segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Fora do ar

Estou de férias no Brasil e fora do ar até janeiro!!

Boas festas a todos!

sábado, 5 de dezembro de 2009

Flight Experience

Esse ano quis ser original na escolha do presente de aniversário do Steven e, ao invés de comprar mais um presente que qualquer outra pessoa poderia ter comprado, escolhi dar uma experiência.

E como ele queria ser piloto quando era criança, nada melhor do que brincar no simulador de vôo oficial da Boeing!!

O Flight Experience em Singapura é um simulador de vôo parecido com os que as companhias aéreas usam para treinar pilotos comerciais, e o cockpit é igualzinho ao de um avião de verdade. Com um painel de 180º à frente, sons reais e vibração do assento, é fácil esquecer que não é de verdade.

Qualquer um pode usar o simulador, basta escolher o tempo de vôo e pagar! A cabine ainda comporta dois passageiros, então pude assistir às tentativas de pouso e decolagem – mas até que ele não foi tão mal. O melhor de tudo é que o piloto da vez ainda pode escolher os trajetos onde quer voar, de acordo com o pacote escolhido. Nós escolhemos 45 minutos (as possibilidades eram 30, 45, 60 ou 90 minutos), que é mais do que suficiente para amadores, e fizemos três pousos e decolagens: de Singapura a Bali, de Macau a Hong Kong (à noite!) e Rio – Santos Dummont – ida e volta.

Valeu muito a pena, o Steven adorou a experiência e a única coisa que ficou faltando foi o DVD que eu tinha encomendado mas a recepcionista anta esqueceu de gravar! Claro que pedi o reembolso pela falha, e ainda bem que tinha levado minha própria câmera e fiz vários filminhos!

Vejam o site oficial: http://www.flightexperience.com.sg/

PS - fotos no Flickr!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Em crise na balada

No último mês acabamos indo para a balada duas vezes – digo “acabamos indo” porque nenhuma das vezes foi programada. Na primeira estávamos em um aniversário, e na segunda em uma despedida, e como uma coisa leva a outra e a turma estava animada, acabamos esticando a noite e indo parar numa boate.

Claro que é divertido. Sempre gostei de sair à noite e não há tanto tempo assim eu tinha um programa pra fazer todo santo dia. Mas naquela época, eu era solteira. Sei que tem gente que não vai concordar, mas acredito piamente na tese que diz que gente solteira tem muito mais pique pra sair do que gente comprometida/casada. O motivo principal seria para não ter que ficar sozinho em casa, ou então para procurar alguém que preencha o vazio e ocupe o outro lugar no sofá.

Gente comprometida sossega, e é natural. E vejo muita gente da minha idade se sentindo velha porque ir pra balada não é mais tão legal quanto era, a música é alta demais pra conversar, as pessoas ficam esbarrando em você e invariavelmente você acorda com dor de cabeça no dia seguinte.

Velhos.

Eu não me sinto velha – ufa, até porque eu não sou. Mas ir para a balada deixou de ser meu programa favorito. Prefiro sair pra jantar, sentar numa mesa de bar – qualquer coisa que me permita ficar sentada e conversar sem ter que gritar. Ok, semi velha.

Mas a crise do título não é sobre a idade. É sobre o comportamento das pessoas.

Em todas as baladas que fui desde que cheguei aqui, além dessas duas no último mês, acabo meio impressionada com a fauna. Primeiro pela maneira como algumas pessoas se vestem (a última balada estava infestada de meninos vestidos de menina – e que não tinham mais de 25 anos), segundo por como elas dançam.

Cada um tem seu jeito de dançar, apesar de ser mais ou menos parecido – apoiando o peso cada hora em uma perna, tirando os pés do chão ou não, variando a velocidade, dobradura dos joelhos e movimento dos braços. Pode ser temperado com uma jogada de cabelo ou rodopio. Mas o movimento é basicamente o mesmo.

Só que aqui, notei que as mulheres vão muito além. Elas dançam coladas, mulher com mulher, rebolam, fazem gestos sensuais e ficam se esfregando, como se estivessem no palco de um cabaré. Só falta o pole para completar o show. Até quando dançam sozinhas elas parecem não abandonar o ar sedutor, e eu acho tudo isso muito forçado. Não é natural e nem bonito, e toda vez me pego no meio da pista de dança pensando como foi que isso começou (e quem elas pensam que enganam).

Em Singapura a sexualidade é assunto delicado. Educação sexual é um tema polêmico e mal resolvido. A sociedade é conservadora e muita gente casa virgem (por valores familiares e religiosos, os tais “valores asiáticos”) ao mesmo tempo que gravidez precoce também é um problema.

E mesmo casais jovens parecem não praticarem tanto a atividade já que a baixa taxa de natalidade é prioridade do governo, que já criou uma campanha para tentar incentivar os casais a terem filhos (Romacing Singapore) e um programa que oferece benefícios a quem tiver mais de um filho (Baby Bonus).

O comportamento da balada é incoerente com as notícias que lemos no jornal. Não faz sentido. Parece falso liberalismo, uma imagem que não condiz com a realidade. Sei lá, talvez haja uma explicação escondida que eu ainda não tenha enxergado. Mas realmente não sei se o que gera esse comportamento é o estereótipo da asiática sexy (e que não passa de fachada), simplesmente a vontade de chamar a atenção ou se os jovens realmente estão mudando.

Ou talvez eu esteja mesmo ficando velha.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Guia de multas

Como eles dizem por aqui, Singapore is a fine* country!

Antes de eu chegar já tinha ouvido falar tanta coisa sobre a rigidez das leis e as punições, que não sabia dizer o que é verdade e o que não é. Então, fiz uma pesquisa do que é proibido fazer em Singapura e quais as consequências para o infrator. Aqui está o top 10:

1) Excesso de velocidade = até $130-180
2) Atravessar a rua fora da faixa de pedestres = até $500
3) Comer e/ou beber em ônibus ou metrô = até $500
4) Cuspir ou jogar lixo na rua = até $1.000
5) Fumar em local proibido = até $1.000 (na rua, é proibido fumar a menos de 5m de alguma porta de entrada ou saída onde é proibido fumar)
6) Arrancar flores de lugares públicos = até $2.000
7) Fazer sexo em lugares públicos = até $20.000
8) Andar por aí sem roupa = até $20.000
9) Porte e/ou tráfico de drogas = prisão e, para tráfico, pena de morte
10) Vandalismo = prisão e 3 a 6 chibatadas

É claro que isso não quer dizer que todo mundo que ultrapassa os limites de velocidade, fuma na rua ou cospe tem que pagar a multa. Mas é um risco que se corre...

Sobre chicletes, ainda não tenho 100% de certeza sobre o valor da multa, porque em cada lugar que procuro a informação é diferente (e, convenhamos, o governo não teve a iniciativa de fazer “Guia de Multas” como o meu). O fato é que não são vendidos em lojas e supermercados, somente em farmácias e consultórios médicos ou odontológicos – e você precisa fornecer nome e identidade. Caso o farmacêutico não anote seus dados, ele é que pode levar multa ou até ser preso. Não é permitido importar chicletes (se você conseguir trazer na mala e não ser pego, sorte sua), e é proibido jogar na rua, grudar em bancos, cadeiras, paredes, etc.

Como em todos os lugares, pirataria também é ilegal. Mas aqui talvez seja mais controlado que outros países, porque até sites de download de filmes e séries são bloqueados. Pornografia, então, nem se fala. E mesmo com todas essas proibições já ouvi gente falando que compra DVDs piratas de ambulantes na rua. Eu nunca vi.

É proibido trazer cigarro de fora (e se comprar no free shop, tem que pagar todos os impostos), há um limite para bebidas alcoólicas compradas no free shop sem impostos (1L de vinho, 1L de destilado e 1L de cerveja) e armas de nenhum tipo são permitidas (nem as estrelinhas ninja vendidas em camelôs da Tailândia). Não vou nem mencionar drogas. As leis da alfândega são rígidas e claras. Não adianta chorar se for pego com algo errado.

De todas as proibições que vi até agora, as mais engraçadas são: não dar descarga após usar o toalete (talvez por isso a maioria dos banheiros tenha sensor infravermelho e a descarga é automática), e fazer xixi no elevador. Ou essas leis existem porque alguém já cometeu o crime, ou para amenizar o impacto e descontrair o cidadão que lê a lista de proibições e multas.

E preciso dizer que o fato das leis serem rígidas não significa que ninguém faz nada de errado. Impossível controlar todo mundo o tempo todo, então é claro que tem gente que cospe na rua, atravessa fora da faixa e ultrapassa os limites de velocidade. Sem falar do povo que atravessa a fronteira da Malásia, vai até Johor Bahru (JB, para os íntimos), compra tudo que é ilegal e falsificado e traz escondido para Singapura.

Fui pesquisar sobre as tais chibatadas, assunto tão polêmico, e me parece que fazem parte da pena a ser cumprida (você vai pra cadeia e ainda leva umas chibatadas – e o número será definido de de acordo com o crime cometido e não são dadas como única forma de punição. Estrangeiros não escapam do que alguns afirmam ser agressão aos Direitos Humanos, como foi o caso do adolescente americano que foi acusado de roubo e vandalismo em 1994 e condenado a prisão e 6 chibatadas. Mas o Clinton, então presidente, interferiu e ele acabou levando “só” 4.

Só posso dizer que, como sei que aqui as coisas são bem diferentes do Brasil e o “jeitinho” não funciona, melhor dançar conforme a música. Se isso quer dizer que não posso mais tomar Coca Zero no metrô e nem grudar chicletes embaixo do banco, so be it.


PS- o metrô de SP deveria seguir o modelo! Lembro de como era insuportável o cheiro de milho verde com manteiga que as pessoas comiam da marmita de isopor com garfo plástico.


*trocadilho que diz que Singapura é uma cidade bacana, mas também a cidade das multas.

Fonte: Wander guide (publicação Juice Media), Uniquely Singapore, The Straits Times

sábado, 14 de novembro de 2009

mc na TV!

Alguns de vocês já sabem que eu participo de um grupo de networking chamado Career Connect Singapore que tem como objetivo ajudar pessoas que estão procurando emprego (ou clientes) em Singapura.

As reuniões acontecem toda terça-feira num café e tem 2 horas de duração. Toda semana temos um tópico a ser discutido, e ocasionalmente algum convidado especial faz uma apresentação. Eu sou participante ativa desse grupo desde que cheguei em Singapura e aprendi muito sobre como procurar emprego, fazer networking, ténicas de entrevistas entre outras coisas.

Há algumas semanas um dos membros do grupo trouxe uma equipe de TV da Fox News (EUA) e eles fizeram uma matéria sobre o nosso grupo! Cliquem no link abaixo para ver a mc na TV!

http://www.foxnews.com/search-results/m/27390318/lost-in-translation.htm#q%3Dsargent


PS- me convidaram para gravar meu elevator speech, mas eu tenho pavor de câmeras e microfones...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Atendimento hospitalar

Semana passada estava em casa fazendo nem me lembro mais o quê, só lembro que sentia calor e por isso resolvi abrir a porta de correr da varanda.

Distraída, empurrei a porta com toda força, mas esqueci de retirar um dedo do caminho. Com isso, o pobre dedo primeiro foi esmagado para entrar no inexistente vão entre as portas, para depois ser esmagado mais uma vez na saída.

Não acho que preciso falar aqui sobre a dor que eu senti. Até porque com a descrição do ocorrido aposto que já tem gente morrendo de aflição. Portanto, pouparei-os dos detalhes e aproveito também para pular o capítulo em que eu vou buscar gelo e desmaio no chão da cozinha.

Acidentes domésticos acontecem (ultimamente com mais frequência que o normal, mas afinal de contas tenho passado mais tempo em casa do que nunca) e o importante é saber lidar com eles.

Mas nesse dia, não soube lidar nem um pouco com o problema. Eu tentei, mas o desmaio permitiu que o desespero tomasse conta de mim. Liguei para o Steven, aos prantos, que veio correndo pra casa me buscar para levar para o hospital.

A dor era tanta que eu achei que tivesse quebrado o dedo.

