segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Em crise na balada

No último mês acabamos indo para a balada duas vezes – digo “acabamos indo” porque nenhuma das vezes foi programada. Na primeira estávamos em um aniversário, e na segunda em uma despedida, e como uma coisa leva a outra e a turma estava animada, acabamos esticando a noite e indo parar numa boate.

Claro que é divertido. Sempre gostei de sair à noite e não há tanto tempo assim eu tinha um programa pra fazer todo santo dia. Mas naquela época, eu era solteira. Sei que tem gente que não vai concordar, mas acredito piamente na tese que diz que gente solteira tem muito mais pique pra sair do que gente comprometida/casada. O motivo principal seria para não ter que ficar sozinho em casa, ou então para procurar alguém que preencha o vazio e ocupe o outro lugar no sofá.

Gente comprometida sossega, e é natural. E vejo muita gente da minha idade se sentindo velha porque ir pra balada não é mais tão legal quanto era, a música é alta demais pra conversar, as pessoas ficam esbarrando em você e invariavelmente você acorda com dor de cabeça no dia seguinte.

Velhos.

Eu não me sinto velha – ufa, até porque eu não sou. Mas ir para a balada deixou de ser meu programa favorito. Prefiro sair pra jantar, sentar numa mesa de bar – qualquer coisa que me permita ficar sentada e conversar sem ter que gritar. Ok, semi velha.

Mas a crise do título não é sobre a idade. É sobre o comportamento das pessoas.

Em todas as baladas que fui desde que cheguei aqui, além dessas duas no último mês, acabo meio impressionada com a fauna. Primeiro pela maneira como algumas pessoas se vestem (a última balada estava infestada de meninos vestidos de menina – e que não tinham mais de 25 anos), segundo por como elas dançam.

Cada um tem seu jeito de dançar, apesar de ser mais ou menos parecido – apoiando o peso cada hora em uma perna, tirando os pés do chão ou não, variando a velocidade, dobradura dos joelhos e movimento dos braços. Pode ser temperado com uma jogada de cabelo ou rodopio. Mas o movimento é basicamente o mesmo.

Só que aqui, notei que as mulheres vão muito além. Elas dançam coladas, mulher com mulher, rebolam, fazem gestos sensuais e ficam se esfregando, como se estivessem no palco de um cabaré. Só falta o pole para completar o show. Até quando dançam sozinhas elas parecem não abandonar o ar sedutor, e eu acho tudo isso muito forçado. Não é natural e nem bonito, e toda vez me pego no meio da pista de dança pensando como foi que isso começou (e quem elas pensam que enganam).

Em Singapura a sexualidade é assunto delicado. Educação sexual é um tema polêmico e mal resolvido. A sociedade é conservadora e muita gente casa virgem (por valores familiares e religiosos, os tais “valores asiáticos”) ao mesmo tempo que gravidez precoce também é um problema.

E mesmo casais jovens parecem não praticarem tanto a atividade já que a baixa taxa de natalidade é prioridade do governo, que já criou uma campanha para tentar incentivar os casais a terem filhos (Romacing Singapore) e um programa que oferece benefícios a quem tiver mais de um filho (Baby Bonus).

O comportamento da balada é incoerente com as notícias que lemos no jornal. Não faz sentido. Parece falso liberalismo, uma imagem que não condiz com a realidade. Sei lá, talvez haja uma explicação escondida que eu ainda não tenha enxergado. Mas realmente não sei se o que gera esse comportamento é o estereótipo da asiática sexy (e que não passa de fachada), simplesmente a vontade de chamar a atenção ou se os jovens realmente estão mudando.

Ou talvez eu esteja mesmo ficando velha.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Guia de multas

Como eles dizem por aqui, Singapore is a fine* country!

Antes de eu chegar já tinha ouvido falar tanta coisa sobre a rigidez das leis e as punições, que não sabia dizer o que é verdade e o que não é. Então, fiz uma pesquisa do que é proibido fazer em Singapura e quais as consequências para o infrator. Aqui está o top 10:

1) Excesso de velocidade = até $130-180
2) Atravessar a rua fora da faixa de pedestres = até $500
3) Comer e/ou beber em ônibus ou metrô = até $500
4) Cuspir ou jogar lixo na rua = até $1.000
5) Fumar em local proibido = até $1.000 (na rua, é proibido fumar a menos de 5m de alguma porta de entrada ou saída onde é proibido fumar)
6) Arrancar flores de lugares públicos = até $2.000
7) Fazer sexo em lugares públicos = até $20.000
8) Andar por aí sem roupa = até $20.000
9) Porte e/ou tráfico de drogas = prisão e, para tráfico, pena de morte
10) Vandalismo = prisão e 3 a 6 chibatadas

É claro que isso não quer dizer que todo mundo que ultrapassa os limites de velocidade, fuma na rua ou cospe tem que pagar a multa. Mas é um risco que se corre...

