hot, hot, hot

Desde que saímos daquele hotel horroroso (sim, ainda guardo ressentimentos) e viemos para o nosso apartamento lindo, estamos pastando para aprender a lidar com o calor.

Apesar apartamento estar voltado para o nascer do sol, se você fechar porta da varanda e janelas, quando entrar na sala de manhã vai se sentir numa sauna. Então a solução foi programar o ar condionado da sala para ligar às 6h da manhã, assim quando o Steven sair ele não derrete.

Eu desligo o ar lá pelas 10h da manhã (claro que eu não acordo às 10h, estou desempregada mas não sou inútil), quando o sol já está saindo da varanda. Depois de 10 minutos de porta aberta já começa a suadeira. Isso considerando que eu esteja parada. Se eu inventar de varrer a sala bastam 2 minutos para começar a pingar.

Deixar o ar ligado o tempo todo enquanto eu estiver em casa não é uma opção – já fomos alertados que a conta de energia elétrica aqui não é brincadeira. O jeito foi comprar um bom e velho ventilador de mesa.

Não existe ventilador bonito, e olha que eu procurei... Acabamos comprando um normalzinho daqueles que gira de um lado pro outro (tinha um que fazia movimentos circulares, tipo o símbolo do infinito, mas era feio de doer), e ele fica ligado bem na minha frente, o tempo inteiro. Desde então minha vida mudou.

Talvez esse post hoje não faça sentido para as pessoas que moram em SP (ou na Holanda, e estão celebrando o verão com todas as forças), mas quem mora nos trópicos vai se identificar.

O pior é que em Singapura não existe estação do ano. Todas as estações são basicamente iguais, com a diferença do período das monções, e consequentemente, chuva. Então sabemos que vamos ter que lidar com o calor e a umidade o ano inteiro, e só nos resta torcer para que em alguns dias o vento sopre mais forte.