Já na recepção do hospital, tentava manter a calma na fila e no atendimento lerdo. No balcão, vejo a seguinte plaquinha: “em caso de dor extrema, favor informar”. Me peguei pensando que, se as pessoas têm diferentes níveis de tolerância à dor, o que qualifica uma dor extrema? Sangue? Ossos à vista? De qualquer maneira, não sei se iam acreditar que uma mulher do meu tamanho prendeu o dedo na janela e agora estava dando show na recepção do pronto socorro.

Odeio drama, e mesmo sendo uma boa Penélope, tudo tem limite.

Mordi os lábios e fiquei lá esperando minha vez. Expliquei o caso, entreguei o documento, peguei a senha e fui para a sala de espera – que mais parece a de um consultório do que de um pronto socorro.

Minha senha apitou no painel e indicando para a salinha nove. Chegando lá, dei de cara com o médico que atendeu o Steven há uns meses e que ainda deve usar fraldas de tão novinho – ou talvez seja porque os orientais aparentam ser mais jovens do que realmente são. Ele também nos reconheceu e confesso que quase perdi o controle quando ele parou de me examinar para bater papo com o Steven. Helloooo paciente com dor não aguda mas nem por isso deixa de ser dor!

Então o doutor me encaminhou para o raio-x, e meia hora depois eu já estava de volta à sala de espera com o resultado. Mais uma vez minha senha aparece no painel, volto para a salinha nove, o doutor diz que não quebrou, mas que está inflamado e que em casos mais sérios é preciso remover a unha. Assustada, pergunto se meu caso é sério, ele diz que não, então eu faço uma cara de aflição/nojo e peço para que ele faça o favor de me poupar dos detalhes de um procedimento desnecessário. Termino a frase com um sorriso.

Sem entender a piada (a capacidade para entender sarcasmo aqui é limitada, e eu nunca me lembro disso) ele prescreve um antiinflamatório que diz funcionar também para dor e pede que eu coloque a mão numa bacia de água gelada ao chegar em casa.

De receita em mãos, me encaminho para outro balcão, onde deposito os papéis da consulta na caixa de entrada. Volto para a sala de espera, que a essa altura já não me parece mais tão moderna, e fico lá sentada olhando para os outros pacientes e tentando adivinhar o que há e errado com cada um deles até que meus pensamentos sejam interrompidos por um:

- MISS CLÓDIA!

Ah, é, miss Clódia sou eu. Volto para o balcão, pago a taxa de $60 dólares pela consulta + raio-x + remédios, que vêm num saquinho ziploc etiquetado com meu nome e posologia, na quantidade exata para o tratamento recomendado pelo médico.

Acho aquilo tudo muito eficiente, e apesar de estar com raiva de todos os funcionários por eles serem meio lerdos e por desconfiar que eles nem se lembram da existência da plaquinha sobre dor extrema, penso como é incrível poder sair do hospital e ir direto pra casa, sem ter que parar na farmácia e comprar mais comprimidos do que o necessário.

Já em casa, sigo as ordens do tio e meto a mão na bacia congelante, vendo Grey’s Anatomy na tevê e comparando o atendimento médico de Hollywood x Singapura.

Agora só me resta pintar todas as outras nove unhas das mãos de preto e esperar a unha danificada cair. Aí eu pinto novamente as outras nove de cor da pele (ou nude, que é tendência), porque afinal de contas, o importante é estar combinando.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Qual é o pente que te penteia?

Desde que cheguei em Singapura estou numa batalha diária com o meu cabelo.

É quente demais para deixar a vasta cabeleira cobrindo pescoço, ombro e costas como uma manta. Então meu cabelo vive preso, e qual é o motivo para ter cabelo comprido se eu só saio de coque? Sinto falta do cabelão solto, do movimento, de sentir os cabelos ao vento.

Além disso, a umidade daqui faz com que os fios se rebelem, levantando para demonstrar a rebeldia, e formando uma camada extra acima da minha cabeça: uma nuvem de fios.

Pois é, ao invés de às vezes ter um bad hair day, vez ou outra eu tenho um good hair day.

Fazer escova aqui é uma perda de tempo, por quatro motivos:

- todas as mulheres reclamam que aqui o cabelo cai mais (talvez por causa da água), e tenho receio de judiar ainda mais com a escova e o secador
- não há tomada nos banheiros (por proibição do Governo – será que muita gente se matou jogando o secador na banheira?), então tenho que secar o cabelo no corredor, sem espelho
- a tomada do corredor fica lá embaixo e, minha cabeça, lá em cima (ninguém mandou ser alta e decidir morar na Ásia). Se eu não dobrar os joelhos o secados não chega no topo da cabeça, e isso é muito cansativo
- os lindos cabelos lisos e comportados depois da escova duram, em média, 15 minutos. É só pisar na rua que o primeiro fio já se levanta.

Já mudei de shampoo, condicionador, já comprei crème de la nuit para acalmá-los enquanto dormem... Já comprei tiara/travessa, presilhinhas, grampos... Já investi tempo, dinheiro e ideias e agora estou chegando à conclusão que nada do que eu faça vai deixar meu cabelo bonito, do jeito que eu gosto.

O jeito vai ser mesmo tapear o tempo até chegar o momento de eu ir para o Brasil e poder, finalmente, fazer uma looooonga visita ao Fábio, meu cabelereiro preferido no mundo inteiro, e apelar para a escova progressiva, japonesa, inteligente, marroquina ou o que quer que estejam fazendo aí agora (e como sei que ele é contra químicos para alisar o cabelo, vou levar fotos pra comprovar que não há outra saída).

Enquanto isso, sigo segurando a peruca!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Tempo, tempo, mano velho* (updated)

Ultimamente ando pensando muito em como as pessoas usam o tempo. Quando eu trabalhava e morava no Brasil achava tempo pra fazer tudo que eu precisava, vivia reclamando que 24 horas não eram suficientes, mas sempre acabava dando conta de fazer tudo.

Acontece que eu sou uma pessoa organizada, perfeccionista e com mania de fazer listinhas. E mesmo sem ter tempo de sobra, encaixava meus compromissos e atividades sem grandes problemas – e digo mais: raramente atrasava. Administração de tempo é comigo mesmo!

Mas agora que tenho liberdade total para decidir o que fazer com o meu tempo, sem obrigações impostas (só escolhidas), tenho a maior dificuldade em planejar meus dias. A lista de coisas para fazer, comprar, pessoas para encontrar, está lá, em operação. Mas não sinto que ela flui da mesma maneira que antes. Talvez pela falta de urgência, ou por comodismo (ao saber que tenho mais tempo do que preciso para fazer tudo aquilo duas vezes). Várias vezes me pego no café da manhã olhando praquela lista e pensando por onde diabos eu devo começar. Depois de alguns minutos, desempaco e resolvo tudo que tenho que fazer. E, claro, ainda sobra tempo.

E então encontrei uma pesquisa do NY Times no blog da HSM, que não podia ser mais propícia para o momento.

Ela mostra como as pessoas usam as 24 horas do dia. O gráfico é interativo, e mostra vários grupos diferentes (sexo, idade, etnia, filhos, nível de estudo), mas assim como a HSM escolhi dois grupos para ilustrar aqui no blog: empregados e desempregados.

A pesquisa mostra que os desempregados usam o tempo para fazer atividades extras, além do básico, coisa que uma pessoa que trabalha em período integral não consegue. Claro que todo mundo já sabia disso, mas o gráfico impressiona mesmo assim.

Desempregados:


Empregados:


Curiosidades:

Na avaliação geral, dormir, comer, trabalhar e assistir televisão tomam aproximadamente dois terços de um dia normal.

Às 6h da manhã, 60% dos empregados ainda estão dormindo, enquanto mais de 80% dos empregados continua nos braços de Morfeu** (48% dorme até às 8h – um horário digno para levantar, na minha opinião).

Os desempregados passam em média meia hora por dia procurando emprego (eu to fora dessa média, pra mim leva muito mais). Eles ainda arrumam a casa e fazem outras atividades domésticas por mais de duas horas, uma hora a mais que um empregado.

Para as pessoas que não têm um emprego fixo, sobra mais tempo para estudar, fazer trabalho voluntário, esportes, compras.

Mas um dado que eu acho extremamente importante não está na pesquisa: o tempo que as pessoas gastam com insônia. Adoraria saber se são os empregados ou desempregados que passam mais horas em claro.

Fica a dica, NY Times.



*Sobre o Tempo, música do Pato Fu lançada em mil novecentos e bolinha.
**Na primeira versão do texto confundi os deuses gregos Orfeu e Morfeu. Apesar de serem irmãos, o primeiro era o deus da música, e Morfeu era o dos sonhos. Talvez por isso eu estivesse com insônia, estava nos braços do deus grego errado!!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Descoberta do ano

Pronto. Meus problemas acabaram.




Em um país com fácil acesso à bolacha Bono de chocolate a vida fica muito mais fácil.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

As segundas visitas

E então depois de três semanas na função, as visitas foram embora. Deixaram para trás a casa vazia, super limpa (viva a sogra!), com todos os pequenos reparos feitos (viva o sogro!) e boas lembranças.

A cada visita, vemos como as pessoas são diferentes. Depois da primeira tive inspiração suficiente para escrever um guia de boas maneiras para hóspedes, mas a segunda não deixou nenhum trauma (apesar de agora ter a confirmação que hospedar quatro pessoas de uma vez deixa a casa intransitável).

Claro que hospedar a família do namorado sempre traz algum stress, e três semanas é realmente bastante tempo, mas o saldo final foi positivo.

Até porque na última semana me ausentei em alguns momentos para seguir com a vida normal (responder e-mails que estavam embolorando na caixa de entrada, ir à reunião que participo semanalmente, almoçar com uma amiga), e eles se viraram muito bem sozinhos.

Inclusive porque além de ter minhas coisas pra fazer, uma pessoa não precisa ir à Sentosa toda vez que alguém de fora estiver visitando. Já estou craque no zoológico, Night Safari, Singapore Flyer... para essas atrações ninguém precisa de guia nem mapa, é só me levar que eu explico tudinho.

Também estou aperfeiçoando minhas habilidades de anfitriã. Agora tenho a “caixa das visitas”, cheia de mapas, folders, flyers das atrações da cidade. Assim, quando alguém chega, sugiro que dê uma olhada na caixa e me diga o que tem interesse em ver. Além disso, estou preparando uma relação das atrações com os respectivos preços, para que não haja nenhuma surpresa e para poder estimar com antecedência quanto dinheiro será investido na viagem à Singapura.

Aumentei os itens na rouparia, para que as pessoas possam trocar de toalhas quantas vezes quiserem (já que os banhos acontecem mais de uma vez por dia e o clima é úmido demais, as toalhas precisam ser trocadas com mais frequência). Oferecemos também toalhas de pisc... ok, já tá parecendo hotel. Mas é quase! Posso abrir o MC’s Bed and Breakfast. Mas não vou ficar aqui fazendo propaganda porque senão todo mundo vai querer vir e aí é que eu não faço mais nada mesmo!

Agora espero receber também hóspedes brasileiros, para poder comparar experiências. Por enquanto só recebemos holandeses, e as diferenças culturais (e de idioma) são um fator importante a ser considerado. Um exemplo de um potencial mal entendido aconteceu no primeiro dia da chegada dos pais do Steven aqui. Estávamos todos na varanda conversando sobre o condomínio e o apartamento e eis que o pai pergunta:

- Dá pra tomar banho junto?

Meio chocada e sem graça com a pergunta, pensando em como a cultura é diferente (eu jamais perguntaria isso para um anfitrião, mas vai que eles estão acostumados a tomar banho juntos... sei lá!), respondo rapidamente:

- Er... acho que dá, mas o chuveiro é meio pequeno, não sei se vai ser muito confortável...

E ele, mais chocado ainda:

- Não!! Quero dizer ao mesmo tempo nos dois banheiros, e não no mesmo chuveiro!!

Ops!!! Falha de comunicação resultando em um mega fora... Um belo jeito de queimar o filme logo de cara, vocês não acham?