Sobre chicletes, ainda não tenho 100% de certeza sobre o valor da multa, porque em cada lugar que procuro a informação é diferente (e, convenhamos, o governo não teve a iniciativa de fazer “Guia de Multas” como o meu). O fato é que não são vendidos em lojas e supermercados, somente em farmácias e consultórios médicos ou odontológicos – e você precisa fornecer nome e identidade. Caso o farmacêutico não anote seus dados, ele é que pode levar multa ou até ser preso. Não é permitido importar chicletes (se você conseguir trazer na mala e não ser pego, sorte sua), e é proibido jogar na rua, grudar em bancos, cadeiras, paredes, etc.

Como em todos os lugares, pirataria também é ilegal. Mas aqui talvez seja mais controlado que outros países, porque até sites de download de filmes e séries são bloqueados. Pornografia, então, nem se fala. E mesmo com todas essas proibições já ouvi gente falando que compra DVDs piratas de ambulantes na rua. Eu nunca vi.

É proibido trazer cigarro de fora (e se comprar no free shop, tem que pagar todos os impostos), há um limite para bebidas alcoólicas compradas no free shop sem impostos (1L de vinho, 1L de destilado e 1L de cerveja) e armas de nenhum tipo são permitidas (nem as estrelinhas ninja vendidas em camelôs da Tailândia). Não vou nem mencionar drogas. As leis da alfândega são rígidas e claras. Não adianta chorar se for pego com algo errado.

De todas as proibições que vi até agora, as mais engraçadas são: não dar descarga após usar o toalete (talvez por isso a maioria dos banheiros tenha sensor infravermelho e a descarga é automática), e fazer xixi no elevador. Ou essas leis existem porque alguém já cometeu o crime, ou para amenizar o impacto e descontrair o cidadão que lê a lista de proibições e multas.

E preciso dizer que o fato das leis serem rígidas não significa que ninguém faz nada de errado. Impossível controlar todo mundo o tempo todo, então é claro que tem gente que cospe na rua, atravessa fora da faixa e ultrapassa os limites de velocidade. Sem falar do povo que atravessa a fronteira da Malásia, vai até Johor Bahru (JB, para os íntimos), compra tudo que é ilegal e falsificado e traz escondido para Singapura.

Fui pesquisar sobre as tais chibatadas, assunto tão polêmico, e me parece que fazem parte da pena a ser cumprida (você vai pra cadeia e ainda leva umas chibatadas – e o número será definido de de acordo com o crime cometido e não são dadas como única forma de punição. Estrangeiros não escapam do que alguns afirmam ser agressão aos Direitos Humanos, como foi o caso do adolescente americano que foi acusado de roubo e vandalismo em 1994 e condenado a prisão e 6 chibatadas. Mas o Clinton, então presidente, interferiu e ele acabou levando “só” 4.

Só posso dizer que, como sei que aqui as coisas são bem diferentes do Brasil e o “jeitinho” não funciona, melhor dançar conforme a música. Se isso quer dizer que não posso mais tomar Coca Zero no metrô e nem grudar chicletes embaixo do banco, so be it.


PS- o metrô de SP deveria seguir o modelo! Lembro de como era insuportável o cheiro de milho verde com manteiga que as pessoas comiam da marmita de isopor com garfo plástico.


*trocadilho que diz que Singapura é uma cidade bacana, mas também a cidade das multas.

Fonte: Wander guide (publicação Juice Media), Uniquely Singapore, The Straits Times

sábado, 14 de novembro de 2009

mc na TV!

Alguns de vocês já sabem que eu participo de um grupo de networking chamado Career Connect Singapore que tem como objetivo ajudar pessoas que estão procurando emprego (ou clientes) em Singapura.

