terça-feira, 28 de abril de 2009

Comendo como os locais

Negócio é o seguinte: eu sempre fui jacu pra comer e todo mundo sabe disso. Gosto de coisas básicas, tempero caseiro, comida italiana e francesa, e um sushi de vez em quando. No Brasil nunca tinha comido num restaurante chinês, nem indiano, muito menos malaio ou indonesiano.

Claro que Singapura é super internacional em todos os sentidos, inclusive grastronomicamente. Mas, já que estou aqui, sei que tenho que tentar abrir a cabeça (e o paladar) um pouco mais e arriscar novos sabores.

Então hoje saí para almoçar com um pessoal do trabalho do Steven. Me convidaram para ir a um hawker centre (ou food court, que a grosso modo é como uma praça de alimentação de shopping onde cada barraquinha tem determinado menu, normalmente baratérrimo, e você escolhe onde quer comer, escolhe uma mesa e espera a hora de pegar sua bandeijinha). Apesar da minha resistência inicial, eram todos holandeses e se eu fizesse careta ninguém ia se ofender, então resolvi arriscar. No último momento até perguntaram se eu preferia Subway, mas eu mantive minha brava descisão.

Lá fomos nós no meio do Distrito Industrial (tipo uma Cubatão chique com o porto de Santos 20 vezes maior), para um típico hawker centre.

Antes de descer do carro eu já estava me arrependendo. Pensei no bandejão da Scania e todas as vezes que eu reclamei da comida de lá. E então lembrei de todas as vezes que tirei sarro do “almoço” dos holandeses (vulgo café da manhã 2). E antes de ler o cardápio do primeiro restaurante, já estava mordendo a língua e engasgando com o veneno de todas essas reclamações. Sabia que o que me esperava ali não chegava aos pés do que já tinha me feito torcer o nariz antes.

Os holandeses, já escolados nas barraquinhas, fizeram uma breve introdução de cada lugar para que eu escolhesse onde queria comer. Resolvi seguir o Steven, de gosto muito mais confiável do que os outros. E lá fomos nós para o meu primeiro chicken curry singapurês.

A foto no cartaz na porta da barraca não era nada animadora, mas frango com arroz me parecia a opção mais segura de todas. O que poderia da errado?

Tudo. A começar pelo fato que o chinês que serviu a nossa gororoba, quer dizer, prato, ficou rindo do fato de eu ser muito maior do que ele. Depois, porque o tal frango não era nada do que eu esperava... além de estar chafurdando no molho curry, estava cheio de pele e osso. A impressão que eu tive é que eles matam o frango, tiram as penas, metem o facão e botam na panela. Pele, osso e outras partes ficam lá boiando no molho amarelo.

Então enquanto observava os três holandeses devorarem suas comidas suspeitas (não quero nem saber o que tinha nos noodles do outro, devia ser cabeça de peixe, no mínimo), fui disfarçando com meu garfo e colher (não me deram faca, era isso ou palitinho!), pescando um frango e tentando arrancar a pele e jogando o que dava pra comer no potinho do arroz, que graças a Deus era separado.

Fiz umas tentativas, mas de repente aquilo tudo me embrulhou o estômago. O calor, o sabor picante do curry, o aspecto do frango... Não, não rolou. Então mandei ver um pouquinho do arroz e deixei a outra panelinha de lado.

Disfarcei com Coca Light, falei que estava muito calor para comer, sorri amarelo (não por causa do curry, please) e cruzei os talheres.

No fim do almoço, estava me sentindo muito fresca. A menina mimada criada a peito de frango, sem osso nem pele. A princesa do filé mignon.

O primeiro sentimento foi de culpa. Depois de muito pensar nos meus hábitos alimentares, na gastronomia internacional, na boa culinária e na minha saúde estomacal, consegui desencanar.

Confesso que ainda me preocupo com a próxima vez que terei que me aventurar num hawker centre, mas só posso esperar que esse dia demore muito para chegar.

6 comentários:

  1. Má! Não tinha nada mais básico lá?
    eu tb sou fresca e não como frango no Brasil e não comeria em Singapura, agora não mesmo..
    Mas vale a pena experimentar, pra saber se gosta ou não! Tem que aproveitar agora que é novidade, porque daqui a pouco vc vai ter sua casinha e vai comer o que quiser né? Ou o que vc sabe fazer...:)Beijo!!!
    Carol Pira

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  2. HAHAHHAHAHAHAHHAHA...
    Simplesmente excelente!!!!!
    Eu já imaginava que vc fosse passar por essa experiência gastronômica... Mas somente passando para poder rir, né?
    Pode ter certeza que você ainda verá algumas "gororobas" com muita cabeça de sardinha por aí... sim, eles adoram comer a cabeça dos peixes, principalmente a parte dos olhos = vários nutrientes...
    Como sempre, estou me deliciando com seu blog!
    Beijão

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  3. hahaha

    sério, amo curry, mas no calor é dose! E frango com osso e pele me faz torcer o nariz até aqui - implico até com frango assado do marrom glacê, lembra?

    Vai ser difícil encarar a comida local, mas com certeza vai achar alguns pratos interessantes. E thank god for international cuisine!!

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  4. Carol,
    isso ERA o mais básico!!! Mas o que eu posso fazer se só gosto de peito de frango? e que bom que vc gostou do slide show! Para ver as fotos direito, é só clicar lá que te direciona para o Flickr.

    André,
    que NOJO! eu sei que eles comem cabeça de peixe, mas é um nojo.. oh God, espero mesmo que eu sempre encontre uma saída para as comidas estranhas...

    MH,
    você ama o curry que tem aí no Brasil, e em poucas quantidades! Aqui eles nadam em curry...
    Já achei um hawker center mais muderrno aqui perto do hotel, vamos ver...

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  5. amiga jacu,
    fiquei orgulhosa de logo na introdução do post vc ter incluido que rola um japa de vez em quando. eheheheh
    Mas, dear, eu que não tenho restrições alimentares nenhuma não encaro esse franguinho ai não. Sou a favor de você abrir a cabeça, o paladar, o estomago mas sem auto mutilação ;)
    Vai num restaurante típico sem ser um praça de alimentação. Vc acha justo, por exemplo, um sueco ter como parâmetro de feijoada a que servem (???) na bandejão da fábrica em SB toda quarta?
    beijo
    Ni
    ps: cabeça de peixe é bom :)

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