Mas não se preocupem, até o último dia estávamos rindo juntos dessa história. E eu vou continuar rindo por um bom tempo...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Mais uma do barco

Esqueci de contar uma coisa interessante que aconteceu no barco, na volta de Phi Phi para Phuket. Das 30 pessoas que estavam no nosso barco, metade era ocidental (europeus, australianos e eu de cucaracha) e o resto era oriental. Em alguns momentos as diferenças entre os dois grupos ia muito além da cor da pele ou formato dos olhos.

Os orientais passaram o dia todo protegidos por chapelões (gigantes) e manga comprida, enquanto os ocidentais estavam despreocupados lagartixando no sol.

Os ocidentais faziam barulho, falavam alto, conversavam entre si. E os orientais falavam baixo, não interagiam com outras pessoas a não ser as do próprio grupo e eram discretos.

Como tinha chovido pouco antes da volta, o mar estava um pouco mais agitado do que na ida. Isso significa que o barco balançava muito mais, e em alguns momentos a sensação era de estarmos dentro de uma batedeira, de tanto que o treco pulava.

Por causa do vento, eu estava preocupada em segurar meu chapéu e minha câmera nova (protegida por uma canga, um saco plástico e uma mochila), e outras pessoas estavam até usando a tolhada para se proteger do vento e das eventuais jorradas de água salgada que insistiam em molhar os passageiros.

Todos os ocidentais estavam lá, em alerta, segurando seus pertences (ou em alguns momentos, a si próprios) com expressões aflitas, enquanto os orientais dormiam.

Sim, dormiam. Todos os 15 orientais presentes no barco estavam de olho fechado, sacolejando como nós, mas com uma expressão super serena.

Fiquei tão surpresa que comecei a reparar (leia-se: encarar) neles, olhando de um a um. Todos com a mesma carinha serena, relaxada, como se o mundo não estivesse balançando quase nada. Até que vi uma das meninas se mexendo e a ficha caiu: eles não estavam dormindo, estavam só meditando.

É, tenho muito que aprender...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Ilhas Phi Phi e Koh Khai - Tailândia

As ilhas Phi Phi consistem em Ko Phi Phi Don e Ko Phi Phi Leh, um paraíso natural obrigatório para quem está na região de Phuket ou Krabi (no continente tailandês). A primeira, na verdade, consite em duas ilhas unidas por um istmo, e já está completamente dominada pelo turismo. Hotéis, restaurantes, bares, lojinhas... Já a segunda é inabitada (empreendimentos são proibidos), mas muito popular para day trips (muito mesmo, tá), e ficou famosa por causa do filme “A Ilha” com Leonardo DiCaprio.

Há diversas maneiras de se chegar às Phi Phi islands: passeios prontos de agências de turismo (cuidado com as enrascadas, como barcos grandes demais ou que param em muitas praias, fazendo com que você tenha só 15 minutos em cada uma), aluguel de barco, ou pegando a balsa em Phuket ou Krabi, e então alugar um “longtail boat” e ir aonde você bem entender. Na minha opinião a primeira opção é a mais segura, mas você não terá muita privacidade ou flexibilidade. A segunda é a mais cara e a terceira é um tanto quanto arriscada, pela falta de estrutura e “segurança” que uma agência de turismo proporciona, mas você pode ir onde bem entender e não precisa seguir o cronograma de uma agência.

Nós optamos pela primeira opção e compramos um pacote de uma agência perto do hotel. Foi muito tranquilo, incluía transfer do hotel para a marina em van com ar condicionado, speed boat para as ilhas, água, refris e frutas no barco, almoço em uma das ilhas e equipamento para snorkelling. Programa turistão, mas muito confortável e sem grandes problemas.

A vantagem do speed boat é que a viagem é mais rápida – o trajeto de Phuket para Phi Phi pode levar até 2 horas, dependendo da potência do barco. A desvantagem é que você fica lá sacolejando com mais 29 desconhecidos, e pode ter o azar de alguém vomitar o café da manhã no seu pé.

Bem, começamos o passeio em Maya Bay, a tal praia onde “A Ilha” foi filmada. Jesus Maria José, o lugar é lindo de morrer. Fiquei de queixo caído, babando mesmo. Mas é preciso dizer que por causa do filme que a deixou famosa, a baía agora está INFESTADA de speed boats cheios de turistas. Metade da praia é estacionamento de barco, a outra metade (demarcada por bóias) é o único lugar onde é permitido nadar. Nem preciso dizer que esse lugar também parecia o piscinão de ramos, uma feijoada de gringos.

Os mais sensíveis vão se irritar muito com a exploração turística dessa praia paradisíaca, mas minha sugestão é que você vá preparado, mas vá. Vale a pena.

A próxima parada foi Loh Samah Bay, um paraíso para snorkelling. Fui a primeira a me jogar na água e só voltei pro barco quando o guia ameaçou ir embora e me largar lá. Nunca tinha nadado perto de corais e ver todos aqueles peixes e as cores do fundo do mar foi um desbunde. O próximo passo é um curso de mergulho de verdade, um sonho que venho adiando há anos. Agora não tem desculpa, o momento não podia ser mais perfeito.

Depois fomos para Pileh Cove, quase uma lagoa natural de água tão azul que você só vê em folder de agência de turismo. Pulamos da frente do barco repetidamente (inclusive o sogro!), alguns saltos olímpicos e outros mais rústicos (tipo bomba).

A cada momento que o guia dizia que era hora de ir embora, eu sentia um mix de tristeza e empolgação, imaginando quando eu voltaria e qual seria a próxima parada!

Então chegamos em Phi Phi Don, a tal ilha mencionada no começo do post que foi invadida pelo turismo. De longe já é possível ver os diversos hotéis, bangalôs e bares de beira de praia. O lugar também é lindo maravilhoso, mas nesse momento confesso que me concentrei mais no almoço do que na ilha. Ninguém é de ferro...

Depois do almoço fomos para Monkey Beach, uma pequena praia de areia branca cheia de macacos por todos os lados! O guia distribuiu amendoim para que pudéssemos alimentar os “primos”, mas disse que devíamos permanecer na água e não entrar na praia. Pela quantidade de macacos que eu vi ali, não me arriscaria a desobedecer as instruções. Parênteses: quando tinha uns 10 anos estava andando na praia com meus irmãos e um cara passou com um mico no ombro. O mico olhou pra mim, eu olhei pro mico, o mico olhou pro meu cabelo e se deu um salto duplo carpado em minha direção (Olimpíadas tá na moda, né gente), depois ficou lá se pendurando nas minhas madeixas até o dono se tocar e tirar o bicho de mim. Fo uma experiência traumática e desde então tento manter uma distância saudável de macacos livres. Fecha partênteses.

Depois de mergulhar em águas cristalinas, nadar com os peixes e alimentar macacos, fomos para Koh Khai, a última parada da nossa day trip. Me senti um pouco no Brasil, com as diversas barraquinhas vendendo drinks, comidas e souvernirs, mas passei grande parte do tempo snorkelling, vendo os peixinhos e procurando os tubarões que o guia falou que nadavam por ali (uau, depois de escrever essa frase notei o quão absurda ela soa).

Enfim, estava lá toda feliz com a cara na água quando de repente tudo ficou escuro e todos os peixinhos sumiram. Por um momento me senti em “Procurando Nemo” e só depois de tirar a cabeça da água é que notei que estava chovendo. Quando a chuva parou voltamos para o barco, que nos levou de volta para Phuket.

O dia foi maravilhoso e, a experiência, inesquecível! Não vejo a hora de fazer o curso de mergulho e voltar para as ilhas do mar Andaman o mais rápido possível!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Plantão: Terremoto

Interrompemos a nossa programação normal para comunicar a experiência do terremoto de ontem.

Singapura é uma ilhazinha abençoada porque, apesar de estar próxima a uma área de risco, está protegida dos desastres naturais que não são tão gentis com os países vizinhos. Terremotos e tsunamis na Indonésia, Tailândia, India e Malásia. Tufão nas Filipinas, Vietnam e Cambodia. Vulcões na Indonésia.

O fato é que em Singapura não acontece nada disso, e confesso que essa foi a primeira coisa que fui pesquisar quando o Steven me contou que tinha recebido uma proposta de expatriação. Um país livre de desastres naturais (como o Brasil costumava ser... até o tufão da semana passada) era um dos pré-requisitos.

E por achar que Singapura era um país seguro (em todos os sentidos), ontem quando estava lendo na varanda e senti a cadeira balançando, minha primeira reação foi entrar em casa com medo que a varanda desabasse. A segunda foi ficar olhando o lustre balançar pra lá, e pra cá e depois colocar um copo de Coca no chão e ver o líquido tremer com em “O Parque dos Dinossauros – parte I”. Liguei para o Steven, o engenheiro da família, para perguntar o que poderia ser. Minha primeira hipótese era que havia algo errado com o prédio, e a segunda, que a princípio me parecia muito absurda, era terremoto.

Como o tremor não tinha sido muito forte (a sensação foi como estar no carro em cima de um viaduto com o trânsito parado), não ficamos muito preocupados. Nenhum dos sites de notícia reportavam nada, e foi só quando o Steven chegou 10 minutos depois que ele confirmou que havia acontecido um terremoto em Sumatra, na Indonésia. Ufa, o que havíamos sentido aqui era só um reflexo.

A sensação foi muito bizarra. Fiquei imaginando como deve ser horrível passar por um terremoto de verdade, e dei graças a Deus por não ter que me preocupar com isso constantemente.

Um amigo que mora no 58º andar de um prédio novo super moderno perto do mar contou que o efeito foi tão forte que o prédio “se mexeu” mais de um metro, e ele não conseguia ficar em pé no apartamento dele. Tiveram que evacuar as duas torres do condomínio, para se certificarem que estava tudo bem. E estava.

O mais bizarro de tudo é que enquanto eu escrevia esse post, o prédio deu mais uma tremidinha – o tal “after shock” que já tinham comentado ontem. Dessa vez foi bem mais fraco, durou uns 15 segundos e pronto acabou.

Ao povo que está longe, não se preocupem. Não estamos na rota de tsunami e não há risco de terremotos por aqui. Pode ser que as coisas estremeçam, mas até que o fim do mundo chegue, estamos tranquilos que a casa não vai cair.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Phuket - Tailândia

Na semana passada a família do Steven chegou em Singapura para passar um tempo com a gente (pai, mãe, irmã e namorado). O primeiro passo da intensa programação foi pegar um avião cedinho com destino a Phuket, na Tailândia. Os coitados nem tiveram tempo de sequer começar a recuperação do jet leg, e já estavam mudando de fuso horário de novo.

Phuket é uma ilha da Tailândia, situada no mar Andaman (que eu não me lembro das aulas de geografia), a oeste da península da Malásia. É um dos maiores destinos turísticos do sudeste asiático, e o segundo lugar mais visitado da Tailândia (o primeiro é Pattaya, famoso pelo turismo sexual – triste, mas verdade). Por ali, as praias têm areia branquinha e água azul, e a ilha pode agradar todo tipo de gente. Tem resorts de luxo, tem albergues e pensões simplinhas, tem gente que vai pra relaxar, pra badalar, pra mergulhar...

Apesar da beleza natural, é difícil não lembrar do tsunami que arrasou a região em dezembro de 2004. A praia de Patong foi uma das mais atingidas, e também é uma das mais populares. Populares mais no sentido “piscinão de Ramos” do que “preferidas”.

Nós ficamos em Karon, onde a praia é ok, mas como em Phuket ninguém fica todo dia no mesmo lugar, isso não tem tanta importância. Não vou recomendar nosso hotel porque além de ser meio velhinho, o serviço era meia boca e 80% dos hóspedes eram russos (até o cardápio estava em russo!). Para evitar mais um mal entendido, deixo claro aqui que o problema não são os russos, mas sim qualquer hotel dominado por gente de uma única nacionalidade. Um hotel cheio de brasileiros ia me fazer sair correndo largando pra trás o drink com guarda chuvinha. Bom, pelo menos era limpinho (ah?) e bem localizado, então ponto pra eles.