As reuniões acontecem toda terça-feira num café e tem 2 horas de duração. Toda semana temos um tópico a ser discutido, e ocasionalmente algum convidado especial faz uma apresentação. Eu sou participante ativa desse grupo desde que cheguei em Singapura e aprendi muito sobre como procurar emprego, fazer networking, ténicas de entrevistas entre outras coisas.

Há algumas semanas um dos membros do grupo trouxe uma equipe de TV da Fox News (EUA) e eles fizeram uma matéria sobre o nosso grupo! Cliquem no link abaixo para ver a mc na TV!

http://www.foxnews.com/search-results/m/27390318/lost-in-translation.htm#q%3Dsargent


PS- me convidaram para gravar meu elevator speech, mas eu tenho pavor de câmeras e microfones...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Atendimento hospitalar

Semana passada estava em casa fazendo nem me lembro mais o quê, só lembro que sentia calor e por isso resolvi abrir a porta de correr da varanda.

Distraída, empurrei a porta com toda força, mas esqueci de retirar um dedo do caminho. Com isso, o pobre dedo primeiro foi esmagado para entrar no inexistente vão entre as portas, para depois ser esmagado mais uma vez na saída.

Não acho que preciso falar aqui sobre a dor que eu senti. Até porque com a descrição do ocorrido aposto que já tem gente morrendo de aflição. Portanto, pouparei-os dos detalhes e aproveito também para pular o capítulo em que eu vou buscar gelo e desmaio no chão da cozinha.

Acidentes domésticos acontecem (ultimamente com mais frequência que o normal, mas afinal de contas tenho passado mais tempo em casa do que nunca) e o importante é saber lidar com eles.

Mas nesse dia, não soube lidar nem um pouco com o problema. Eu tentei, mas o desmaio permitiu que o desespero tomasse conta de mim. Liguei para o Steven, aos prantos, que veio correndo pra casa me buscar para levar para o hospital.

A dor era tanta que eu achei que tivesse quebrado o dedo.

Já na recepção do hospital, tentava manter a calma na fila e no atendimento lerdo. No balcão, vejo a seguinte plaquinha: “em caso de dor extrema, favor informar”. Me peguei pensando que, se as pessoas têm diferentes níveis de tolerância à dor, o que qualifica uma dor extrema? Sangue? Ossos à vista? De qualquer maneira, não sei se iam acreditar que uma mulher do meu tamanho prendeu o dedo na janela e agora estava dando show na recepção do pronto socorro.

Odeio drama, e mesmo sendo uma boa Penélope, tudo tem limite.

Mordi os lábios e fiquei lá esperando minha vez. Expliquei o caso, entreguei o documento, peguei a senha e fui para a sala de espera – que mais parece a de um consultório do que de um pronto socorro.

Minha senha apitou no painel e indicando para a salinha nove. Chegando lá, dei de cara com o médico que atendeu o Steven há uns meses e que ainda deve usar fraldas de tão novinho – ou talvez seja porque os orientais aparentam ser mais jovens do que realmente são. Ele também nos reconheceu e confesso que quase perdi o controle quando ele parou de me examinar para bater papo com o Steven. Helloooo paciente com dor não aguda mas nem por isso deixa de ser dor!

Então o doutor me encaminhou para o raio-x, e meia hora depois eu já estava de volta à sala de espera com o resultado. Mais uma vez minha senha aparece no painel, volto para a salinha nove, o doutor diz que não quebrou, mas que está inflamado e que em casos mais sérios é preciso remover a unha. Assustada, pergunto se meu caso é sério, ele diz que não, então eu faço uma cara de aflição/nojo e peço para que ele faça o favor de me poupar dos detalhes de um procedimento desnecessário. Termino a frase com um sorriso.

Sem entender a piada (a capacidade para entender sarcasmo aqui é limitada, e eu nunca me lembro disso) ele prescreve um antiinflamatório que diz funcionar também para dor e pede que eu coloque a mão numa bacia de água gelada ao chegar em casa.

De receita em mãos, me encaminho para outro balcão, onde deposito os papéis da consulta na caixa de entrada. Volto para a sala de espera, que a essa altura já não me parece mais tão moderna, e fico lá sentada olhando para os outros pacientes e tentando adivinhar o que há e errado com cada um deles até que meus pensamentos sejam interrompidos por um:

- MISS CLÓDIA!

Ah, é, miss Clódia sou eu. Volto para o balcão, pago a taxa de $60 dólares pela consulta + raio-x + remédios, que vêm num saquinho ziploc etiquetado com meu nome e posologia, na quantidade exata para o tratamento recomendado pelo médico.

Acho aquilo tudo muito eficiente, e apesar de estar com raiva de todos os funcionários por eles serem meio lerdos e por desconfiar que eles nem se lembram da existência da plaquinha sobre dor extrema, penso como é incrível poder sair do hospital e ir direto pra casa, sem ter que parar na farmácia e comprar mais comprimidos do que o necessário.

Já em casa, sigo as ordens do tio e meto a mão na bacia congelante, vendo Grey’s Anatomy na tevê e comparando o atendimento médico de Hollywood x Singapura.

Agora só me resta pintar todas as outras nove unhas das mãos de preto e esperar a unha danificada cair. Aí eu pinto novamente as outras nove de cor da pele (ou nude, que é tendência), porque afinal de contas, o importante é estar combinando.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Qual é o pente que te penteia?

Desde que cheguei em Singapura estou numa batalha diária com o meu cabelo.

É quente demais para deixar a vasta cabeleira cobrindo pescoço, ombro e costas como uma manta. Então meu cabelo vive preso, e qual é o motivo para ter cabelo comprido se eu só saio de coque? Sinto falta do cabelão solto, do movimento, de sentir os cabelos ao vento.

Além disso, a umidade daqui faz com que os fios se rebelem, levantando para demonstrar a rebeldia, e formando uma camada extra acima da minha cabeça: uma nuvem de fios.

Pois é, ao invés de às vezes ter um bad hair day, vez ou outra eu tenho um good hair day.

Fazer escova aqui é uma perda de tempo, por quatro motivos:

- todas as mulheres reclamam que aqui o cabelo cai mais (talvez por causa da água), e tenho receio de judiar ainda mais com a escova e o secador
- não há tomada nos banheiros (por proibição do Governo – será que muita gente se matou jogando o secador na banheira?), então tenho que secar o cabelo no corredor, sem espelho
- a tomada do corredor fica lá embaixo e, minha cabeça, lá em cima (ninguém mandou ser alta e decidir morar na Ásia). Se eu não dobrar os joelhos o secados não chega no topo da cabeça, e isso é muito cansativo
- os lindos cabelos lisos e comportados depois da escova duram, em média, 15 minutos. É só pisar na rua que o primeiro fio já se levanta.

Já mudei de shampoo, condicionador, já comprei crème de la nuit para acalmá-los enquanto dormem... Já comprei tiara/travessa, presilhinhas, grampos... Já investi tempo, dinheiro e ideias e agora estou chegando à conclusão que nada do que eu faça vai deixar meu cabelo bonito, do jeito que eu gosto.

O jeito vai ser mesmo tapear o tempo até chegar o momento de eu ir para o Brasil e poder, finalmente, fazer uma looooonga visita ao Fábio, meu cabelereiro preferido no mundo inteiro, e apelar para a escova progressiva, japonesa, inteligente, marroquina ou o que quer que estejam fazendo aí agora (e como sei que ele é contra químicos para alisar o cabelo, vou levar fotos pra comprovar que não há outra saída).

Enquanto isso, sigo segurando a peruca!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Tempo, tempo, mano velho* (updated)

Ultimamente ando pensando muito em como as pessoas usam o tempo. Quando eu trabalhava e morava no Brasil achava tempo pra fazer tudo que eu precisava, vivia reclamando que 24 horas não eram suficientes, mas sempre acabava dando conta de fazer tudo.

Acontece que eu sou uma pessoa organizada, perfeccionista e com mania de fazer listinhas. E mesmo sem ter tempo de sobra, encaixava meus compromissos e atividades sem grandes problemas – e digo mais: raramente atrasava. Administração de tempo é comigo mesmo!

Mas agora que tenho liberdade total para decidir o que fazer com o meu tempo, sem obrigações impostas (só escolhidas), tenho a maior dificuldade em planejar meus dias. A lista de coisas para fazer, comprar, pessoas para encontrar, está lá, em operação. Mas não sinto que ela flui da mesma maneira que antes. Talvez pela falta de urgência, ou por comodismo (ao saber que tenho mais tempo do que preciso para fazer tudo aquilo duas vezes). Várias vezes me pego no café da manhã olhando praquela lista e pensando por onde diabos eu devo começar. Depois de alguns minutos, desempaco e resolvo tudo que tenho que fazer. E, claro, ainda sobra tempo.