Para se locomover em Phuket, ou você anda de tuk tuk (lembram de Chiang Mai?), ou aluga uma scooter (uma lojinha a cada esquina). No primeiro dia, resolvemos fazer como a maioria e alugamos 4 motinhos (eu na garupa, evidentemente). Instruímos a família sobre a mão inglesa, pedimos para serem cuidadosos e saímos os seis equipados de capacetinhos lindos. A primeira parada seria o posto de gasolina, a 1km do hotel, para abastecer. E antes mesmo de chegarmos na bomba, o pai do Steven perdeu o controle da moto dele, que foi bater direto num carro estacionado. Por sorte, a mãe já tinha descido da garupa e o dono do carro era um expatriado, por que se fosse um local a coisa seria bem mais complicada do que foi. Mesmo assim o cara ligou para a polícia, e ficamos todos lá com cara de samambaia até o guarda chegar e convidar o Steven e o pai para a delegacia (um passeio que definitivamente não estava nos planos, ainda mais no primeiro dia!).

No final das contas tudo foi resolvido sem grandes dificuldades, eles pagaram o conserto do carro no dia seguinte e pudemos seguir com a programação normal das férias. Dos males, o menor, e talvez isso tivesse que acontecer no primeiro dia para outro acidente pior não acontecesse depois. E em Phuket as ruas são estreitas, o asfalto não é da melhor qualidade e acidentes acontecem todos os dias. Por isso, todo cuidado é pouco. Nem preciso dizer que devolvemos as motos no mesmo dia e a partir daí só andamos de tuk tuk.

Ficamos só quatro dias em Phuket, pouco tempo para explorar tudo que tem pra fazer. Andamos de elefante (bem pior que o passeio que fizemos em Chiang Mai; o acampamento não era tão bem estruturado, as cadeiras não eram nada confortáveis e ao invés de uma barra onde você pode se segurar na descida (extremamente necessário para não cair de lá de cima), há um cinto de segurança de carro, e ainda por cima sujo de terra. Péssimo), visitamos um templo e o Big Buddah (uma estátua no topo de uma montanha, ainda em construção), e fizemos um passeio de barco incrível inesquecível maravilhoso para as ilhas Phi Phi e Koh Khai que vou contar no próximo post.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Click!

Com a loucura da guerra contra os insetos na semana passada, acabei não tendo tempo de contar sobre o curso que fiz.

Sempre gostei de tirar fotos, e há muito tempo estava querendo comprar uma câmera SLR digital (que muita gente chama de profissional, o que não é completamente correto). Antes de gastar os tubos em uma câmera, resolvi fazer um curso para ver se me interessava mesmo por fotografia quando as coisas começassem a ficar complicadas. É tanto botão, função, combinação, que se você não souber como operar a câmera não adiantar comprar a mais tchans do mercado que só vai acabar usando a função automática (e aí é melhor ficar com as câmeras compactas mesmo).

Então lá fui eu, para um curso de fotografia, para ver se meu interesse era real. Só posso dizer que era tão real que poucos dias após o curso ter terminado (e depois de gastar muita sola de sapato), já tinha escolhido e comprado uma câmera!!

Pesquisei muito, não só preços mas também o modelo e marca ideal para mim. Cada pessoa é de um jeito, e agora entendo porque o professor não quis me recomendar uma câmera por e-mail. A melhor coisa para quem está começando é ir em uma loja e pedir para ver um modelo de cada uma das três principais marcas (Canon, Nikon e Olympus), analisar com calma e então escolher a melhor para si.

A minha escolha foi uma Canon EOS 500D (me imagina no lugar do Jackie Chan!), uma ótima câmera para iniciantes. Agora é só começar a praticar e ver se levo jeito pra coisa!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Mal entendido

Aparentemente os posts que escrevi falando sobre expat wives ofenderam alguém que eu nunca tive a intenção de magoar.

Ao falar do estereótipo das mulheres expatriadas que moram aqui (estereótipo que não foi criado por mim), em português, acabei sendo mal interpretada quando alguém leu os textos traduzidos para o inglês pela internet.

Em relacionamentos inter-culturais, é normal que mal entendidos aconteçam. Ainda mais quando não há contato e a conversa acontece pela internet. Quem nunca brigou por email ou MSN?

Em minha defesa, não escrevi isso por maldade nem quis ofender ninguém. Traduções feitas online não são da melhor qualidade, e muitas nuances e piadas que são facilmente compreendidas por brasileiros que compartilham o mesmo senso de humor que o meu não são tão bem entendidas por estrangeiros.

Em inglês, alguns trechos traduzidos acabaram soando ofensivos. Acontece que mesmo palavras traduzidas literalmente têm conotações diferentes em cada idioma (até mesmo em português do Brasil e Portugal).

Não tiro a razão dela de ter ficado ofendida ao ler algo que foi mal traduzido e não era fiel ao texto escrito no idioma original. Se fosse escrever em inglês, teria escrito de outro jeito, para que fizesse sentido.

Peço desculpas e repito, jamais quis ofender ninguém. Espero ter a chance de um dia poder conversar e esclarecer o meu lado. Como duvido que isso vá acontecer, resolvi escrever esse pedido de desculpas público, na tentativa de me redimir pelo mal entendido.

Em guerra - parte II

Depois de quase uma semana dormindo no sofá, resolvi que era hora de voltar para o quarto. Arrumei a cama, preparei tudo para o meu retorno mas quando bati o olho na cortina vi mais bedbugs. Os desgraçados estavam se escondendo no drapeado!!!

Enquanto surtava, peguei luvas plásticas, Off (o único veneno que eu tinha em casa) e fui caçando e matando um a um (e jogando na privada), xingando os bichos e a empresa de detetização que não me aconselhou a remover a cortina para diminuir a possiblidade dos sobreviventes se esconderem.

Depois, arranquei a cortina, taquei numa sacola e levei na lavanderia. Eu parecia uma louca andando na rua descabelada, vermelha, suada, pisando duro com aquele sacolão nos braços.

Voltei pra casa, tirei todas as roupas das gavetas da cama (que o DD-drim tinha falado que não precisava) e lavei tudo a 60ºC. Depois, uma rodada na secadora, por 2 horas. Ao final da epopéia tinha tanta roupa para dobrar e eu estava tão cansada que poderia ter dormido até em pé.

No dia seguinte liguei na empresa de detetização para brigar, mas não me deram muita atenção. Bastou o Steven chegar à tarde e fazer uma única ligação que em 15 minutos os carinhas estavam em casa. Encontramos mais bedbugs, eles refizeram todo o procedimento (dessa vez tiramos tudo do quarto, sapatos, livros, etc), talvez um pouco mais detalhado que da outra vez sob os olhos do “patrão”, e nós fomos para um hotel para fugir do cheiro de veneno e do sofá pequeno demais para duas pessoas com mais de 1,80m.

Que ironia, depois de tanto xingar aquele hotel onde moramos quando chegamos, ao primeiro sinal de problema é para lá que voltamos correndo. Não antes sem levar o edredon para a lavanderia e jogar os travesseiros fora.

Depois de dois dias no hotel, voltamos para casa. Precisávamos dormir pelo menos uma noite no quarto para ver se eles aparecem. Eu fui ressabiada, fiquei de olho em todas as dobrinhas do lençol até finalmente cair no sono.

Já se passaram três noites e até agora nada. Estou feliz, mas ainda não completamente despreocupada. A tropa, quer dizer, família do Steven chega domingo e eu estou morrendo de medo do problema reaparecer enquanto eles estiverem aqui.

Caso apareçam, vamos jogar todos os móveis e colchão fora. Caso contrário, vamos deixar as coisas do jeito que estão e torcer para que o pesadelo tenha realmente terminado.

domingo, 13 de setembro de 2009

Em guerra - parte I

Moramos nesse apartamento há uns 3 meses, e há quase 2 reclamamos que os pernilongos estão fazendo a festa. Andávamos cheios de mordidas, principalmente nos braços, e parecíamos duas crianças com catapora de tanta bolinha vermelha coçando.

À noite eu sonhava que insetos se escondiam na minha cama e, enquanto eu dormia, saíam de seus esconderijos e ficavam andando por cima de mim. Me coçava à noite inteira, comprei pomadinha pra aliviar, mas as marcas que ficavam não eram parecidas com as picadas de pernilongo que eu levava no Brasil.

Até que que encontrei um insetinho no meu lençol e o pesadelo se tornou realidade. Minha primeira medida foi matar o invasor (que estava cheio de sangue) e colocar num saquinho plástico (por sadismo e para tentar descobrir o que era). Alguns dias se passaram sem encontrar mais nenhum inseto no lençol (e olha que eu procurei).

Então um dia de manhã acordei e notei que a fronha estava cheia de pontinhos pretos. Fui correndo para o amigo Google, que constatou: pontos pretos no lençol = bedbugs (percevejo-de-cama).

Pânico. Já tinha tido uma experiência com os vampirinhos quando fiquei num albergue em Florença, na Itália. Achava que bedbug era um problema de lugar sujo, mal cuidado, tudo que minha casa não é.

Me aprofundei na pesquisa e descobri que é muito comum que móveis sejam expostos à essa praga em contâiners, quando as pessoas estão mudando de um país para o outro. Essa é a única explicação que encontramos, porque nosso prédio é novinho e somos os primeiros moradores, e nunca tivemos esse problema na Holanda.

Pra quem nunca ouviu falar nisso, um resumo: os bedbugs se alimentam de sague, não têm asas (um mal a menos) e por isso rastejam na cama enquanto as vítimas estão dormindo (muito mal). Eles são minúsculos, de cor avermelhada e forma achatada – o que possibilita que se escondam nos lugares mais impossíveis. Os desgraçados podem passar até um ano sem se alimentar, mas quando picam alguém chegam a dobrar de tamanho (por isso aquele que eu matei estava tão gordinho, cheio de O negativo).

Quando descobri tudo isso, o Steven estava viajando. Tomei as providências, liguei para a empresa de detetização de Singapura e consegui que viessem no mesmo dia. Com medo de voltar a dormir no quarto, passei a semana inteira dormindo no sofá.

(continua)

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Beijo no coração

No meu aniversário recebo um e-mail do gerente do meu banco com a seguinte frase:

“Hoje mais uma primavera, por isso parabéns e que Deus despeje pérolas em seu caminho...”

Achei o gesto simpático, mas a mensagem meio cafona. Só faltava assinar com beijo no coração, afago na alma, desculpa qualquer coisa ou similares.

Então sem resistir à tentação de fazer uma piadinha, encaminhei o e-mail pro meu irmão, que tem o humor parecido com o meu e geralmente ri das mesmas baboseiras. E a resposta:

“Se Ele despejar pérolas no seu caminho, você vai acabar escorregando e pode se machucar...”


OBS: Esse texto não tem nada a ver com Singapura, mas não resisti...

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Entre amigos

Sábado passado um amigo resolve cozinhar e convidar algumas pessoas para jantar na casa dele. Fui com ele no supermercado, ajudei a descascar batatas (4 sacos – e agora entendo o poder da expressão “vá descascar batatas) e os outros convidados já estavam lá quando o host constatou que o gás tinha acabado.

Com quilos de comida para preparar e nenhuma empresa entregando gás sábado à noite, resolvemos transferir a festa para minha casa. As batatas já estavam semi-cozidas, por isso a panela teve que ir no colo de alguém. Duas malas de viagem carregavam os outros ingredientes e as bebidas.

Mesmo com o imprevisto, foi um sucesso. A comida estava ótima, e apesar da bagunça na cozinha foi ótimo ter a casa cheia de gente e pouco stress com a organização. Foi tudo muito espontâneo, pra não dizer emergencial, para eu sofrer por antecipação (meu esporte preferido).

De entrada, nosso amigo cozinheiro fez camarões. Eu, além de muito bem educada, tenho que ser fiel ao projeto desjacuzação, portanto não comi só um camarão, comi vários.

Até que abro um e me deparo com umas coisinhas pretas na carne. Inocentemente pergunto aos convidados o que era aquilo e, com a maior calma do mundo, eles respondem:

- Prawn poop* (cocô de camarão).