E então encontrei uma pesquisa do NY Times no blog da HSM, que não podia ser mais propícia para o momento.

Ela mostra como as pessoas usam as 24 horas do dia. O gráfico é interativo, e mostra vários grupos diferentes (sexo, idade, etnia, filhos, nível de estudo), mas assim como a HSM escolhi dois grupos para ilustrar aqui no blog: empregados e desempregados.

A pesquisa mostra que os desempregados usam o tempo para fazer atividades extras, além do básico, coisa que uma pessoa que trabalha em período integral não consegue. Claro que todo mundo já sabia disso, mas o gráfico impressiona mesmo assim.

Desempregados:


Empregados:


Curiosidades:

Na avaliação geral, dormir, comer, trabalhar e assistir televisão tomam aproximadamente dois terços de um dia normal.

Às 6h da manhã, 60% dos empregados ainda estão dormindo, enquanto mais de 80% dos empregados continua nos braços de Morfeu** (48% dorme até às 8h – um horário digno para levantar, na minha opinião).

Os desempregados passam em média meia hora por dia procurando emprego (eu to fora dessa média, pra mim leva muito mais). Eles ainda arrumam a casa e fazem outras atividades domésticas por mais de duas horas, uma hora a mais que um empregado.

Para as pessoas que não têm um emprego fixo, sobra mais tempo para estudar, fazer trabalho voluntário, esportes, compras.

Mas um dado que eu acho extremamente importante não está na pesquisa: o tempo que as pessoas gastam com insônia. Adoraria saber se são os empregados ou desempregados que passam mais horas em claro.

Fica a dica, NY Times.



*Sobre o Tempo, música do Pato Fu lançada em mil novecentos e bolinha.
**Na primeira versão do texto confundi os deuses gregos Orfeu e Morfeu. Apesar de serem irmãos, o primeiro era o deus da música, e Morfeu era o dos sonhos. Talvez por isso eu estivesse com insônia, estava nos braços do deus grego errado!!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Descoberta do ano

Pronto. Meus problemas acabaram.




Em um país com fácil acesso à bolacha Bono de chocolate a vida fica muito mais fácil.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

As segundas visitas

E então depois de três semanas na função, as visitas foram embora. Deixaram para trás a casa vazia, super limpa (viva a sogra!), com todos os pequenos reparos feitos (viva o sogro!) e boas lembranças.

A cada visita, vemos como as pessoas são diferentes. Depois da primeira tive inspiração suficiente para escrever um guia de boas maneiras para hóspedes, mas a segunda não deixou nenhum trauma (apesar de agora ter a confirmação que hospedar quatro pessoas de uma vez deixa a casa intransitável).

Claro que hospedar a família do namorado sempre traz algum stress, e três semanas é realmente bastante tempo, mas o saldo final foi positivo.

Até porque na última semana me ausentei em alguns momentos para seguir com a vida normal (responder e-mails que estavam embolorando na caixa de entrada, ir à reunião que participo semanalmente, almoçar com uma amiga), e eles se viraram muito bem sozinhos.

Inclusive porque além de ter minhas coisas pra fazer, uma pessoa não precisa ir à Sentosa toda vez que alguém de fora estiver visitando. Já estou craque no zoológico, Night Safari, Singapore Flyer... para essas atrações ninguém precisa de guia nem mapa, é só me levar que eu explico tudinho.

Também estou aperfeiçoando minhas habilidades de anfitriã. Agora tenho a “caixa das visitas”, cheia de mapas, folders, flyers das atrações da cidade. Assim, quando alguém chega, sugiro que dê uma olhada na caixa e me diga o que tem interesse em ver. Além disso, estou preparando uma relação das atrações com os respectivos preços, para que não haja nenhuma surpresa e para poder estimar com antecedência quanto dinheiro será investido na viagem à Singapura.

Aumentei os itens na rouparia, para que as pessoas possam trocar de toalhas quantas vezes quiserem (já que os banhos acontecem mais de uma vez por dia e o clima é úmido demais, as toalhas precisam ser trocadas com mais frequência). Oferecemos também toalhas de pisc... ok, já tá parecendo hotel. Mas é quase! Posso abrir o MC’s Bed and Breakfast. Mas não vou ficar aqui fazendo propaganda porque senão todo mundo vai querer vir e aí é que eu não faço mais nada mesmo!