Fiquei chocada, toda a educação foi por água abaixo e larguei o camarão borrado na hora. Enquanto as pessoas tentavam me convencer que não tinha problema comer aquilo, que camarão só se alimenta de plantas, não resisto e pergunto:

- Vaca só come capim. Você comeria cocô de vaca?

Pois é, a flexibilidade das minhas papilas gustativas tem limite.

E tenho dito.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Paladar

Comer para mim é um dos grandes prazeres da vida. Adoro sair pra jantar fora, e como vocês estão acompanhando, ando feito umas experiências na cozinha, coisa básicas (que às vezes dão certo, outras não).

Acontece que sempre gostei das coisas mais simples. Não tenho o paladar infantil como algumas pessoas que eu conheço, mas nunca fui muito ousada nas minhas escolhas. Mais de uma vez pedi para mudar alguma coisa no prato porque achava que a combinação não ia me agradar.

Além do mais, quando estou com fome não quero correr o risco de experimentar algo de que não vou gostar. Aí vou gastar dinheiro e continuar com fome, o que não vai me deixar nem um pouco contente.

Mas até pouco tempo atrás eu não comia sushi. Nem rúcula. Aliás, salada de folhas era só alface americana. E aprendi a gostar de tudo isso.

Antes de vir pra Singapura não gostava de curry. Nem frutos do mar. Nem de comida apimentada. Mas a gente se adapta a tudo, e estou abrindo o paladar cada vez mais. Até batizei a iniciativa de projeto “desjacuzação”, que consiste em ser menos preconceituosa com comida, e tentar sempre experimentar coisas novas, inclusive aquelas que antes me faziam torcer o nariz.

Tenho um exemplo recente: no café do lado de casa eles fazem um sanduíche de peito de peru, queijo brie, pimenta, abacaxi e um legume que não me lembro o nome agora. Na primeira vez que comi esse lanche, pedi para tirarem a pimenta e o abacaxi e trocarem o tal legume por alface. Afinal de contas (na mentalidade jacu), Deus me livre pagar por algo que não gosto e continuar com fome.

Mas na segunda vez senti um impulso e sem nem pensar pedi o lanche sem mudar nadinha. “Vou comer a versão original”, pensei comigo.

Sentei para esperar o sanduba e, quando chegou, eu já estava com tanta fome que não hesitei. E não é que era o máximo? Nem levantei o pão para ver que cara tinha o que eu estava comendo. E a cada mordida eu entendia mais e mais porque a pessoa que criou esse sanduíche achou que abacaxi e pimenta seria uma boa combinação.

Comi, gostei, e vou repetir. O plano agora é experimentar pratos locais. Tenho um pouco de receio, porque gosto de saber tudo que tem no prato e aqui isso nem sempre é possível.

Pode ser que leve um tempo até eu criar coragem, tem cada coisa bizarra... Mas sejam pacientes, desjacuzar leva tempo. Uma hora eu consigo.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Da cor do pecado

Mesmo em dias de sol é normal ver a rua toda colorida com guarda-chuvas. No começo achava que era para amenizar o calor, até que alguém me explicou que as mulheres asiáticas não querem se bronzear.

E então notei que algumas mulheres orientais do meu prédio vão para a piscina de roupa. Tem uma que nada de blusa de manga comprida e bermuda, e também encapota os filhos para que eles não corram o risco de se bronzear. Biquínis não são muito populares aqui, elas podem até usar 2 peças mas a de cima será tipo uma regata, ou seja quase um maiô. Isso me fez pensar nos padrões diferentes de beleza, e fui pesquisar mais sobre o assunto.

Descobri que aqui há um culto à brancura da pele. Quanto mais clara a pele, mais bonita a mulher – o que, na minha opinião, tem um fundinho de racismo. O conceito de beleza na Ásia é completamente diferente do ocidente. Aqui as mulheres mais apreciadas são magérrimas (ok, isso é igual na maioria dos países), baixas, mignon e bem branquinhas. O oposto das curvas e corpos bronzeados tão apreciados no Brasil.

A indústria cosmética tem um nicho especial na Ásia. Fui pesquisar as maiores marcas de cosméticos e descobri que a Nivea, Dove e L’Oreal têm uma linha de cremes branqueadores.

O branqueamento da pele é um tema polêmico e envolve assuntos como saúde, identidade, mentalidade colonial (as pessoas de raças mistas com pele mais branca tinham situações privilegiadas em relação às mais escuras, por ter trabalhos protegidos dos raios de sol) e racismo. E além do padrão de beleza, é como se as pessoas mais morenas fossem inferiores às brancas, e por isso fazem tudo para evitar o risco de discriminação.

E enquanto nesse lado do mundo as mulheres gastam tubos de dinheiro em produtos que prometem branquear a pele de 1 a 3 tons, imagino o que elas diriam ao saber que no Brasil o que vende mesmo é auto-bronzeador, e que para nós, quanto mais bronzeada, mais saudável e bonita é a pessoa.

É, acho que gosto não se discute mesmo.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

O primeiro fracasso na cozinha

Longe de mim querer transformar esse espaço num blog de culinária, mas preciso compartilhar minha primeira experiência mal sucedida na cozinha (em Singapura tá, já errei muito no Brasil).

Peguei uma receita toda bacana de frango com cogumelos e queijo no forno, de uma revista singapureana. Acho que era a única receita que não levava algum ingrediente estranho... e como era relativamente simples, resolvi tentar.

De acompanhamento, um básico purê de batatas. Quer coisa mais fácil de fazer?

E adivinha o que deu errado?

Confesso que a vida inteira fiz purê de caixinha. É simples, você ferve a água, abre o saquinho, mistura tudo e pronto: você tem purê. Mas como é industrializado (dizem por aí que natural é melhor) e todo mundo sempre falou que purê era tãããão fácil, achei que estava na hora de tentar.

Pra piorar ainda mais a história, tinha aprendido a fazer purê naquele curso de culinária que fiz no Brasil ano passado. Com a receita do curso em mãos, me pus a descascar batatas. Decidi começar pelo mais fácil, o purê, para depois poder estressar à vontade com o frango.

Descasquei, piquei, fervi, amassei. Fácil. Em seguida, a receita dizia para juntar o leite e bater vigorosamente. Estava seguindo a receita direitinho. E sempre sigo os verbos usados nas receitas ao pé da letra, então se eles diziam que era pra bater vigorosamente quem sou eu pra duvidar.

Bati, bati e bati. E não aconteceu nada. O leite continuava leite e a batata, batata. Só a manteiga fez o favor de derreter. Bati por horas (ok, minutos, mas parecia muito mais) e nada deles se incorporarem. A essa altura eu suava mais que lutador de box no ringue, mas não conseguia parar. Batia tão vigorosamente, que o leite começou a respingar pra todo lado: na parede, no fogão, no chão, no meu braços.

Quando me dei por vencida, tinha batata até no teto da cozinha. Tensa, implorei pro Steven ligar pra mãe dele e perguntar o que eu devia fazer pra tentar salvar o purê.

Estava muito preocupada com o futuro do jantar. Se o purê, que era a coisa “fácil” da refeição, eu consegui estragar, o que seria do meu pobre franguinho? Enquanto ele falava com a mãe, eu continuava batendo, esperançosa. Aumenta fogo, abaixa fogo.

A solução da sogra foi adicionar a mistura do purê de saquinho, que por precaução sempre temos em casa (e pelo jeito vamos continuar tendo). Funcionou, e leite, batata, pó e manteiga finalmente se incorporaram formando o tão desejado purê.

Chegou o momento de fazer o frango. Apesar da frustração com a experiência anterior, a fome e a responsabilidade falaram mais alto, e recuperei forças e ânimo para concluir a missão.

Piquei cebolas e alho com precisão e confiança. Não derramei sequer uma lágrima, tamanha minha determinação. Fiz o que tinha que fazer (não to aqui pra dar receita, o que importa é a experiência), coloquei tudo no forno e 20 minutos depois o jantar finalmente estava pronto.

Para nossa surpresa (sim, a essa altura nem o Steven tinha mais fé) o frango ficou o máximo.

Já o purê.... meio empelotado e sem sal.

Mas pelo menos tinha cara de purê!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Batu Caves

Uma das principais atrações de Kuala Lumpur são as Batu Caves: um templo hindu instalado dentro de uma caverna, a mais ou menos 13km da cidade.

Na verdade são várias cavernas, mas eu só visitei a principal, a Temple Cave, que depois descobri ser o ponto hindu mais popular fora da Índia – atrai 1,5 milhão de peregrinos todos os anos.

Na entrada, uma estátua dourada de 42,7m do Lord Murugan, um deus hindu. Ao lado, uma escadaria de 272 degraus que leva à Temple Cave.

Além de um mínimo preparo físico para encarar a subida, você precisa ter coragem para não se assustar com os vários macacos. Sim, macacos. Dezenas. E eles interagem com os humanos, o que é mais assustador. Eles atormentam principalmente as pessoas que têm comida (cachos de bananas estão à venda na entrada), e são bem agressivos. Ainda bem que nós não tínhamos nada, porque até garrafinha de água eu vi eles roubando.

Enquanto recuperava o fôlego perdido com a subida, vi um cara cobrando para tirar fotos com cobras e iguanas. Mais adiante, duas lojinhas de souvenirs. Pra ser mais turístico que isso só se tivesse um McDonald’s dentro da caverna.

Eu sabia que Batu Caves era um lugar religioso, mas não sabia que era tão turístico. Muita gente que vai lá não tem nada a ver com o hinduismo, com exceção da época do festival Thaipusam, quando hindus do mundo todo vêm celebrar o aniversário do deus Murugan.

O lugar em si é maravilhoso, a caverna é gigantesca. Só acho lamentável que esteja tão mal cuidada, cheia de lixo e mal-cheirosa (pra não falar fedida mesmo). Nunca fui à Índia, mas imagino que seja algo bem parecido, inclusive com os macacos.

Claro, porque os fofos não estão só nas escadas da entrada, eles estão em todos os lugares, correndo entre as pessoas, soltando uns guinchos horríveis. No interior da caverna, contei mais de 20, de todos os tamanhos. Em nenhum momento me senti confortável com aquelas criaturas tão perto da gente, principalmente porque por causa do contato com os turistas, aprenderam a se defender. Estão mais agressivos, perseguem quem tem comida e assustam as crianças. Além do medo de levar um arranhão ou mordida de um macaco, fiquei pensando em histórias para um episódio de House. Fulano viaja a negócios para Kuala Lumpur, é convidado para visitar as Batu Caves e pega alguma doença de macaco que ninguém sabe o que é.

Enquanto eu pensava em como mandar minha ideia para os escritores de House, vejo do nosso lado três chinesas idiotas abrindo uma barra de chocolate para dividir com os macacos, e soltando gritinhos histéricos. Sim, elas deram chocolates para os macacos. Eu nunca pensei que alguém pudesse pensar em fazer isso, mas acho que nunca podemos subestimar a estupidez do ser humano. Quer alimentar os macacos, dê bananas, não uma barra de chocolate com amêndoas! Não segurei a indignação, chamei a atenção das três peruas que obviamente me ignoraram e saíram de perto rapidinho. Fui embora espumando de raiva e 272 degraus depois ainda tive a oportunidade de xingá-las mais uma vez.

Indignações à parte, saí de lá dividida. De um lado, um lugar impressionante, uma caverna gigantesca com uma importância história e religiosa. Do outro, a sujeira, falta de cuidado e o fato de estar completamente entregue ao turismo, sem controle nenhum.

Mas mesmo com todas as críticas, acho que vale a pena. Uma ida a KL não é completa sem uma visita às Batu Caves!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Kuala Lumpur

Final de semana passado foi feriado em Singapura, por conta do National Day. 44 anos de independência, a cidade inteira decorada e a promessa de uma festona. Mas como metade da população, resolvemos aproveitar o final de semana prolongado para viajar.

Decidimos ir para Kuala Lumpur, capital da Malásia, que fica a uns 400km de Singapura. Podíamos ter ido de avião, mas achamos que uma road trip seria mais legal para ver as paisagens e explorar o que desse vontade.

De cara já vimos um problema, porque se tem uma coisa que os malaios fazem mal é dirigir. Preocupação com segurança zero, o importante é chegar primeiro. Ônibus, caminhões, motos, carros, ninguém tem amor à vida.

No primeiro posto de gasolina, a primeira surpresa. Pausa: os mais sensíveis vão me desculpar por que o assunto é escatológico, mas vou tentar ser discreta.

Retomando: abri a portinha do banheiro e dei de cara com isso:



Aí me lembrei que estava num país muçulmano e esse tipo de "toalete" é mais prático para as mulheres com suas vestimentas compridas. Não sei se foi só naquele posto ou se é assim em todo lugar, mas não tinha papel higiênico, e sim um daqueles esguichinhos (à la bidê). Não sei exatamente como funciona, se elas levam uma toalhinha na bolsa ou se deixam secar naturalmente, mas como eu sempre tenho um pacotinho de lenço na bolsa não precisei testar as teorias.

No caminho, florestas imensas só de palmeiras, como nunca tinha visto. Lindo. O problema é que é época de queimada, o que deixa o país inteiro (e os vizinhos, diga-se de passagem) esfumaçado.

Chegamos em KL sem grandes problemas na estrada, mas nos perdemos na cidade com GPS e tudo. Não somos nós que somos incompententes, aquela cidade é uma loucura!

O hotel era super bem localizado, e graças a Deus o banheiro era normal (só tive que fazer malabarismo no chuveiro, projetado para asiáticos, que batia no meu ombro).

Fomos dar uma volta a pé e quase quebrei o pescoço de tanto olhar para as Petronas Towers e lembrar da Catherine Zeta-Jones pendurada na ponte naquele filme (Armadilha??). O prédio é impressionante, e à noite fica todo iluminado.



No sábado exploramos a cidade, fomos na Kuala Lumpur Tower, Merdeka square, Chinatown, Jalan Butik Bintang e todas as atrações “turísticas”. O fato é que KL não é uma cidade turística. Eu falava o tempo todo que se tivessem me levado para lá vendada, ao abrir os olhos teria certeza que estava em São Paulo. Encontrei muitas semelhanças... E vocês já imaginaram um daqueles ônibus turísticos em SP, com o trânsito caótico? Não funcionaria, né? Mas em KL tem.

Como no sábado já tínhamos visto tudo que tinha pra ver, no domingo pegamos o carro e fomos para dois lugares nas redondezas indicados por um amigo que morou em KL: Batu caves e a mesquita Sultan Salahuddin. As Batu Caves merecem um post exclusivo, porque tem muita coisa pra contar. Sobre a mesquista cabe nesse post mesmo.

A Sultan Salahuddin mosque fica um pouco afastada da cidade, mas vale a pena o deslocamento. É uma das maiores do sudeste da Ásia, e também conhecida como mesquita azul. Super bonita por fora, mas não vi por dentro...

Antes de vir para a Ásia tinha pouco contato com o islamismo. Não tinha amigos muçulmanos e a impressão que eu tinha da religião, infelizmente, era só o que a gente vê na TV. Agora tenho amigos muçulmanos que ajudam a diminuir a minha ignorância, mas para mim ainda é um mistério. Por isso, não me sinto confortável em entrar em uma mesquita. Não sei como vai ser, se vou ser bem vinda, se vou ter que ir para uma sala só com mulheres, se vou ter que cobrir a cabeça. Em templo budista e hindu eu entro na boa, mas em mesquitas não me sinto convidada. Pra provar que meu receio não é infundado, tirei foto da entrada da National Mosque em KL: A mesquita não está aberta para turistas não muçulmanos. Nunca vi esse aviso em igrejas ou templos, em lugar nenhum do mundo.

Falando em muçulmanos, fiquei impressionada com o número de mulheres usando burca eu vi em KL, principalmente no nosso hotel. A Malásia é um país muçulmano mas não é radical, as mulheres podem cobrir só o cabelo ao invés do corpo todo, o que me leva a concluir que as mulheres de burca eram turistas. Independente do que elas sejam, como impressiona ver uma mulher toda de preto só com os olhos aparecendo!! Algumas coisas que vi foram marcantes: pai e filho se esbaldando na piscina no calor de 35ºC enquanto a mulher ficava olhando de fora; um cara com duas esposas no passeio à Kuala Lumpur Tower; e como elas comem – no café da manhã não conseguia tirar os olhos delas, que tem que colocar a comida por debaixo do véu, sem mostrar nada (a única vantagem que vejo nisso é poder comer sem se preocupar se ficou um verdinho no dente). Já imaginaram que desagradável?

Bom, depois de três dias em KL, estava sentindo falta de Singapura. Não fui com grandes expectativas, por isso não me decepcionei. Acho que Kuala Lumpur é uma cidade importante na Ásia e gostei de ter visto, mas não é um lugar indispensável.

A não ser que vocês sejam como eu, obcecados em colocar vários alfinetes no mapa múndi!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Singapura: Expatriados

Singapura é um país que incentiva (e muito) a importação de talento estrangeiro, por dois motivos básicos: para ajudar no crescimento econômico do país, e para tentar melhorar o problema populacional (o número de idosos está crescendo, mas a taxa de fertilidade continua baixa). Por isso, o número de expatriados aqui é tão grande – em 2008 eram mais de 1 milhão de não-residentes vivendo em Singapura (esse é o dado mais recente, ainda não se sabe qual foi o impacto da crise).

Pelo segundo ano consecutivo o HSBC realizou uma pesquisa sobre expatriados em todo o mundo, batizada de Expat Explorer. A pesquisa contou com mais de 3.100 entrevistados que descreveram as oportunidades e os desafios que enfrentam vivendo longe de casa. O estudo fornece uma visão abrangente de como a vida de um expatriado difere de país para país.

No ranking de qualidade de vida do HSBC, 26 países foram avaliados. No topo da lista, Rússia, Qatar e Arábia Saudita. Singapura está em sexto lugar.

A pesquisa avaliou que a Ásia é a região que abriga os expatriados mais bem pagos do mundo, e por isso aqui eles têm um padrão de vida elevado. No entanto, o custo de vida para estrangeiros em Singapura é alto. Quarenta por cento dos entrevistados pelo HSBC gastam mais em acomodação do que expatriados em outros países, e até mesmo os gastos com diversão e saúde estão acima da média global.

Outro ponto interessante da pesquisa que só vem comprovar o que todo mundo já suspeitava: a maioria das pessoas que vai trabalhar em outro país aproveita para fazer um pé de meia. Mais de dois terços (68%) dos expatriados relataram que estão economizando e investindo mais desde que saíram de seus países de origem – esse número sobe para 80% quando se tratam de altos cargos executivos.

Bom, chega de estatísticas. Chegou a hora de eu dar minha opinião.

A relação expatriados e locais é delicada. Há quem viva pacificamente e há quem procure encrenca. Um exemplo clássico: de um lado, os locais dizendo que os expats vem para cá para só ganhar dinheiro mas não se esforçam para se integrar e não respeitam a cultura local; do outro, os expatriados reclamando de coisas como falta de educação e dificuldade de comunicação com os locais.

Eu sempre parti do princípio que, se você se predispôs a morar em outro país, tem que fazer o possível para se adaptar. É sua obrigação. Afinal de contas, é a casa deles, a cultura deles, e você é minoria. É mais ou menos como aquele post sobre visitas que eu escrevi.

O ditado “quando em Roma, faça com os romanos” resume perfeitamente o que eu quero dizer. Quer manter seus costumes e hábitos? Ótimo, para isso você tem sua casa. Não imponha sua cultura, não agrida a cultura do seu anfitrião. Não aja como um parasita, que só suga o que tem de bom e não dá nada em troca.

E a melhor coisa que você pode dar em troca (ou devo dizer o mínimo?) é seu respeito e interesse em se adaptar. Não precisa entender todas as diferenças, muito menos incorporá-las. Mas também não precisa andar por aí falando mal do país, ofendendo os locais e o estilo de vida deles.

Não aguenta? Não desce pro play. Ou melhor, faça as malas e volte pra casa.

Prontofalei.




Fontes: Statiscs Singapore e HSBC Expat Explorer survey

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Manual do caçador

Para aqueles que me perguntam como vai a busca de emprego mais do que criança em viagem que repete “paaaaai, já chegando?” a cada 2 minutos, esse post é pra vocês.

Procurar emprego é uma tarefa difícil. Exige dedicação, paciência, autoconhecimento, contatos e, principalmente, tempo.

Procurar emprego em outro país é mais difícil ainda. Pelo menos muito mais do que eu pensava. Uma pesquisa avaliou que leva-se em média 19 semanas para alguém encontrar um novo emprego. Ufa, ainda tenho um tempinho pra caber na estatística.

O primeiro passo para procurar emprego em outro país é traduzir e adaptar seu currículo. Traduzir por motivos óbvios e adaptar para se adequar ao modelo de CV do país, que provavelmente é diferente do que você estava acostumado. Vale até pesquisar modelos na Internet, mas com tanta referência por aí, a melhor coisa a fazer é encontrar alguém no país de destino que possa te orientar. Isso leva tempo.

Enquanto puxa pela memória tudo que você fez nos últimos empregos e quais foram as conquistas para cada um deles, você precisa encontrar uma maneira clara e concisa de descrevê-las. CV cheio de lenga lenga é ignorado e eliminado, e pronto acabou. Isso também leva tempo.

Depois que o CV está nos trinques, você tem que fazer um exercício de autoconhecimento poderoso, para identificar quais são seus pontos fortes e fracos. Isso vai te ajudar a completar os próximos três passos: a carta de apresentação, a análise de onde você gostaria de trabalhar e fazendo o quê, e a entrevista que você espera (um dia) conseguir. Isso leva t.... OK, parei.

Já sei que tem gente aí pensando que eu enlouqueci, que estou exagerando. Não enlouqueci não, é que estou estudando muito a arte de job-hunting. E pra quem acha que para encontrar um emprego basta cadastrar seu currículo num site especializado, uma estatística chocante: apenas 4% das pessoas conseguem emprego através da Internet. Não é uma perda de tempo absoluta, mas está longe de ser a melhor maneira.

Para mim (e muitos outros), a melhor maneira é ter alguém que te indique – o famoso QI.

Não que eu tenha anos e anos de experiência profissional, mas todos os empregos que tive, consegui através de indicações. Só que como em Singapura não conheço muita gente, tenho que começar do zero. Como?

Sendo mais do que ativa no LinkedIn, o “Orkut” profissional, procurando amigos de amigos que moram aqui e poderiam me ajudar e frequentando encontros de networking para conhecer gente.

Networking é mais uma das obssessões nacionais (depois de compras e comida), e logo na primeira reunião do grupo que participo, me disseram que eu precisava de um cartão de visitas. Com o tempo percebi que você não é ninguém em Singapura sem um business card. E graças à Rafa Ranzani, amiga e chefe de arte da revista TPM, tenho um cartão lindo para entregar aos meus novos contatos. Imprimi 300 de uma vez e espero não ter que imprimir mais nenhum (a próxima impressão será num cartão de uma empresa bem legal).

Desde que comecei a frequentar esse grupo, conheci muita gente – de idades e nacionalidades diversas – e aprendi muita coisa. Um desses novos contatos me deu o e-mail do gerente da RH de uma empresa que eu sonhava em trabalhar (e coincidentemente tinha uma vaga em Comunicação), mas cheguei tarde: a vaga já tinha sido preenchida. De qualquer maneira, é um bom sinal de que estou no caminho certo e uma hora ou outra vai pintar alguma coisa.

Enquanto isso não acontece, sigo tentando e esperando que algum headhunter me encontre, para que eu possa finalmente virar a caça, ao invés da caçadora.

Já mencionei que leva tempo?

domingo, 26 de julho de 2009

Mais uma de cozinha

É com muito prazer que informo à todos que tive uma experiência muito bem sucedida hoje na cozinha – sem dramas, dificuldades e bagunça quase zero.

Encontrei em um blog uma receita perfeita para quem mora longe e morre de saudades de comer um pãozinho de queijo no meio da tarde.