Agora espero receber também hóspedes brasileiros, para poder comparar experiências. Por enquanto só recebemos holandeses, e as diferenças culturais (e de idioma) são um fator importante a ser considerado. Um exemplo de um potencial mal entendido aconteceu no primeiro dia da chegada dos pais do Steven aqui. Estávamos todos na varanda conversando sobre o condomínio e o apartamento e eis que o pai pergunta:

- Dá pra tomar banho junto?

Meio chocada e sem graça com a pergunta, pensando em como a cultura é diferente (eu jamais perguntaria isso para um anfitrião, mas vai que eles estão acostumados a tomar banho juntos... sei lá!), respondo rapidamente:

- Er... acho que dá, mas o chuveiro é meio pequeno, não sei se vai ser muito confortável...

E ele, mais chocado ainda:

- Não!! Quero dizer ao mesmo tempo nos dois banheiros, e não no mesmo chuveiro!!

Ops!!! Falha de comunicação resultando em um mega fora... Um belo jeito de queimar o filme logo de cara, vocês não acham?

Mas não se preocupem, até o último dia estávamos rindo juntos dessa história. E eu vou continuar rindo por um bom tempo...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Mais uma do barco

Esqueci de contar uma coisa interessante que aconteceu no barco, na volta de Phi Phi para Phuket. Das 30 pessoas que estavam no nosso barco, metade era ocidental (europeus, australianos e eu de cucaracha) e o resto era oriental. Em alguns momentos as diferenças entre os dois grupos ia muito além da cor da pele ou formato dos olhos.

Os orientais passaram o dia todo protegidos por chapelões (gigantes) e manga comprida, enquanto os ocidentais estavam despreocupados lagartixando no sol.

Os ocidentais faziam barulho, falavam alto, conversavam entre si. E os orientais falavam baixo, não interagiam com outras pessoas a não ser as do próprio grupo e eram discretos.

Como tinha chovido pouco antes da volta, o mar estava um pouco mais agitado do que na ida. Isso significa que o barco balançava muito mais, e em alguns momentos a sensação era de estarmos dentro de uma batedeira, de tanto que o treco pulava.

Por causa do vento, eu estava preocupada em segurar meu chapéu e minha câmera nova (protegida por uma canga, um saco plástico e uma mochila), e outras pessoas estavam até usando a tolhada para se proteger do vento e das eventuais jorradas de água salgada que insistiam em molhar os passageiros.

Todos os ocidentais estavam lá, em alerta, segurando seus pertences (ou em alguns momentos, a si próprios) com expressões aflitas, enquanto os orientais dormiam.

Sim, dormiam. Todos os 15 orientais presentes no barco estavam de olho fechado, sacolejando como nós, mas com uma expressão super serena.

Fiquei tão surpresa que comecei a reparar (leia-se: encarar) neles, olhando de um a um. Todos com a mesma carinha serena, relaxada, como se o mundo não estivesse balançando quase nada. Até que vi uma das meninas se mexendo e a ficha caiu: eles não estavam dormindo, estavam só meditando.

É, tenho muito que aprender...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Ilhas Phi Phi e Koh Khai - Tailândia

As ilhas Phi Phi consistem em Ko Phi Phi Don e Ko Phi Phi Leh, um paraíso natural obrigatório para quem está na região de Phuket ou Krabi (no continente tailandês). A primeira, na verdade, consite em duas ilhas unidas por um istmo, e já está completamente dominada pelo turismo. Hotéis, restaurantes, bares, lojinhas... Já a segunda é inabitada (empreendimentos são proibidos), mas muito popular para day trips (muito mesmo, tá), e ficou famosa por causa do filme “A Ilha” com Leonardo DiCaprio.

Há diversas maneiras de se chegar às Phi Phi islands: passeios prontos de agências de turismo (cuidado com as enrascadas, como barcos grandes demais ou que param em muitas praias, fazendo com que você tenha só 15 minutos em cada uma), aluguel de barco, ou pegando a balsa em Phuket ou Krabi, e então alugar um “longtail boat” e ir aonde você bem entender. Na minha opinião a primeira opção é a mais segura, mas você não terá muita privacidade ou flexibilidade. A segunda é a mais cara e a terceira é um tanto quanto arriscada, pela falta de estrutura e “segurança” que uma agência de turismo proporciona, mas você pode ir onde bem entender e não precisa seguir o cronograma de uma agência.