Na verdade é bem simples, e até mesmo eu, com todo meu dote culinário, não tinha como errar. Essa é a receita:

Pão de queijo improvisado

3 ovos
3 xícaras de polvilho doce (tapioca starch)
1 xícara de leite
1/2 xícara de óleo
200 gr de queijo parmesão
sal

Bater tudo no liquidificador, colocar em forminhas de muffins e assar em forno pré aquecido a 180 graus. Coloque só 1/3 da forminha de massa, vai crescer pacas – não precisa untar.

Uma receita rende umas 40 forminhas médias, e leva em média 30 minutos para ficar pronto.


O resultado foi ótimo, ficou macio e no ponto certo que um pão de queijo deve ter. Claro que a ausência de queijo minas é notável, mas o parmesão quebra um belo galho.

Como todos os nossos amigos estão fora do país essa semana (sim, todos, não sobrou um pra servir de cobaia), fiz 1/3 da receita e deu 12 pãezões.

Olha que lindo!!



sexta-feira, 24 de julho de 2009

Malhação

Um tempo atrás um amigo me perguntou no MSN o que eu faço aqui enquanto não estou trabalhando. Listei coisas básicas, sem grandes detalhes, como: cuidar da casa, procurar emprego, encontrar os amigos.

E ele retrucou: “ué, e academia?”.

Glupt. De cabeça baixa confessei que desde que mudamos para o apartamento ainda não tinha ido na academia. Detalhe: uma das razões para termos escolhido esse apartamento é que o condomínio é o máximo, tem sky gym e uma piscina digna de resort.

A ficha caiu forte, mas tão forte que por uma semana fiquei escutando zumbidos. Desempregada e desleixada não dava pra ficar. E então resolvi parar de enrolar e começar a frequentar a academia. É tão fácil, só preciso pegar o elevador e subir até o 34º andar, escolher um dos equipamentos e começar a me mexer.

Parece simples, mas eu sou meio preguiçosa. Em São Paulo, toda vez que me matriculava numa academia (e foram muitas...), encontrava uma característica do lugar para servir de estímulo. Na academia do prédio, a motivação é que as esteiras têm TV acoplada, e apesar de não ter muitas opções de canais (como não falo nem chinês nem malaio, só me resta o Channel 5, o principal canal de Singapura, em inglês), serve como entretenimento.

Então agora lá vou eu, no mínimo 3 vezes por semana, para a sky gym. Gosto de ir de manhã, logo depois de falar no MSN e Skype com o pessoal no Brasil, checar emails e dar uma arrumada na casa. Isso significa que subo na esteira por volta das 10h30, 11h da manhã – horário dominado por programas de culinária na TV.

No começo pensei que seria uma ótima idéia me exercitar enquanto aprendo como melhorar minhas técnicas (que técnicas??) na cozinha, mas com o tempo vi que é só um método avançado de tortura. Eu fico lá, me matando na esteira enquanto vejo como a Martha Stewart faz os melhores brownies do mundo.

Pensando bem, pode até ser que funcione. É uma técnica de motivação antiga, diria até rústica, quase como uma cenoura pendurada na frente de um cavalo.

É... talvez funcione.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Integrated resort

Em 2005 o primeiro ministro anunciou a decisão do governo de construir um resort integrado (integrated resort = IR – se você não quiser se sentir um ET em Singapura tem que aprender e usar todas as siglas rapidinho) em dois locais em Singapura: Sentosa e Marina Bay. O IR consiste em hotéis, cassinos, restaurantes, lojas e afins. O objetivo do empreendimento é aumentar o turismo, gerar empregos e melhorar a economia do país.

A decisão foi polêmica, por que muita gente era contra a construção de cassinos em Singapura – em geral por motivos religiosos e morais. Outros estavam preocupados com possíveis efeitos negativos que os cassinos poderiam trazer à população, como vício no jogo e aumento do empréstimo ilegal de dinheiro.

Uma empresa americana de Las Vegas (Sands) está tocando o mega empreendimento em Marina Bay, e outra é responsável pelo Resorts World at Sentosa (que inclui um parque da Universal Studios!). Ambos devem ser inaugurados no começo de 2010. A obra em Bay funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana. Eu, que estou aqui só há três meses (!!), noto nitidamente a evolução dos três prédios, que futuramente serão interligados por um jardim aéreo de 1 hectare. Pois é, para vocês terem uma noção do tamanho do empreendimento.

Para limitar os impactos sociais que os cassinos poderiam trazer para a população, algumas medidas foram propostas, como a restrição de singapureanos e a implementação de um sistema de exclusões, que explico a seguir.

Foi estipulado pelo governo que, caso um singapureano queira ir a um dos cassinos, terá que desembolsar S$100 de ENTRADA. Turistas e expatriados poderão entrar de graça.

Sobre o sistema de exclusões: caso alguém tenha algum parente viciado em jogo pode ligar desde já para o hotline criado pelo governo para informar nome, número do documento, etc, e BLOQUEAR a entrada dessa pessoa num dos cassinos. Você também pode fazer isso voluntariamente, se sentir que a inauguração do paraíso é uma ameaça à sua integridade.

Estou achando isso tudo muito interessante. Primeiro, todo mundo sabe que aqui o governo tenta controlar tudo. Não me surpreende que queiram controlar mais uma coisinha que irá contribuir para manter o equilíbrio e evitar problemas sociais, mas não deixa de ser curioso. Não sei se essa coisa de bloquear pessoas do cassino existe em outros países, mas até que eu achei uma boa ideia (evidente que no Brasil isso jamais funcionaria, neguinho ia encontrar um “jeitinho” de contornar a lei).

Um dia desses toquei no assunto com um taxista (adoro conversar com os taxistas normais, que não cheiram noodles e não tem tique nervoso), e perguntei o que ele achava da taxa de entrada para os locais. Me surpreendi com a resposta, dada aos berros: “DEVIA SER MUITO MAIS!” Ele justificou explicando que o vício na jogatina faz parte do DNA dos chineses. Entendi o ponto de vista dele, agradeci, paguei a corrida e desde então minha curiosidade só aumentou.

Depois desse episódio, em quase todo táxi que eu entro puxo papo sobre o cassino. Até agora só aquele primeiro taxista concordou com a atitude do governo... Todos os outros acham o fim da picada, e gostariam de ter o mesmo direito que todas as outras pessoas, de entrar no cassino sem pagar taxa de entrada.

Na verdade, eu duvi-d-o-do que metade das pessoas com quem falei realmente fossem frequentar algum dos cassinos. Entendo que o fato de haver uma lei que diferencia os locais de todos os outros seja, no mínimo, irritante, mas acho sinceramente que não vai afetar em nada a vida deles.

Fico imaginando o que aconteceria se resolvessem cobrar taxa de ingresso para os shopping centers. Aí sim eles enlouqueceriam e o governo conheceria a fúria adormecida dos “pacatos” singapureanos.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Chiang Mai - Tailândia

Final de semana passado fizemos nossa primeira viagem! A empresa do Steven organizou um final de semana para “team building” e esposas/maridos também foram convidados. Sorte minha! Mas como não foi uma viagem planejada por nós, o destino não foi escolhido, mas nem por isso deixamos de aproveitar. Eu, na minha ignorância completa e absoluta em geografia asiática (a não ser por localização dos países e algumas capitais – mas estou trabalhando nisso), nunca tinha ouvido falar em Chiang Mai.

Acontece que Chiang Mai é a segunda maior cidade da Tailândia. Localizada no norte, perto da fronteira do Mianmar e Laos, tem aproximadamente 2 milhões de habitantes e uma importância histórica por causa da rota da seda. Apesar da cidade em si não ser grandes coisas, tem algumas atrações extremamente interessantes em volta, o que justifica o grande número de turistas.

Chiang Mai não me pareceu muito diferente de uma cidade de médio porte no Brasil. Na verdade, me lembrou muito das cidades que visitei em 2008 com a competição do Melhor Motorista de Caminhão do Brasil (meu passado me condena). Não fosse pelas pessoas, direção no trânsito, idioma e outros detalhes, poderia achar que estava em Rondonópolis.

Enfim, Chiang Mai é um destino popular entre os turistas por causa das lujinhas, templos budistas, natureza e elefantes. Sim, eu sei que elefantes fazem parte da natureza mas eu queria dar um destaque especial a eles. Vocês já vão saber porquê.

No primeiro dia, caímos num golpe de agência de turismo. Descemos do avião crentes que íamos fazer um city tour, mas o que fizemos foi um shop tour. Não vimos nada além de “fábricas” para turista ver com direito a lojinha no final. A sequência foi: “fábrica” de guarda-sol e leques, “fábrica” de seda, “fábrica” de jóias, “fábrica” de couro, loja de mel (essa foi a pior de todas), e restaurante/loja de produtos chineses bizarros, que servia bird’s nest (ninho de passarinho) e shark fin’s soup (sopa de barbatana de tubarão) e vendia coisas comestíveis que me recusei a ver. Sentei na sarjeta com metade do grupo que também não estava satisfeito com o “tour” enquanto as mulheres singapureanas se acabavam em compras (aliás, foi tudo que elas fizeram nessa viagem – nunca vi nada parecido, mas a justificativa é que os preços são BEM menores que em Singapura. E são mesmo).

Depois do mico diurno, tivemos a noite livre. Então pegamos um tuk-tuk, o mais popular meio de transporte da Tailândia, alternativa ao táxi(um triciclo com uma garupa coberta que comporta até três pessoas), e lá fomos nós para um restaurante recomendado por alguém. (o video do trajeto no tuk tuk será colocado no Flickr)

No dia seguinte acordamos cedo e tínhamos programação intensa: visita a um acampamento de elefantes e a uma vila onde moram diversas tribos.

A experiência no Maesa Elephant Camp foi muito melhor do que esperávamos. A localização é maravilhosa, no meio das montanhas, e o Maesa é o lar de quase 80 elefantes e seus mahouts (treinadores). Lá você pode andar de elefante, assistir a um show divertidíssimo, vê-los tomando banho no rio e tirar fotos, muitas fotos. Eu quase enlouqueci no tempo que estivemos lá, me surpreendi com a inteligência dos animais, de como são bem tratados e como parecem felizes. Vi elefantes tocando gaita, jogando futebol, pintando quadros... não, não enlouqueci, e as fotos e vídedos estão no Flickr para provar.

Depois, fomos para Baan Tonluang, uma vila na montanha que abriga pessoas de várias tribos diferentes: Karen Padong (Long Neck), White Karen, Lahuchibalah, Mong (meo) e Pharong (Long Ears). A grande atração da vila são as mulheres da tribo Karen Padong, que usam aquelas argolas para deixar o pescoço bem comprido. Elas são originalmente de Mianmar, mas se exilaram na Tailândia em busca de uma vida melhor. As mulheres da tribo vivem de artesanato, não sei bem o que os maridos fazem. Elas acreditam que quanto maior o pescoço, mais bonitas elas são. Conheci uma que tem a minha idade e 25 argolas, que pesam mais de 5 kilos. E ela ainda quer colocar mais.

As meninas são extremamente tímidas, e não parecem tão felizes de terem virado atração turística. Percebi que não gostavam que tirassem foto delas, e fiquei morrendo de pena. Era quase como se elas fossem uma atração de circo, já que as pessoas iam lá só para vê-las, e não para comprar artesanato. Eu mesma acabei não comprando nada, e me arrependo muito. Mas a experiência também foi super legal e recomendo o passeio – e também que levem dinheiro trocado para comprar os itens lindos que elas vendem.

Uma viagem à Tailândia não é completa sem uma boa massagem (que de sexual não tem nada, ao contrário do que dizem no Brasil). E como a cada 10 metros tem uma casa de massagem, não é difícil, nem caro, se render a 1 ou 2 horas de relaxamento. Uma delícia.

E para fechar a viagem, fomos a um templo budista (não dá pra ir à Tailândia e não visitar nem unzinho), o Wat Doi Suthep (Wat é templo em tailandês), o mais importante da região. Localizado no topo de uma montanha a quase 2 mil metros de altitude, esse templo do século 14 é maravilhoso. Grande, cheio de monges circulando e trilhões de turistas – lado negativo da história. Valeu a pena para ver um templo budista tailandês, acender um incenso e uma vela e dar três voltas na pagoda para dar sorte e tirar mais trocentas fotos.

Antes de irmos embora, me rendi a mais uma sessão de massagem – dessa vez de reflexologia. Passei uma hora inteirinha tendo os pés e a cabeça massageados por uma moça do tamanho de um pigmeu mas com a força de um elefante.

Resumindo o que talvez seja o maior post que já escrevi, a Tailândia é o máximo. Bom para novas experiências, massagem, comida (me entreguei total, comi de tudo, queimei a língua com os temperos e enjoei do lemon grass (tradutoras, a little help?) que tem gosto de sauna, mas no geral gostei muito!) e, claro, compras.

Afinal de contas, a Tailândia é cheap cheap*!

*cheap cheap é o que todo mundo que está vendendo alguma coisa na Tailândia fala (ou grita) o tempo inteiro, para atrair ou convencer os clientes a comprar algo

terça-feira, 14 de julho de 2009

Sobre visitas

Essa semana recebemos hóspedes – um casal de amigos holandeses, que fez uma visita parcelada em duas vezes, com direito a viagem à Tailândia no meio.

Quem mora fora sabe como funciona o esquema das visitas. Minha amiga Luiza morava em Barcelona, um dos destinos mais populares na Europa, e um dia me mandou um email gigante explicando que o número de amigos (e nem tão amigos) indo visitar era tão grande que ela não aguentava mais. Estava estafada.

Acho que isso não vai acontecer comigo aqui, por que é longe pra dedéu, e por que não é um destino tão popular assim. Mas já na minha primeira experiência com visitas deu pra ver os dois lados de hospedar gente em casa.

Visitas exigem atenção e cuidado. Você tem que planejar, preparar a casa, uma programação interessante. Tem que estocar comida e bebida pensando nos gostos de cada um. Tem que pensar nos imprevistos e deixar tudo limpo, lindo e organizado para agradar seus hóspedes e causar uma boa impressão.

Receber visitas é ótimo por que você passa tempo com amigos queridos, pode mostrar a cidade onde está morando, se diverte, dá risada, mata as saudades, põe o papo em dia, etc. A casa fica cheia, a programação é intensa e tem coisas que você só faz quando vem gente de fora.

Já o lado ruim, merece uma lista... que vou fazer como se fosse um guia de do’s and don’ts (e sim, serve como desabafo da experiência mais recente):

1) Quando te perguntarem o que você gostaria de ver e fazer durante sua temporada na cidade, seja claro, fale quais são seus interesses e o que você não faz a mínima questão de fazer para não desperdiçar o tempo de ninguém – nem o seu, nem o do seu host.
2) Não reclame o tempo inteiro que não tem dinheiro. E se reclamar, aja de acordo, e não peça entrada, prato principal e sobremesa nos restaurantes, e não saia comprando tudo que vir pela frente.
3) Reclamar que a cidade é cara o tempo inteiro e toda vez que vir uma conta não é legal. Venha sabendo que Singapura é caro e tente reduzir os comentários negativos em 50%.
4) Pode reclamar do calor, que é grande mesmo, e pode usar o ar condicionado à vontade. Desde que você esteja no ambiente ou prestes a entrar lá. Ar condicionado ligado o dia inteiro só serve para refrescar os fantasmas e bombar a conta de luz.
5) Ajude um pouquinho nas tarefas da casa: lave a louça do café da manhã, recolha os trocentos copos que você usa e vai deixando por onde passa, não deixe seus pertences jogados no chão da sala.
6) Ofereça ajuda: para limpar, arrumar ou comprar algo. Provavelmente o host não vai aceitar, mas vai ficar feliz de ouvir sua oferta. Mostra atenção e cuidado.
7) Agradeça seus hosts, traga um presentinho, e se não der, ofereça para pagar uma refeição ou a conta do supermercado. Qualquer demonstração simples de gratidão serão muito bem vindas.

Essas são sugestões simples para tornar a experiência mais agradável, e, quem sabe, ouvir seus hosts dizerem (sinceramente) que esperam seu retorno.


PS- Não me entendam mal, continuo querendo receber muitas visitas! Não precisam ficar com medo de que eu vou postar um texto aqui no blog reclamando de vocês assim que passarem no portão de embarque. Claro que não vou fazer isso, mas se necessário for vou usar o blog do Steven e escrever em holandês! HA! Just kidding.

domingo, 12 de julho de 2009

Singapura: Desenvolvimento urbano

Singapura é um país em constante evolução. Apesar da mania de grandeza, que faz com que eles tentem bater todos os recordes imagináveis (a maior fonte do mundo, o bar mais alto da Ásia, a maior roda gigante do mundo e por aí vai) e transforma a cidade num campo de obras, muita coisa interessante acontece por aqui.

O desenvolvimento urbano é ordenado e pensado para melhorar a vida da cidade, deixando-a mais bonita, sim, por que não? A cidade é bem verticalizada, cheia de prédios empresariais imensos e condomínios extravagantes (em geral onde os expatriados moram - a maioria dos locais moram em HDB (sistema público de habitação), que de modernos e bonitos não têm nada, mas também estão presentes no centro), shoppings e monumentos.

Acho que o povo aqui valoriza muito o fato do país ter se desenvolvido tanto em tão pouco tempo, e por isso adoram exibir seus arranha-céus e prédios modernosos. Mas me parece que eles ainda não estão satisfeitos com o que já têm, porque a cidade inteira está em obras. A vista da Singapore Flyer mostra um mar de guindastes, a perder de vista. Nós vimos oito apartamentos para alugar no centro e todos sem exceção tinham pelo menos um prédio sendo construído por perto. Ou seja, barulho de obra é default.

Conversando com um casal mais experiente (ele francês, ela holandesa), perguntei o que vai acontecer em Singapura quando o espaço disponível para construir mega empreendimentos acabar. “Simples”, disse o francês. “Eles derrubam o velho e constroem algo super moderno em cima. E isso nunca vai mudar em Singapura”.

No momento, a grande tetéia das obras é o mega complexo Marina Bay Sands, parte do Integrated Resorts - IR para os íntimos (eles adoram siglas... deviam fazer um dicionário para os forasteiros!). São três prédios com lojas, restaurantes, que serão interligados por um jardim aéreo imenso, e o ponto mais importante de todos: o primeiro cassino de Singapura. E esse é um assunto muito, mas muito polêmico. Que vou falar num próximo post.

Mesmo com essa obsessão por mega construções, a ilha também é bem arborizada e tem aproximadamente 50 parques espalhados pela cidade – coisa que também é muito valorizada e apreciada por todos.

O ponto é que Singapura vive se reinventando, e isso tem o lado positivo e o negativo. Não sou arquiteta, nem urbanista, nem nada parecido, mas se eles conseguirem continuar fazendo isso ao mesmo tempo em que se preocupam em preservar a história e identidade do país, que mal há?

Curiosidade: o Merlion, símbolo da cidade, metade leão, metade peixe foi criado em 1964 pela STPB (Singapore Tourist Promotion Board), e portanto por anos e anos as pessoas estavam acostumadas a vê-lo na beira do rio. Uma conhecida foi morar na Inglaterra por alguns anos e quis visitar o Merlion quando voltou pra Singapura, mas... surpresa!! Não estava mais lá. Em 2002, alguém decidiu que aquele não era o melhor lugar e resolveu movê-lo. Vocês já viram monumento mudar de lugar? Esse é só um exemplo do que Singapura é capaz de fazer.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Singapura: Idioma

Por ter sido uma colônia da Inglaterra por mais ou menos 140 anos até 1963 (tipo anteontem), não é estranho que Singapura tenha herdado o sistema legal e o idioma para administração, negócios e educação nas escolas. Mas são quatro os idiomas oficiais: inglês, mandarim, malaio e tamil – e o extra-oficial, que expliquei aqui.

Sobre o singlish, acredito que seja o preferido entre os locais quando estão conversando entre si. Mas a maioria dos singapureanos têm a habilidade de mudar rapidamente entre singlish e inglês. Se um ang mo entra na roda, eles automaticamente começam a falar inglês. A diferença é nítida, e apesar de poder pescar algumas palavras ou o tema geral da conversa, só vai entender tudo quem fizer estágio intensivo com os locais.

Mas é verdade que mesmo o inglês falado aqui é diferente. Tão diferente quanto o adotado nos EUA, Inglaterra, Austrália, etc, quando comparados. Assim como cada país tem sua particularidade, em Singapura você nota a diferença no sotaque, expressões e, again, entonação. Eles não gostam de serem ridicularizados pelo jeito como falam inglês, e garantem que muita gente aqui dá um baile em muito americano - questão de orgulho, estereótipo e cultura.

Uma curiosidade: as pessoas que trabalham no rádio e televisão passam um tempo fora (Inglaterra ou EUA) aperfeiçoando a fala para soarem mais “ocidentais” – ou seria “internacionais”? A pergunta é: se eles têm tanto orgulho do inglês singapureano, por que é que vão para outro país para aprender a falar como “o resto do mundo”?

Outra curiosidade: a maioria dos Peranakans (que expliquei no post anterior) tem ascendência Hokkien, e mesmo assim o governo adotou o mandarim como dialeto chinês oficial. No passado os hokkiens devem ter ficado muito bravos com essa determinação, mas acredito que a essa altura já estejam habituados. Ou não.

Enfim, tudo o que você precisa para viver em Singapura é uma mente aberta, um bom senso de humor e cotonetes.

O resto a gente vai aprendendo aos poucos.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Singapura: População

Essa pequena grande ilha atualmente tem 4.84 milhões de habitantes. A população é bem variada, um mix de várias etnias e culturas diferentes, quase ou mais bagunçado que o Brasil. Uma paçoca só.

Mas vou tentar simplificar: os habitantes originais eram malaios e aborígenes chamados “Orang Laut”, literalmente “povo do mar” em malaio.

Atualmente, a maioria é descendente de chineses, seguida de malaios e indianos. Em números aproximados: 75% chineses, 13% malaios e 8% indianos (o restante são eurasians (europeus que casaram com asiáticos) e árabes, que juntos chegam a 2%) Portanto se alguém cair aqui de páraquedas sem saber onde está, vai ter certeza que está na China.

Desses descendentes de chineses, há ainda os Peranakans, um povo importante na história de Singapura. Peranakan é uma raça híbrida, uma mistura de chineses e malaios, com influência de outras culturas (de Portugal, Holanda, Indonésia, entre outros).

Durante séculos, as riquezas do sudeste da Ásia eram trazidas por comerciantes estrangeiros. Enquanto muitos retornavam à seus países de origem, alguns permaneceram na região e se casaram com as mulheres locais. Em malaio, o termo “peranakan” significa “nascido na região”. Os chineses peranakan são descendentes dos comerciantes que se acentaram em Malaca (na Malásia) e ao redor da costa de Java e Sumatra (Indonésia) no início do século 14. No século 19, os chineses peranakans, atraídos pelo comércio, migraram para os portos de Singapura.

A cultura Peranakan é forte e muito rica. Visitei o Peranakan Museum duas vezes e fiquei super impressionada. As cores, os hábitos, as crenças, as jóias... Recomendo!

Andei percebendo que os locais não apreciam nada o número crescente de imigrantes chineses nos últimos anos. Há uma certa rivalidade, os singapureanos reclamando que os chineses vêm pra cá explorar Singapura, enquanto esses tiram sarro que os singapureanos não falam mandarim direito (vou falar sobre o idioma num próximo post). Dizem os locais que identificam de longe se a pessoa é chinesa ou não, mas eu ainda não sei distinguir.

Os malaios são ainda mais difíceis de identificar, por que eles podem ter a pele mais escura, mais ou menos como a de pessoas provenientes da Índia e Sri Lanka, ou caso sejam Peranakan também podem parecer chineses. Tricky. Na dúvida, melhor não bancar o esperto e tentar adivinhar.

Por que é fato: não há uma cultura singular em Singapura. Pensando bem, será que ainda há no mundo um lugar com população homogênea?


Fonte: Wikipedia, Peranakan Museum e Ange Teo, amiga e empresária, oferece treinamento intercultural para expatriados