Nós optamos pela primeira opção e compramos um pacote de uma agência perto do hotel. Foi muito tranquilo, incluía transfer do hotel para a marina em van com ar condicionado, speed boat para as ilhas, água, refris e frutas no barco, almoço em uma das ilhas e equipamento para snorkelling. Programa turistão, mas muito confortável e sem grandes problemas.

A vantagem do speed boat é que a viagem é mais rápida – o trajeto de Phuket para Phi Phi pode levar até 2 horas, dependendo da potência do barco. A desvantagem é que você fica lá sacolejando com mais 29 desconhecidos, e pode ter o azar de alguém vomitar o café da manhã no seu pé.

Bem, começamos o passeio em Maya Bay, a tal praia onde “A Ilha” foi filmada. Jesus Maria José, o lugar é lindo de morrer. Fiquei de queixo caído, babando mesmo. Mas é preciso dizer que por causa do filme que a deixou famosa, a baía agora está INFESTADA de speed boats cheios de turistas. Metade da praia é estacionamento de barco, a outra metade (demarcada por bóias) é o único lugar onde é permitido nadar. Nem preciso dizer que esse lugar também parecia o piscinão de ramos, uma feijoada de gringos.

Os mais sensíveis vão se irritar muito com a exploração turística dessa praia paradisíaca, mas minha sugestão é que você vá preparado, mas vá. Vale a pena.

A próxima parada foi Loh Samah Bay, um paraíso para snorkelling. Fui a primeira a me jogar na água e só voltei pro barco quando o guia ameaçou ir embora e me largar lá. Nunca tinha nadado perto de corais e ver todos aqueles peixes e as cores do fundo do mar foi um desbunde. O próximo passo é um curso de mergulho de verdade, um sonho que venho adiando há anos. Agora não tem desculpa, o momento não podia ser mais perfeito.

Depois fomos para Pileh Cove, quase uma lagoa natural de água tão azul que você só vê em folder de agência de turismo. Pulamos da frente do barco repetidamente (inclusive o sogro!), alguns saltos olímpicos e outros mais rústicos (tipo bomba).

A cada momento que o guia dizia que era hora de ir embora, eu sentia um mix de tristeza e empolgação, imaginando quando eu voltaria e qual seria a próxima parada!

Então chegamos em Phi Phi Don, a tal ilha mencionada no começo do post que foi invadida pelo turismo. De longe já é possível ver os diversos hotéis, bangalôs e bares de beira de praia. O lugar também é lindo maravilhoso, mas nesse momento confesso que me concentrei mais no almoço do que na ilha. Ninguém é de ferro...

Depois do almoço fomos para Monkey Beach, uma pequena praia de areia branca cheia de macacos por todos os lados! O guia distribuiu amendoim para que pudéssemos alimentar os “primos”, mas disse que devíamos permanecer na água e não entrar na praia. Pela quantidade de macacos que eu vi ali, não me arriscaria a desobedecer as instruções. Parênteses: quando tinha uns 10 anos estava andando na praia com meus irmãos e um cara passou com um mico no ombro. O mico olhou pra mim, eu olhei pro mico, o mico olhou pro meu cabelo e se deu um salto duplo carpado em minha direção (Olimpíadas tá na moda, né gente), depois ficou lá se pendurando nas minhas madeixas até o dono se tocar e tirar o bicho de mim. Fo uma experiência traumática e desde então tento manter uma distância saudável de macacos livres. Fecha partênteses.

Depois de mergulhar em águas cristalinas, nadar com os peixes e alimentar macacos, fomos para Koh Khai, a última parada da nossa day trip. Me senti um pouco no Brasil, com as diversas barraquinhas vendendo drinks, comidas e souvernirs, mas passei grande parte do tempo snorkelling, vendo os peixinhos e procurando os tubarões que o guia falou que nadavam por ali (uau, depois de escrever essa frase notei o quão absurda ela soa).

Enfim, estava lá toda feliz com a cara na água quando de repente tudo ficou escuro e todos os peixinhos sumiram. Por um momento me senti em “Procurando Nemo” e só depois de tirar a cabeça da água é que notei que estava chovendo. Quando a chuva parou voltamos para o barco, que nos levou de volta para Phuket.

O dia foi maravilhoso e, a experiência, inesquecível! Não vejo a hora de fazer o curso de mergulho e voltar para as ilhas do mar Andaman o mais rápido possível!